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26/08/2014 | 18h59

Indústria

Inovar-Auto completa 20 meses com vitórias e desafios

Consultores da Pieracciani acreditam que política industrial terá vida longa no Brasil


GIOVANNA RIATO, AB

O Inovar-Auto completa 20 meses em vigor na indústria brasileira com desafios a serem superados, mas com grandes vitórias. Essa é a análise dos sócios-diretores da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, consultoria especializada em inovação, Valter Pieracciani e Alfonso Abrami. Para eles, o programa é completo, bem estruturado e vai continuar a se desenvolver nos próximos anos. “Essa data de 2017 para o fim do regime automotivo não vai se manter. O prazo será prolongado por muitos anos”, acredita Abrami.

Para os especialistas, há razões de peso para manter o programa em vigor por mais tempo. A primeira delas é justamente para que seja possível fazer os ajustes necessários para que as soluções propostas nele tenham impacto. Em seguida Pieracciani enumera entre os motivos o bom resultado do regime automotivo como política pública e o fato de que é estratégico para o governo ter um programa para ajudar um setor em crise e garantir que ele continue produzindo. “Acho que o Inovar-Auto veio para ficar, assim como a Zona Franca de Manaus, que entrou em vigor inicialmente por 10 anos e agora já funciona há 50 anos”, compara.

Ele reconhece, no entanto, que alguns pontos precisam ser melhor trabalhados. Um deles é a questão da rastreabilidade da origem de fabricação das autopeças. O aspecto sofreu atraso na regulamentação. Apenas em 13 de agosto foi publicado o Decreto nº 8.294 que explica as linhas gerais, mas ainda depende de regulamentações. Outra questão sensível, segundo Pieracciani, é que o índice de conteúdo local exigido pelo programa é muito elevado.

Da forma como está determinado, se a rastreabilidade entrar em vigor em breve, apenas as quatro maiores montadoras instaladas no Brasil – Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford – conseguirão atingir a nacionalização exigida. O consultor alerta que, se isso acontecer, o Inovar-Auto terá, involuntariamente, favorecido as veteranas do mercado nacional, já que as outras empresas terão de pagar multas e até mesmo o adicional de 30 pontos no IPI. Estes custos precisarão ser repassados aos preços dos produtos e os tornarão menos competitivos.

O especialista aponta, no entanto, que os responsáveis já trabalham para eliminar esta armadilha do programa. “O governo está sensível a isso, tem analisado números e volumes para criar regras que movam toda a indústria nacional para a competitividade, não só os veteranos. A meta tem de ser atingível para que realmente cause mudança”, avalia.

Ele diz não ter detalhes de como isso será feito, mas admite que há a possibilidade de serem criadas novas categorias de acordo com o volume de produção de cada fábrica, aos moldes do que acontece hoje com as montadoras de carros de luxo, que se inscrevem no programa como fabricantes com baixo volume de produção, de até 35 mil unidades por ano, e têm regras mais acessíveis de conteúdo local. Outro aspecto ainda nebuloso do regime, que depende de regulamentação, é a questão dos insumos estratégicos. Segundo Pieracciani, até agora ninguém sabe determinar quais são eles.

PONTOS POSITIVOS

Pieracciani defende que os desafios que o Inovar-Auto ainda tem de superar não tiram o mérito do programa, que acumula também vitórias. “As engenharias estão ganhando força”, afirma. Segundo ele, com as exigências do programa, as empresas ganharam argumentos para pleitear que alguns projetos sejam desenvolvidos no Brasil, fortalecendo os centros de pesquisa e desenvolvimento locais. Outro avanço foi o aumento de encomendas de dispositivos tecnológicos para atender o porcentual mínimo de melhoria de eficiência energética. Esse movimento, segundo o especialista, acontece principalmente entre as empresas newcomers, que também têm investido em aumento do número de atividades fabris feitas no Brasil.

Abrami enfatiza que, ao contrário do que os fabricantes de autopeças pensaram no primeiro momento, o programa fomenta toda a cadeia produtiva. “Não existe montadora competitiva se fornecedores não são competitivos. Os aspectos do Inovar-Auto que envolvem projetos de engenharia e etapas produtivas afetam toda a cadeia”, analisa.

Assista à entrevista exclusiva com Valter Pieracciani e Alfonso Abrami:


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