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10/09/2014 | 20h30

Lançamentos

BMW i3 inicia busca por seu espaço no Brasil

Carregado de sofisticação tecnológica, carro chega por R$ 225.950


PEDRO KUTNEY, AB

A BMW dá sinais de acreditar muito no potencial da mobilidade elétrica em todo o mundo. No ano passado, lançou o i3, um carro concebido para ser 100% movido a eletricidade desde o primeiro traço, com elevada dose de sofisticação tecnológica, que já vendeu 6 mil unidades na Europa, Estados Unidos e Japão. Dez meses após o lançamento europeu, começa a vender o modelo também no Brasil, apostando em um mercado onde inexistem políticas ou incentivos para carros elétricos – muito pelo contrário, esses veículos recebem a maior tributação possível no País, com impostos em alíquota máxima e cascata que somam carga acima de 115%. Por isso, os modernos, antenados, descolados e ricos consumidores brasileiros que quiserem chamar de seu um BMW i3 terão de pagar, no mínimo, R$ 225.950 pela versão mais barata, ou R$ 235.950 pela (ainda) mais sofisticada – ou seja, em torno de R$ 120 mil só de impostos.

Na Europa, dependendo do nível de redução de impostos e incentivos para compra de carros elétrico de cada país, o i3 é vendidos entre € 30 mil € 35 mil – pelo câmbio atual, menos da metade do preço sugerido no Brasil. Mesmo assim, a BMW decidiu começar a vender o carro aqui, que antes da divulgação do preço teve consultas de 1,3 mil interessados. Agora, com o valor fixado, a perspectiva é conquistar 100 clientes até o fim deste ano e chegar a algo como 150 em 2015, caso não haja nenhuma mudança na tributação e preços. Parece muito barulho para pouco mercado.

“Essa é uma estratégia mundial da BMW e o Brasil não poderia ficar de fora. Não vamos deixar de trazer o modelo só porque ele fica mais caro aqui”, diz Martin Fritsches, diretor de vendas da marca no Brasil. Ele admite que a redução da tributação “pode ter impacto expressivo no preço e volumes de venda”, mas prefere trabalhar com a realidade atual, sem especulações. “Também existe o ganho de imagem”, completa, para justificar o alto investimento (de valor não revelado) feito pela BMW para lançar o i3 no mercado brasileiro, que começou a ser feito mais de um ano atrás, com a criação no País da divisão “i”, dedicada aos elétricos e híbridos da marca.

“Infelizmente a legislação brasdileira ainda não contempla tratamento fiscal adequado e não há políticas para esse segmento”, lamenta Arturo Piñeiro, presidente do Grupo BMW Brasil. Mas ele avalia que os fatores que fazem o mundo investir na mobilidade elétrica (urbanização, proteção ao meio ambiente, economia de recursos, legislação, cultura e exigência dos clientes) também estão presentes aqui, por isso será questão de tempo para o governo aliviar a carga tributária e criar mercado mais ampla para os elétricos.

“Empresas que têm mais sucesso são aquelas que se antecipam ao que está por vir”, justifica. Segundo ele, a BMW não tem nenhuma negociação direta com o governo sobre o assunto, mas acompanha os pleitos já colocados pelas associações do setor, como Anfavea e Abeifa, que já apresentaram proposta para zerar imposto de importação e IPI de elétricos e híbridos. “A BMW por si só não consegue convencer, tem de ter a união dos fabricantes”, afirma Piñeiro.

Enquanto nada disso acontece, o i3 começa a ser vendido este mês em apenas oito das 44 concessionárias da BMW no País. As lojas foram especialmente preparadas para vender o carro. “É um conceito totalmente diferente”, explica Fritsches. “Vamos aumentar o número de pontos conforme a necessidade”, acrescenta.

SOFISTICAÇÃO TECNOLÓGICA SUSTENTÁVEL

Carlos Cortes, gerente sênior de vendas da linha BMWi no Brasil, destaca que o i3 nasceu de uma folha de papel em branco, não sucede nenhuma geração de automóvel, por isso foram incorporadas tecnologias únicas no carro. “O conceito foi criar um veículo mais eficiente possível, mas foram mantidas as características premium da marca, não cortamos custos do carro para compensar o alto valor das baterias, como fizeram outros fabricantes que lançaram carros elétricos”, diz.

O principal exemplo disso é a própria carroceria projetada para cortar o máximo de peso, mas toda feita de materiais nobres e caros, com alumínio na base e fibra de carbono em toda a parte superior. Outras matérias-primas inovadoras e sustentáveis também fazem parte dos ingredientes do i3, como essência de folhas de oliveira para tingir partes do painel, que tem em sua composição 30% de fibras orgânicas de kenaf (um vegetal). Cerca de 40% do revestimento interno é feito de tecido plástico PET reciclado. Toda a parte elétrica foi projetada para economizar energia: os faróis e lanternas têm lâmpadas de LED e o ar-condicionado elétrico gasta 30% menos que um convencional, segundo a BMW.

Até a fábrica do i3 em Leipzig, na Alemanha, foi construída especialmente para fazer carros elétricos com processos mais eficientes: lá os veículos são fabricados com gasto de energia 50% menor, sendo 100% originada de fontes renováveis (como eólica e solar), e o consumo de água é 70% abaixo de outras plantas da BMW.

O i3 pesa 1.315 kg, sendo 230 kg só de bateria, com autonomia para rodar de 130 a 160 quilômetros (dependendo do percurso e acelerações), mais que suficiente para o uso urbano ao qual o modelo se destina. A BMW dá garantia de oito anos ou 100 mil km para o acumulador de íons de lítio e afirma que a durabilidade testada é de 10 anos ou 150 mil km. Ela fica na parte inferior central – o que rebaixa o centro de gravidade e ajuda a melhorar a estabilidade.

A recarga total em uma tomada normal leva 16 horas em 110 V ou 8 horas em 220 V, tempo que baixa para 3 a 5 horas com o recarregador Wallbox, vendido pela BMW como acessório por R$ 7.450. Uma equipe técnica da BMW vai até a casa do cliente para verificar as adaptações necessárias e custos para instalação do equipamento. Em compensação, o gasto de combustível é irrisório: considerando o preço da energia elétrica da cidade de São Paulo, a carga total de uma bateria custa R$ 7, equivalente ao custo de R$ 0,05 por quilômetro rodado. A recarga em corrente contínua demoraria apenas 30 minutos, mas um posto preparado para isso requer investimento de cerca de US$ 30 mil, “por isso é mais difícil essa opção no Brasil por enquanto”, reconhece Cortes.

O motor elétrico de 170 cavalos pesa apenas 49 kg e o auxiliar a gasolina bicilíndrico de 647 cc (0,65 litro) pesa 150 kg – ele é eufemisticamente chamado de “extensor de autonomia” que garante mais 100 quilômetros (equivalente ao consumo de 9 litros de gasolina que cabem no tanque), pois funciona apenas como gerador, para alimentar a bateria quando a carga baixa a apenas 20%. Teoricamente, é possível rodar mais de 100 km com o motor a combustão ligado o tempo todo, contanto que se pare para abastecer a cada 100 km, mas isso pode comprometer a durabilidade do sistema elétrico, dizem os técnicos da BMW.

O resultado prático é um carro muito arisco, com disponibilidade de 100% dos 250 Nm de torque na primeira pisada no acelerador (talvez a melhor característica de um motor elétrico), fazendo oi3 saltar de 0 a 60 km/h em apenas 4 segundos – e de 0 a 100 km/h em 8 segundos. A velocidade máxima, limitada eletronicamente, é de 150 km/h. O motorista pode também selecionar dois programas de condução mais econômica: o Eco Pro garante mais 20 km de autonomia e o Eco Pro+ 40 km a mais, com desativação de luzes, ar-condicionado e limitando a velocidade a 90 km/h. Com isso, o i3 pode rodar até 200 km no modo 100% elétrico, que aumenta para 300 km com a ativação do motor “extensor”. “Tudo isso supre e ultrapassa as necessidades da maioria das pessoas, que no uso urbano raramente percorrem mais do que 100 km por dia”, diz Cortes.

A estrutura leve e de alta resistência permitiu a eliminação da coluna B central do carro. Como não existe um cofre para abrigar o motor a combustão e os motores elétricos que tracionam as rodas traseiras são bastante compactos, foi possível encurtar o comprimento e ainda assim deixar o habitáculo suficiente para levar quatro pessoas com conforto.

O BMW i3 incorpora algumas das mais modernas e sofisticadas tecnologias de conforto, conectividade e segurança. O modelo básico já sai de fábrica com um chip SIM de celular 3G da Vodafone, que mantém o carro conectado à internet sem necessidade de parear o telefone celular – ao contrário, o celular pode usar o wifi do veículo. Todas as versões vêm com seis airbags (frontais, laterais e cortinas), assistência anticolisão com frenagem automática e controle eletrônico de estabilidade. Também têm teto solar, ar-condicionado automático, sensor de estacionamento traseiro, piloto automático, navegador GPS e sistema de som Harman Kardon. A única diferença externa em relação à versão mais cara é a roda de liga leve de 19 polegadas.

A versão topo de linha usa de rodas de 20 polegadas e acrescenta o piloto automático adaptativo (ACC), que mantém uma distância selecionada do veículo à frente, com função para-e-anda – muito útil para os congestionamentos de grandes cidades como São Paulo, pois o carro se move automaticamente acompanhando o trânsito em baixa velocidade, sem o motorista precisar acionar freios ou acelerador. No interior o acabamento dos bancos pode ser 100% em couro ou couro e lã. O painel tem detalhes de madeira de eucalipto certificado de replantio.

CONECTIVIDADE TOTAL

Impressiona o alto nível de conectividade incorporado ao i3, que é um dos diferenciais de venda do carro. Já vem incluído no preço um amplo pacote de conexão, a começar pelo chip 3G que mantém o veículo conectato à internet o tempo todo, por 10 anos sem custo adicional, com imensa gama de serviços e comodidades on-line. Isso significa que a bordo o motorista pode ter acesso aos seus e-mails, redes sociais, aplicativos do smartphone e até baixar músicas, por exemplo.

Um desses serviços é o Teleservice, que reporta automaticamente à fábrica e concessionárias ocorrências do carro e agenda manutenções. O guincho pode ser chamado com o toque de um botão, o sistema já informa o problema e localização ao centro de atendimento, que pode até enviar um táxi ao local. No caso do i3, sempre que o nível de carga da bateria cai abaixo de 20% um aviso é enviado à BMW e ao e-mail do proprietário.

O i3 também tem chamada de emergência automática em caso de acidente, mas bem mais eficiente do que o sistema que usa o celular do proprietário para fazer a ligação. O carro já tem chip próprio de conexão, o sistema funciona com bateria dedicada e fica dentro de uma caixa blindada, para garantir o funcionamento mesmo em caso de grande destruição do veículo. Após uma colisão é transmitido um aviso à central de atendimento que já tem os dados do veículo e proprietário. É informada automaticamente a localização e o que está acontecendo, como quantos ocupantes os sensores detectam a bordo e se os airbags foram acionados.

Pelo período de três anos, estão incluídos os serviços de concierge – para pedir a localização por telefone viva-voz do que o motorista quiser, como um restaurante ou o ponto de recarga mais próximo –; o BMW Online com vários programas que incluem informações sobre funcionamento de aeroportos, cotações de moedas ou ações, clima num raio de 200 km e até o resultado de jogos de futebol no Brasil; e também informações de trânsito em tempo real transmitidos diretamente ao navegador.

Outra facilidade on-line é o aplicativo para computador e smartphones que, entre outras funções, permite saber a carga da bateria e enviar comandos à distância, como enviar endereços diretamente para o navegador do carro, acionar o ar-condicionado para encontrar a cabine fresca em dias de calor ou tocar a buzina e ligar faróis para localizar o carro em um estacionamento. O i3 pode ser caro, mas ao menos é mais do que completo.

Assista abaixo ao vídeo de lançamento do BMW i3:


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