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Mercedes-AMG dobra vendas de alto valor
Tobias Moers no Salão do Automóvel de São Paulo, cercado de novos AMG

Leves | 04/11/2014 | 20h30

Mercedes-AMG dobra vendas de alto valor

Marca de performance avança tão rápido quanto seus motores

PEDRO KUTNEY, AB

Responsável por agregar ainda mais valor a uma das marcas que já está entre as mais valorizadas do mundo automobilístico, a AMG está avançando quase tão rápido quanto os carros de alta performance que produz com base em modelos da Mercedes. Os bólidos sobre rodas modelados em Affalterbach, Alemanha, com motores exclusivos de 360 a 630 cavalos, não são só um fenômeno de potência e desempenho, mas também um sucesso econômico. O que era só um pequeno nicho de mercado está rendendo bons resultados à Daimler com a expansão da linha Mercedes-AMG e duplicação das vendas de carros que podem custar o dobro do modelo-base – e portanto trazer lucro maior à companhia.

“Nossos resultados têm sido muito consistentes. O objetivo é ir bastante além das 40 mil unidades vendidas por ano”, disse Tobias Moers, presidente da Mercedes-AMG. Com a recente expansão da linha de produção de Affalterbach, o executivo espera poder atender à demanda mundial crescente pelos modelos AMG, que nos últimos quatro anos saltou de 20 mil para as 40 mil encomendas esperadas para este ano. Os mais vendidos da linha são os Classe A, C e CLS “convertidos” para o alto desempenho. “Temos crescido em quase todos os mercados, especialmente nos Estados Unidos, China e até na Alemanha, com avanços de dois dígitos porcentuais ao ano nesses países.” O país onde a marca tem maior participação nas vendas de automóveis Mercedes é na Austrália, com fatia de 10%.

A divisão só não vendia mais por falta de capacidade. No Brasil, por exemplo, serão vendidos cerca de 400 AMG este ano, algo em torno de 4% a 5% do total de automóveis Mercedes comprados no País. “Não vendemos mais porque não temos”, reforça Dimitris Psillakis, diretor da divisão de automóveis da Mercedes-Benz do Brasil. Com os investimentos recentes para aumentar a produção, a AMG espera por nova aceleração dos negócios nos próximos anos.

Fundada em 1967 por dois ex-funcionários da Daimler como uma oficina de preparação de carros Mercedes-Benz para corridas, a AMG só passou a ter parceria formal de em 1990, quando as concessionárias da marca começaram a vender os carros “envenenados” com a sigla da preparadora – que em suas três letras expressa os nomes dos dois fundadores Hans Werner Aufrecht e Erhard Melcher e sua cidade natal Grosspach. O primeiro desenvolvimento de produto em conjunto aconteceu em 1993, com o Classe C 36 AMG, e desde então essa relação foi se aprofundando. Com a compra da operação pela Daimler, em 2005, o selo AMG foi introduzido, pouco a pouco, em quase toda a linha de carros da fabricante alemã. O ápice desse processo pode ser notado hoje, com o uso da sigla em 13 modelos da Mercedes-Benz e 30 versões.

INDEPENDÊNCIA

Após “popularizar” a marca, a AMG começa a traçar caminho inverso e independente, em que desenvolve o carro primeiro, ao invés de se adaptar a modelos já desenvolvidos pela fábrica-mãe. É o caso do AMG GT lançado recentemente, que embora carregue a estrela de três pontas na dianteira, saiu das pranchetas dos quase 800 engenheiros que trabalham na divisão esportiva de Affalterbach, para substituir o SLS AMG. “O GT tem oferece conforto para o uso diário e se transforma em um carro de corrida com o simples toque de um botão. É o resultado do que melhor aprendemos nos últimos 10 anos”, afirma Tobias Moers.

O mais interessante é que, apesar de toda sua exclusividade, o GT custará cerca de € 97 mil na Europa sem impostos, mais barato do que o SLS de € 112,9 mil. Moers entende que, mesmo trabalhando com o segmento de consumidores de alta renda, também é preciso ser competitivo em preço. “Para cobrar o que cobramos e colocar nossa marca lá, é necessário provar por que e como.”

Ele garante, contudo, que não há intenção de separar as marcas. “O GT é um carro exclusivo com foco mais alinhado à esportividade, não uma nova marca. A AMG é e continuará sendo a marca de alta performance da Mercedes”, enfatizou o executivo. “Mas é uma nova era, que mostra a evolução da AMG e sua capacidade de desenvolvimento”, acrescenta.

Para o executivo, a estratégia de criar modelos próprios e continuar a adaptar carros da linha Mercedes não corre o risco de repetir o fracasso da Maybach, que também pertence ao Grupo Daimler e fechou em 2013, após tentar ser uma marca independente de sedãs de alto luxo, do mesmo nível dos Rolls-Royce e Bentley. “Temos tradição de 47 anos de atividade, mas sempre como associada da Mercedes”, pondera.

Em visita ao Salão do Automóvel de São Paulo, em sua primeira vez no País, Moers avalia que também no Brasil a AMG tem espaço para crescer. “Estou muito feliz com os números brasileiros. Os consumidores aqui têm grande admiração pela marca e devemos expandir as vendas.”

Mercedes-AMG

Em seu estande no Anhembi, a Mercedes lançou dois modelos da mais nova safra da AMG, incluindo GT S, versão topo de linha com motor V8 biturbo de 4 litros e 510 cavalos, ainda sem preço definido para o Brasil (deve girar em torno de R$ 1 milhão). Também está sendo lançado no Salão de São Paulo o belo S 63 Coupé, com motorização 5.5 V8 biturbo de 585 cv, previsto para chegar em março por US$ 350 mil.



Tags: Mercedes-Benz, Daimler, Mercedes-AMG, AMG, performance, luxo.

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