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Tecnologia salva resultado da Sabó no Brasil
Oricchio: “Nossos engenheiros têm de fazer diferente para ganhar dinheiro em momento difícil”

Autopeças | 02/10/2014 | 23h00

Tecnologia salva resultado da Sabó no Brasil

Juntas e retentores inovadores fazem as exportações crescerem

PEDRO KUTNEY, AB

No momento em que a queda nas vendas no mercado brasileiro causa a paralisação da produção da grande maioria dos fabricantes de veículos e seus fornecedores, a Sabó segue operando em três turnos na fábrica de Mogi Mirim (SP) e dois no bairro da Lapa, em São Paulo. A decisão estratégica de manter forte presença no exterior e investir em juntas e retentores com maior valor agregado está se pagando. “Agora as exportações ajudam muito a manter os negócios aqui”, admite Lourenço Oricchio, diretor geral da Sabó Américas.

As exportações devem alcançar US$ 40 milhões este ano, perto de 20% do faturamento da Sabó no Brasil, estimado em US$ 220 milhões. Deverão ser embarcados cerca de US$ 20 milhões em juntas e retentores para a China e outros US$ 20 milhões para os Estados Unidos. Além das vendas externas diretas do Brasil para o mundo, também entram no caixa receitas de subsidiárias no exterior, em torno de US$ 200 milhões (US$ 40 milhões na China, US$ 40 milhões dos Estados Unidos e o resto da Europa). No início deste ano a Sabó vendeu o controle dessas operações à chinesa Zhongding, mas ainda mantém participações acionárias de 20% a 50%, dependendo do negócio.

Não é só o dólar batendo na casa dos R$ 2,50 que ajuda a companhia a faturar mais reais com os negócios externos, mas também o investimento em produtos, qualidade e modernização das fábricas. A planta de Mogi Mirim recebe aportes de US$ 10 milhões e já ganhou 10 linhas novas, muito automatizadas, e mais três vão entrar em operação. “Com alta produtividade e novos produtos conseguimos ser mais competitivos”, explica Oricchio. “Só duas ou três empresas no mundo podem fazer 3 milhões de retentores por ano como nós”, completa.

O executivo cita o exemplo de uma nova junta de vedação de caixa de câmbio automático, onde foi empregada nanotecnologia para permitir a fusão na peça da borracha com o alumínio (dois materiais que normalmente não se juntam). Ford e General Motors compram o componente para usá-lo em suas transmissões de seis velocidades. Com esta e outras inovações, a Sabó foi incluída este ano como única empresa brasileira na lista dos melhores fornecedores da GM em todo o mundo.

MAIS VENDAS NO EXTERIOR

“Só a Ford está abrindo mais três fábricas na China e assim vamos aumentar nosso fornecimento para eles”, comemora. “Não mais do que duas empresas no mundo podem fornecer esse tipo de componente com alta tecnologia e em grande quantidade”, diz. Ele revela ainda que já estão em desenvolvimento juntas para caixas com mais marchas, uma tendência natural do mercado.

Outro desenvolvimento que promete boas vendas internas e externas é o retentor F-RED (de “friction reduction”), que substitui com vantagens as peças com elastômero ou termoplástico, pois apresenta atrito reduzido e baixa formação de resíduos. Além disso, custa de 5% a 10% menos. O F-RED já começou a ser fornecido para a fabricante de motores diesel Cummins nos Estados Unidos e no Brasil. Outro cliente na mira é a Fiat Chrysler, que poderá usar o componente no motor que vai equipar o Jeep Renegade, a ser fabricado na nova fábrica do grupo em Goiana, Pernambuco.

Apesar de ter vendido o controle das subsidiárias estrangeiras, Oricchio afirma que esses negócios têm alto poder de trazer mais receita à companhia, pois o crescimento esperado dessas operações com investimentos do novo controlador chinês fará o faturamento aumentar. Nos Estados Unidos, por exemplo, a projeção é de multiplicar por 10 as vendas em 10 anos, chegando a US$ 600 milhões. “Os chineses têm o dinheiro que nós não tínhamos para investir no crescimento dessas operações. Mas nossa participação minoritária, em um negócio maior, trará mais resultado, pois 20% de US$ 600 milhões é o dobro do que faturávamos com 100% das ações”, explica.

PERSPECTIVA NEGATIVA NO BRASIL

Para o mercado interno, no entanto, as perspectivas são bem menos alentadoras. Oricchio fica com a projeção do Sindipeças, que indica queda de 1% no PIB brasileiro em 2015 e de 2016 a 2020 crescimento tímido de 1% ao ano. “Paramos de crescer. Agora nossos engenheiros têm de fazer diferente para ganhar dinheiro. A única fórmula é continuar agregando valor aos produtos”, sustenta.

Outro foco está na eliminação de perdas no processo produtivo. “Nenhuma montadora paga por nossa incompetência. Temos de investir em melhoria constante dos processos para cortar os desperdícios”, defende.

A Sabó domina o mercado brasileiro de juntas e retentores, com participação da ordem de 80% nos fornecimento direto às montadoras e outros 80% na reposição (aftermarket).



Tags: Sabó, juntas, retentores, exportação, negócios, autopeças.

Comentários

  • João Roberto

    Essa participação de mercado nas montadoras é uma mentira deslavada, a Sabó perdeu muito mercado para seus concorrentes na última década.

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