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15/09/2014 | 20h27

Legislação

Inovar-Auto é aposta da indústria para garantir qualidade

Anfavea e governo defendem política para alcançar patamar internacional


SUELI REIS, AB

O Inovar-Auto garantirá um novo patamar de qualidade aos carros brasileiros. Pelo menos essa é a aposta das montadoras, que por meio da Anfavea, defendeu o regime automotivo e sua continuidade durante o II Fórum da Qualidade Automotiva, promovido pelo IQA em parceria com Automotive Business, na segunda-feira, 15. No painel Os avanços da qualidade com o Inovar-Auto, Rogério Rezende, vice-presidente da entidade, aponta as oportunidades que o programa pode trazer para a cadeia automotiva:

Segundo o executivo, dos novos investimentos anunciados pelas associadas entre 2012 e 2018, que somam cerca de R$ 75 bilhões, mais de R$ 12 milhões são destinados para as áreas de pesquisa, desenvolvimento e engenharia. Para ele, isso trará mudanças importantes e melhorias significativas nos tiers 1, 2 e 3, além do que será feito no quesito qualificação da cadeia automotiva. “O que se objetiva é a qualidade do produto”, defende.

No entanto, Rezende lembra das dificuldades que o setor deverá enfrentar para se chegar a tal patamar tão esperado pela própria indústria, de que o carro nacional será competitivo internacionalmente:

“Não adianta, portanto, ter aumento de produção, de capacidade e uma mão de obra devidamente qualificada se não tiver aplicados os conceitos de qualidade em toda a cadeia. Este é o caminho para a competitividade”, disse.

Em tom de alerta, o representante de Anfavea, que também é representante da Scania para assuntos institucionais e governamentais, falou da necessidade de acompanhamento das fornecedoras com relação à evolução dos conceitos de qualidade pelos quais as montadoras se inserem a partir do Inovar-Auto, como a excelência de novas tecnologias para tornar o produto brasileiro mais global: “As autopeças [empresas] devem acompanhar a evolução do produto, produzir aqui as tecnologias, se não, o País vai continuar importando”.

Por sua vez, a representante do governo no evento do IQA, Margarete Gandini, coordenadora geral do departamento de indústrias de equipamentos de transporte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), reforçou que o objetivo do Inovar-Auto é a elevação do patamar tecnológico do produto brasileiro, e, por consequência, de sua qualidade:

“Está muito claro na legislação que, ao zelar pela eficiência energética, a partir de novos modelos de propulsão, ou de aumentar o conteúdo local, fomentando a indústria de autopeças, há um objetivo de elevação também da qualidade, no que se refere à performance do produto”, afirmou.

Segundo Margarete, a qualidade perpassa todo o processo da política industrial criada no fim de 2012, em vigor desde 2013, mas que ainda espera por portarias e regulamentações para concluir sua efetividade como programa. Segundo a representante, estão para ser publicadas duas portarias, a saber: a primeira, que torna oficial o sistema de acompanhamento das metas do Inovar-Auto, no que diz respeito as compras locais (rastreabilidade das autopeças), e a segunda que trará o detalhamento sobre as metas de eficiência energética.

“Para se ter uma ideia, sobre as metas de emissões, está previsto 21,1 milhões de toneladas a menos de CO2 na atmosfera brasileira até 2018, isso só com a meta obrigatória, sem citar o desafio que lançamos às montadoras, de ultrapassar o mínimo exigido pelo Inovar-Auto. Este volume também ultrapassa o acordo de emissões de Copenhagen, que o Brasil se comprometeu a reduzir. Mais uma vez: isso mostra que a qualidade perpassa todo o processo da política industrial, inclusive a qualidade do meio ambiente”, argumentou.

Por fim, o vice-presidente da Anfavea admitiu que o regime automotivo não resolverá todos os gargalos da cadeia, considerando os custos de produtividade, mão de obra, matéria-prima, logística, insumos e tributações.

“Sozinho, o Inovar-Auto não resolve os problemas. Ainda há o que se fazer com relação à infraestrutura, legislação fiscal, falta de mão de obra qualificada. Sem olhar para esses fatores, o Inovar-Auto será subutilizado”, concluiu.

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