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Elétricos e híbridos ainda estão em segundo plano

Eventos | 06/09/2014 | 21h26

Elétricos e híbridos ainda estão em segundo plano

Fabricantes e entidades continuam aguardando incentivos do governo

MARIO CURCIO, AB

A décima edição do Salão e Congresso Latino-Americano de Veículos Elétricos terminou na sexta-feira, 5, novamente sem definição de uma política governamental que incentive a compra e uso desses modelos. “Os impostos incidem em cascata”, demonstra a chefe do projeto de veículos elétricos da Renault no Brasil, Sílvia Barcik.

Numa tabela, ela demonstra que um veículo elétrico que chega no porto com valor de 100 passa a 255 pela incidência de Imposto de Importação (35%), IPI (25%, alíquota maior do que a aplicada sobre qualquer veículos com motor a combustão), ICMS (12%) e PIS/Cofins (11,6%), além de outros custos. Assim, sem benefícios fiscais, a Renault continua negociando seus veículos apenas com empresas que começam a tocar projetos de redução de emissões em médio prazo e companhias energéticas interessadas em explorar a tecnologia. Desde 2013 até agora a Renault vendeu 68 carros elétricos no Brasil, divididos entre o compacto Twizy, o hatch Zoe e o utilitário Kangoo. Da Nissan, empresa sócia, vieram 29 Leaf, dos quais 25 são utilizados como táxis e somam mais de meio milhão de quilômetros rodados aqui desde 2012.

No congresso de veículos elétricos, representando a Toyota e a Anfavea, que reúne os fabricantes de veículos, Ricardo Bastos revela o crescimento desses veículos no Brasil, embora em volumes inexpressivos: “Em todo o ano de 2013 foram vendidos no País 491 veículos elétricos ou híbridos. Este ano, até agosto, foram 558 unidades.”

Bastos recorda que ainda não há nada concreto, mas acredita que o governo anuncie, talvez em curto prazo, medidas favoráveis a esse segmento. “Estamos falando de eficiência energética, algo que já está no Inovar-Auto.” O executivo recorda que a Anfavea levou ao governo uma proposta em que constam seis diferentes tecnologias para veículos leves e oito para os pesados.

O engenheiro Alex Passos, da fabricante de motores elétricos Weg, revela que a empresa vem desenvolvendo um motor elétrico de 215 cv para utilização em um veículo de carga, aparentemente um comercial leve. “Também temos um modelo de 85 cv que pode ser aplicado em automóveis”, afirma. A Weg é um importante fornecedor para a indústria de trólebus, com motores de 540 cv de potência, inversores e planejamento de portfólio para veículos híbridos, elétricos e também movidos a célula de combustível.

NECESSIDADE FUTURA

Durante o congresso, o coordenador de inovação de powertrain da PSA Peugeot Citroën, Flávio Dias, mostrou dados e estudos que revelam que a limitação na oferta de combustíveis líquidos (seja por pressões sobre o valor do barril de petróleo, seja pela oferta de etanol) pode abrir espaço para veículos elétricos e híbridos.

Ele recorda que cerca de 80% da energia elétrica oferecida no Brasil vem de fontes renováveis e no mundo esse valor é em média de 30%. Os estudos apontam ainda que quase metade das emissões totais do País (46,9%) tem origem nos transportes.

Sobre a necessidade de participação do governo, Dias destaca: “Ele deve dar o exemplo, utilizando frota própria de veículos que estejam dentro dos preceitos de mobilidade sustentável”.

QUESTÃO DE SAÚDE

Em sua apresentação durante o congresso, o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, recordou o elevado número anual de mortes em consequência da poluição do ar (1,3 milhão em todo o mundo, 4 mil na cidade de São Paulo). “Ela costuma ser mais elevada nos países e regiões que produzem menos ciência (pesquisas), como a América Latina, África, Oriente Médio e parte da Ásia. E os processos menos eficientes (de queima de combustível ou controle de emissões) migram para lugares incapazes de produzir tecnologia local”, diz o professor.

Um estudo feito em São Paulo mostra que um motorista que roda por toda a cidade fica exposto a uma média entre 80 e 90 microgramas por metro cúbico de partículas finas, quando a média aceitável seria de 25 microgramas.



Tags: Salão, veículos elétricos, Renault, Zoe, Kangoo, Ricardo Bastos, Toyota, Leaf, Sílvia Barcik, Alex Passos, Weg, Flávio Dias, PSA, Paulo Saldiva, medicina, Universidade de São Paulo.

Comentários

  • Marcos Tadeu

    Boa noite. O MUNDO já está se ACABANDO.... Vamos optar pelas opções para que o MUNDO DURE. Nos vivemos num PAÍS "BRASIL", que temos tudo, SOL e VENTOS........ Por que não são investido nisto???

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