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Congresso SAE Brasil batalha para driblar retração dos negócios
Abertura oficial do Congresso SAE Brasil 2014

Eventos | 30/09/2014 | 19h20

Congresso SAE Brasil batalha para driblar retração dos negócios

Exposição ficou menor, mas empresas reforçaram aposta no Inovar-Auto

GIOVANNA RIATO, AB

O 23º Congresso SAE Brasil abriu as portas na terça-feira, 30, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). O evento evidencia o efeito da retração dos negócios no mercado brasileiro, mas ainda assim mantém o brilho com a aposta das empresas no País e os avanços tecnológicos atraídos pelo Inovar-Auto. “Apesar da desaceleração no ano causada pela Copa do Mundo, a SAE Brasil continua confiante no mercado brasileiro. É um momento importante para a engenharia veicular”, destacou Ricardo Raimer, presidente da entidade, na abertura do congresso.

Apesar de o executivo ter amenizado as dificuldades que o setor automotivo enfrenta no Brasil, é notável a redução do tamanho da mostra tecnológica. Grandes sistemistas que tradicionalmente participam da feira decidiram não expor este ano. São 63 empresas participantes, 17 painéis e debates e 144 trabalhos técnicos inscritos. Em 2012, por exemplo, a mostra contava com 80 companhias expondo produtos e soluções.

Ainda assim, o evento mantém o prestígio e faz jus ao tema “Construindo a Mobilidade Inteligente nos Veículos do Futuro.” As empresas que decidiram participar da mostra mesmo diante das incertezas do mercado se empenharam para mostrar o que têm de mais recente e adequado ao Inovar-Auto. “O Brasil é um dos grandes players globais”, lembrou Daniel Hancock, presidente da SAE Internacional. A declaração do executivo parece traduzir a sensação de muitas companhias que participaram do evento e pensam em soluções para driblar a crise atual com a certeza de que o futuro do mercado brasileiro valerá o esforço.

Luiz Moan, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos, destacou no encontro o desejo de fazer com que a produção nacional alcance o mesmo patamar do mercado e que o Brasil se posicione entre os cinco maiores fabricantes de carros do mundo. “Queremos crescer no ranking de produção, Isso só se faz com engenharia local.”

O dirigente da entidade anunciou a expectativa de que a indústria automotiva invista de R$ 12 bilhões a R$ 13 bilhões em engenharia nos próximos anos. Ele também lembrou do potencial de crescimento da taxa de motorização no País: hoje são apenas 5,7 habitantes por veículo, número consideravelmente inferior ao de países desenvolvidos, que têm menos de 2 habitantes por carro.

O clima de superação foi reforçado por Paulo Butori, presidente do Sindipeças, entidade que representa a indústria de componentes. Com postura claramente diferente da que adota desde que o Inovar-Auto entrou em vigor, em janeiro de 2013, o executivo falou do programa em tom positivo. “Assisto hoje situação diferente dos últimos anos, quando importávamos muitos automóveis. O Inovar-Auto teve a qualidade de frear esse processo e as empresas começaram a trazer fábricas para o Brasil”, avaliou.

Ele apontou que este movimento fortalecerá a engenharia local e tende e melhorar a competitividade. “Há alguns anos, vi neste mesmo congresso o presidente de uma montadora dizer que a engenharia local tinha acabado. Hoje vejo grande oportunidade nesse segmento.” O tom mais suave de Butori é reflexo da regulamentação da rastreabilidade das autopeças, aspecto do novo regime automotivo essencial para a cadeia produtiva. A definição de como será feita a checagem de conteúdo local dos carros renovou a confiança do Sindipeças no programa do governo.

MOSTRA TECNOLÓGICA

A feira que acontece simultaneamente ao congresso também acompanhou o clima de aposta no futuro do mercado brasileiro. O principal indício disso foi dado pela Aisin, que aproveitou o evento para anunciar investimento na construção de nova fábrica no Brasil. A empresa aplicará R$ 140 milhões de um programa total de R$ 320 milhões no País para construir mais um prédio em seu complexo industrial em Itu (SP), onde já são produzidos componentes para carroceria. No novo galpão serão feitos componentes para motores, freios e trasmissões manuais.

Com os componentes, que usam tecnologia de fundição injetada de alumínio, a companhia pretende oferecer redução de peso e atender a demanda das empresas para alcançar as metas de eficiência energética do Inovar-Auto. O foco no programa do governo foi o principal apelo da maioria das empresas que participaram do evento.

A Magneti Marelli destacou em seu estande justamente a utilização de novos materiais nos componentes para diminuir o peso. Um exemplo de aplicação é em um Corpo de Borboleta, que cai de 700 gramas quando construído em alumínio, para 400 gramas com o uso de plásticos. Eduardo Campos, engenheiro da área de powertrain da companhia, aponta que o fornecimento da novidade está em negociação com as companhias, porém sem contratos fechados até então. A fabricante de componentes apresentou também o sistema de injeção direta GDI, que passa por desenvolvimento no Brasil para que possa ser utilizada também em motores flexíveis. “Estamos em estágio avançado, em um ano devemos começar a apresentar o sistema às montadoras já aplicado em um veículo”, projeta o especialista.

A Novelis, especializada em alumínio laminado, também participou da mostra. A companhia já fornece para a indústria automotiva, mas ainda não tem participação em peças estruturais. “Por enquanto nossos componentes estão em defletores de calor e radiadores, mas queremos aumentar a presença. É por isso que estamos aqui”, explica Gabriela Cassíola, da área comercial. A empresa avalia que há grande oportunidade de redução de peso com o uso de alumínio. Outro nicho interessante é o de fabricantes de veículos premium, que tradicionalmente utilizam mais o material e estão se instalando agora no Brasil.

Outro destaque da mostra que certamente ajudou a elevar a autoestima da engenharia brasileira é o Carina (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma), desenvolvido pela USP de São Carlos a partir de um Fiat Palio Weekend. O projeto tem a liderança do professor Denis Wolf e circula em testes de forma autônoma em velocidades até 40 quilômetros por hora. Além de exibir o modelo e explicar o seu funcionamento, a equipe fez pequena demonstração no evento, mas com a direção feita por um ocupante a partir de joystick para garantir a segurança, já que o pequeno percurso aconteceu dentro do pavilhão do evento.



Tags: Congresso SAE, Inovar-Auto, tecnologia, mercado.

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