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Indústria | 15/09/2014 | 12h48

Melhora da qualidade requer reestruturação

Integração de equipes e revisão de processos são os primeiros passos

SUELI REIS, AB

Equacionar produtividade dentro de todos os requisitos necessários para não pecar na qualidade ainda é um dos grandes desafios enfrentados pela cadeia automobilística brasileira, que carece de reestruturação em todos os níveis. Assim concordaram os painelistas Martin Bodewig, diretor da consultoria Roland Berger, e Letícia Costa, diretora da Prada Assesoria, durante o II Fórum IQA da Qualidade Automotiva, promovido pelo Instituto da Qualidade Automotiva em parceria com Automotive Business, na segunda-feira, 15, em São Paulo.

Em sua análise, Letícia apresenta um cenário pouco positivo, com o Brasil situado em um patamar baixo de competitividade, o que reflete diretamente em níveis de qualidade.

“O Brasil está com um desempenho de qualidade insatisfatório, estagnado, com índices de avaliação que só caíram nos últimos quatro anos, quando não se observou nenhum progresso”, disse, citando a pesquisa da JD Power, sobre satisfação do cliente com seus veículos, considerando proprietários com 12 a 36 meses após a compra. Numa escala de zero a mil, o Brasil passou de 736 pontos em 2011 para 731 este ano, enquanto países como Inglaterra e Alemanha atingiram patamares de 772 e 788 pontos este ano, respectivamente.

A especialista lembra que, quando se trata de qualidade, há de se relacioná-la não só com a capacidade usual de um produto final, mas de todo o processo, para que se chegue ao produto final em si, passando por todo o processo de conformidade, habilidade de uso e, por fim, satisfação total do cliente.

“Há muito espaço para melhorias. No entanto, o esforços que têm sido feitos se mostram ainda tímidos diante dos desafios que enfrentamos”, argumenta.

Em linha com uma visão de necessidade evolutiva, Bodewig sustenta que a qualidade nas empresas deve ser vista com "os olhos do cliente" e ir além: “Parece um clichê, mas é um fator muito importante. Imaginemos que o produto ou serviço é a ponta do iceberg – o cliente só vê a ponta. No entanto, a empresa, ao mesmo tempo em que deve olhar seu produto nesta ponta, deve analisar tudo o que está encoberto e ainda deve incluir todos os departamentos da companhia no processo de melhoria para alcançar a excelência da qualidade. Isso passa por diretoria, gerência, equipe operacional. É um dos passos para realmente atingir um nível global de qualidade e satisfação”, defende.

Reorganizar processos como este, segundo ele, passa por iniciativas que necessitam de suporte executivo, daí a necessidade de incluir todos os departamentos e não ser foco de uma equipe exclusiva, responsável pela qualidade. “Auto-avaliação é um dos pontos, responsabilidade e disciplina, motivação e cultura da qualidade como componente organizacional são fatores para o sucesso desse processo.”

Ressalta ainda que não se devem esperar milagres com processos externos, como o Inovar-Auto, que em sua avaliação traz mais produção no quesito volume, mais tecnologias para o parque nacional, mas que não é focado em qualidade. “O programa tem pontos positivos, mas tem cunho de protecionismo e que não resolve todos os problemas para uma competitividade mais efetiva.”

PONTOS DE PARTIDA

Por sua vez, Letícia elenca cinco fatores cruciais definidos como pontos de partida para adequar a qualidade de forma a ser competitiva internacionalmente. Visão do cliente passa pelo nível de satisfação com serviços e produtos das redes de concessionárias, cujos índices de satisfação se encontram estagnados, de acordo com a mesma pesquisa JD Power.

Visão de Cadeia, que determina os papéis dos tiers 2 e 3, requer reestruturação com base em resolver problemas bastante conhecidos: melhorar níveis de utilização da capacidade, reduzir níveis de endividamento, solucionar a baixa capacidade de investimento e criar pontes para evoluir com relação ao suporte com os demais players.

Visão sistêmica, que avalia o papel dos processos organizacionais da companhia, desde treinamentos até introdução de ferramentas e programas que de fato contribuam para a consolidação da qualidade.

Investimentos não sincronizados, entre montadora e cadeia de fornecimento: para ambos, os aportes ainda devem contemplar de forma mais ampla maquinário e capacitação de mão de obra, dois itens, segundo Letícia, ainda pouco lembrados no quesito investimento, hoje mais dedicados a produtos e capacidade.

Por fim, um ambiente competitivo saudável, a partir da maior abertura da concorrência: “Hoje, com o Inovar-Auto e programas de cotas, o Brasil protege seu mercado de tal forma a não criar um ambiente de concorrência leal, de forma que possa forçar melhorias por parte das empresas produtivas locais. Não me surpreende que na pesquisa de satisfação do cliente, lideram marcas como Hyundai, Toyota, Honda, Kia, Nissan, Mitsubishi e Hyundai-Caoa, para só então chegar à Volkswagen, uma das quatro grandes do mercado nacional. Vale notar que General Motors e Fiat, que aparecem depois de Renault e Citroën, figuraram em níveis abaixo da média.”



Tags: Qualidade, competitividade, produtividade, IQA, Roland Berger, Letícia Costa.

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