Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
BMW, Renault e Nissan esperam incentivos para elétricos

Elétricos | 01/10/2014 | 21h30

BMW, Renault e Nissan esperam incentivos para elétricos

Montadoras defendem desoneração urgente para tecnologias mais modernas

SUELI REIS, AB

A redução do imposto de importação para veículos híbridos, de 35% para até zero, anunciada pelo governo há dez dias (leia aqui) decepcionou BMW, Renault e Nissan. Aguardando uma medida que contemplasse todas as tecnologias alternativas de propulsão, incluindo os carros 100% elétricos, a partir da proposta da Anfavea entregue ao governo em 2013, para viabilizar as vendas destes modelos no mercado brasileiro, as montadoras foram pegas de surpresa com a decisão:

“Infelizmente não trata das tecnologias mais modernas, com emissão zero, porque exclui os modelos plug-in”, lamenta Carlos Cortes, gerente sênior da BMWi, divisão responsável pela produção e venda de carros elétricos, durante o painel “Carro Elétrico: veículo do futuro ou presente?”, realizado no Congresso SAE Brasil, na quarta-feira, 1º, em São Paulo.

“Há de se reconhecer que é um primeiro passo: é louvável que haja essa valorização para a inovação. Por outro lado, decepcionou não entrar na desoneração”, desabafa Silvia Barcik, gerente de relações institucionais e governamentais para veículo elétrico da Renault.

Os representantes das montadoras que debateram sobre o presente e o futuro do carro elétrico no Congresso SAE concordaram que apesar da medida atual, o Brasil não ficará de fora do grupo de mercados que ofertam veículos com baixas emissões. “Toda nova tecnologia precisa de incentivo, até ganhar peso e participação suficientes para que possa caminhar com suas próprias pernas. E isso depende do poder público”, ressalta Silvia.

Cortes lembra que as montadoras, por meio da Anfavea, mantêm o diálogo com o governo, sobre a forma de viabilizar a entrada desses veículos no País: “Trabalhamos em conjunto para que saia o mais breve possível [desoneração para elétricos], porque a tecnologia está lançada”, diz, se referindo ao i3, o primeiro elétrico a ser vendido no País, que sem incentivo de importação, chega por R$ 225,9 mil (leia aqui).

Para Anderson Suzuki, gerente de veículos elétricos da Nissan, apesar de decisão atual do governo, a evolução do projeto de tornar viável e alavancar as vendas de híbridos plug-in e elétricos no Brasil dependerá do novo governo.

“As negociações devem permanecer após as eleições. De qualquer forma, acreditamos que estamos evoluindo para o plano original, de contemplar as demais tecnologias.”

BANDEIRA DO ELÉTRICO

BMW, Renault e Nissan são as montadoras na dianteira da causa do veículo elétrico no Brasil. Apesar de a BMW ser a primeira a vender um modelo deste tipo por aqui, a Renault é pioneira no desenvolvimento de parcerias para apresentar a tecnologia ao País. Desde 2006, mantém acordo com a usina hidrelétrica de Itaipu, para análise e testes de veículos elétricos. Há um ano, as duas empresas assinaram um acordo de montagem do modelo urbano Twizy (leia aqui), no sistema de SKD, o que será concretizado neste mês:

“Com o objetivo de estudar a mobilidade da área interna, iniciaremos este mês a montagem do Twizy na linha instalada nas dependências da usina. Serão 32 veículos de uso exclusivo interno – não serão vendidos – ,mas o projeto servirá para identificar componentes passíveis de nacionalização”, explica Marcos Massakiti, engenheiro da assessoria de Mobilidade Sustentável de Itaipu.

Segundo Massakiti, os estudos com uma frota elétrica também ajudarão a desmitificar a fama que ganhou o carro elétrico de “beberrão de energia”: em um estudo preliminar com seis modelos elétricos mostrou que a redução de emissões de CO2 chegou a 1.908 quilos, com mais de 8 mil horas de rodagem e 1,8 mil trechos de viagem, equivalentes a 15,2 mil quilômetros rodados. Foram necessárias 870 horas de recargas no total.

Em uma outra simulação da própria Itaipu, considerando que 100% da produção anual de 3,4 milhões de veículos no Brasil fosse de veículos 100% elétricos, o consumo de energia desses carros não ultrapassaria os 3,3% do total disponível para o País. Na hipótese de 10% da frota circulante ser de veículos elétricos – o que representaria um grande avanço – esse índice cairia para 0,33% do consumo total da energia elétrica no País.

“Portanto, o veículo elétrico não será um monstro de consumo. O chuveiro puxa de 3 a 4 vezes mais energia do que um carro na tomada. Ele não vai passar de um ‘ar-condicionado’ em termos de consumo”, alerta.



Tags: Congresso SAE, elétricos, engenharia, BMW, Renault, Nissan, Itaipu.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência