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Mercedes-Benz vai parar em dezembro

Indústria | 10/10/2014 | 21h30

Mercedes-Benz vai parar em dezembro

Com mercado fraco, produção será paralisada até janeiro

PEDRO KUTNEY, AB

Ao mesmo tempo em que anunciou novos investimentos no Brasil (leia aqui), sem vislumbrar nenhuma reação nas vendas este ano, a Mercedes-Benz vai paralisar totalmente todas as suas áreas de produção em dezembro inteiro, com retorno ao trabalho previsto para os dias 6 ou 7 de janeiro. Será a primeira vez que as duas fábricas, São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG), ficam paradas por mais de um mês. “O mercado está em torno de 15% abaixo de 2013 e deverá terminar o ano assim. Nós ganhamos participação tanto em ônibus quanto em caminhões e nossas vendas domésticas caíram menos do que a média, nossa performance é bastante positiva, mas não suficiente para compensar a queda das exportações, que representam, perto de 20% da nossa produção”, explicou Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, em conversa com jornalistas chamados à sede da empresa em São Bernardo na sexta-feira, 9.

De janeiro a agosto os licenciamentos de caminhões novos em relação ao ano passado acumulam queda de quase 14% e os de ônibus recuaram 16,8%. A retração nas vendas de caminhões Mercedes-Benz foi bem menor, de 8,2%, e as de ônibus caíram na mesma proporção do mercado. As exportações brasileiras do segmento declinaram 23,5% e 28,3%, respectivamente, e as da Mercedes estão ainda piores, com tombo em torno de 50%. A previsão é que apenas 3 mil a 4 mil caminhões sejam exportados este ano e número parecido para chassis.

“Cerca de 90% de nossas vendas no exterior são para a Argentina e o país não consegue pagar suas contas. É uma situação muito preocupante, pois não há nenhum sinal de melhora no horizonte. Estamos tentando buscar outros mercados, temos negociações no Chile e Peru, mas não é suficiente para compensar. O câmbio está melhor do que antes, mesmo assim ainda longe do nível ideal”, analisa Schiemer.

As perspectivas para o mercado doméstico brasileiro também são pouco animadoras: “As contratações (simplificadas) do Finame/PSI terminam em 21 de novembro e ainda não há nenhuma definição sobre como será depois disso. De novo vamos perder dezembro inteiro de vendas”, disse o executivo, em relação à linha de financiamento do BNDES com juros subsidiados abaixo da inflação, que responde pela vasta maioria das compras de caminhões no País. “Nosso negócio precisa de previsibilidade e infelizmente isso nós não temos”, destacou.

A perspectiva da Mercedes-Benz para este ano é de produção de 35 mil caminhões e 15 mil chassis de ônibus. Schiemer avalia que o próximo ano não será muito melhor. Para ele, o vencedor do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, seja lá quem for, terá de fazer ajustes na economia. “Se acontecer algum crescimento, será só no último trimestre de 2015”, prevê.

Com a baixa na produção, dos 10 mil empregados de São Bernardo, 1,2 mil estão em layoff, com o contrato de trabalho suspenso até o fim de novembro. Em Juiz de Fora, que emprega 750 pessoas, 168 estão em layoff. Ainda não está definido o destino desses trabalhadores, mas Schiemer admite que se não houver uma retomada “medidas terão de ser tomadas”. Ele garante, no entanto, que só acontecerão demissões em último caso: “Não interessa demitir, são profissionais qualificados, investimos muito dinheiro neles”.

“Esperamos que o fundo do poço chegou. Estou otimista que os muitos projetos aconteçam mais rápido”, ponderou. Uma das esperanças é que o projeto de renovação da frota de caminhões finalmente saia do papel em 2015. Com cerca de 230 mil veículos com mais de 30 anos de uso, o programa teria potencial para girar de 20 mil a 30 mil unidades/ano. “Traria maior dinâmica ao mercado. Negócio gera negócio”, resumiu Schiemer.



Tags: Mercedes-Benz, indústria, caminhões, São Bernardo, Juiz de Fora, empregos, férias, layoff.

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