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Volkswagen é a maior perdedora de 2014

Mercado | 07/01/2015 | 19h00

Volkswagen é a maior perdedora de 2014

GM ganha a vice-liderança e quatro grandes cedem mais terreno

PEDRO KUTNEY, AB

A retração de vendas em 2014 foi bem pior para as tradicionais quatro líderes do mercado brasileiro. Juntas, Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford perderam 2,6 pontos porcentuais de participação de um ano para outro, todas elas registraram resultados negativos acima da queda média de 7%, mas ainda dominaram 64,9% dos emplacamentos de janeiro a dezembro. A maior perdedora do ano foi a Volkswagen, que apurou recuo de 13,5% nos licenciamentos, o pior desempenho porcentual no ranking das 10 marcas mais vendidas, com pouco mais de 90 mil carros a menos em comparação com 2013.

Kombi e Gol G4, que deixaram de ser produzidos no fim de 2013, fizeram falta à VW, que não conseguiu compensar as ausências com diversos lançamentos, incluindo os novos Fox, Saveiro e o Up!, o principal deles em 2014, que terminou apenas como 16º carro mais vendido do País. Muito caro para seu tamanho, o modelo não consegiu garantir maiores volumes de vendas. Para piorar, sem a ajuda do G4, o Gol perdeu para o Fiat Palio a liderança de mercado que já durava mais de duas décadas (leia aqui).

A performance decepcionante da Volkswagen causou uma reviravolta no topo do ranking. A marca alemã registrou a maior perda de mercado de 2014, de 1,32 ponto porcentual, baixando sua participação para 17,32%. Com isso, caiu para o terceiro lugar e foi ultrapassada por 2 mil unidades vendidas a mais pela GM, que mesmo sem nenhum lançamento de peso no ano, conseguiu manter as boas vendas do Onix, atualmente o carro mais vendido no varejo, direto ao consumidor, sem incluir os negócios com frotistas, como locadoras. A GM também teve desempenho negativo, de 10,9%, o segundo pior das 10 mais e três pontos acima da queda média do mercado, mas o declínio foi menor que o da VW e garantiu a vice-liderança, fechando o ano com market share de 17,39%, ainda que 0,78 ponto abaixo do porcentual de 2013.

Assim como as outras três marcas líderes, a Fiat teve desempenho negativo pior que o do mercado, com queda de 8,5% nas vendas em relação a 2013, mas conseguiu manter sua liderança de mercado pelo 13º ano. A perda de 0,36 ponto porcentual de participação não impediu que a marca italiana fechasse o ano com domínio das vendas de quase 21%, a única que ainda obteve fatia superior a 20%.

A Ford não foi incomodada em sua já tradicional quarta posição do ranking. Suas vendas em 2014 caíram 8%, quase em linha com o resto do mercado. A nova geração da família Ka teve bom desempenho, mas só chegou completa às concessionárias mais para o fim do ano. Mesmo assim, o portfólio conseguiu sustentar a marca, que entre janeiro de dezembro obteve participação de 9,26% nas vendas nacionais, quase igual ao porcentual de 2013, apenas 0,11 ponto abaixo.

Outra boa briga de 2014 foi protagonizada no meio do ranking por Renault e Hyundai, que disputaram quase que por todo o ano a quinta colocação entre as marcas mais vendidas no Brasil. No fim, e por apenas 63 unidades à frente, a Renault levou a melhor e, no último mês no ano, conseguiu assegurar sua posição, apurando crescimento das vendas de 0,36% e participação de 7,13%, porcentual 0,52 ponto maior que o de 2013, graças especialmente à renovação do Sandero e ao já renovado Logan.

Enquanto isso, mesmo sem nenhum lançamento no ano, a Hyundai continua a surfar no sucesso do HB20 e foi a marca que mais cresceu em 2014, com avanço de 11,4% sobre 2013. A participação de 7,12% garantiu o sexto lugar e também registrou a maior expansão do ano, de 1,17 ponto porcentual.

A metade de baixo do ranking brasileiro está povoado por marcas japonesas e a primeira delas, na sétima posição, é a Toyota, que em 2014 obteve a segunda maior expansão de vendas do mercado, de quase 11%. A renovação do Corolla garantiu a liderança no mercado de sedãs médios e o compacto Etios, apesar de pouco viçoso, conquistou boa reputação mecânica e mantém a marca inserida na maior porção do mercado. Com essa combinação, a Toyota conseguiu quase um ponto porcentual a mais de participação em comparação com 2013 e fechou o exercício com share de 5,87%.

Logo a seguir, na oitava posição, vem a Honda. A renovação recente de seus produtos mais vendidos, Fit e City, impediu retração maior e as vendas encolheram apenas 1%. Ainda assim, a marca obteve ligeiro ganho de 0,25 ponto em sua participação de mercado, que subiu para 4,14% ao fim de 2014.

A terceira japonesa do ranking é a Nissan, que inaugurou sua fábrica brasileira no ano passado e ainda passa por momento de lenta ascensão de vendas. O lançamento do novo March nacional só ocorreu em abril e o Versa só chega este ano ao mercado. Com isso, os emplacamentos da marca caíram exatamente em linha com o rsto de mercado (7%) e o market share ficou estacionado em 2,17%, mantendo a Nissan na nona posição.

Para a décima colocação ascendeu outra japonesa, a Mitsubishi, que em 2014 registrou leve crescimento das vendas de 1,9% e assim subiu uma posição na lista, com ganho de 0,15 ponto de participação, para 1,8%.

Um destaque negativo do ranking em 2014 é a contínua queda livre das duas marcas do Grupo PSA, em crise na matriz e sem poder de ajudar a filial brasileira, que sofre com a ausência de novos produtos. A Citroën deixou a lista das 10 mais vendidas e caiu para a 11ª posição em 2014, com recuo de 18,6% nas vendas em relação a 2013 e perda de 0,23 ponto em sua participação, que fechou o ano em 1,6%. A Peugeot teve desempenho ainda pior, com retração de 29,5% nos emplacamentos e participação 0,39 ponto menor, de apenas 1,2%. Até há dois anos, Peugeot e Citroën mantinham a PSA como quinta maior fabricante do País, com cerca de 5% de market share quando somadas, mas hoje as duas nem sequer têm 3% do mercado brasileiro.

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Tags: Mercado, ranking, vendas, marcas.

Comentários

  • Luciano

    A VW pode ser tradicional, pode ter um ótimo custo/beneficio nos seus carros, mas é mais uma das lições do mercado a ela. É preciso inovar, é preciso melhorar o conforto dos seus carros, é preciso mais qualidade nos produtos internos dos veículos e acessórios. Nos últimos anos, a VW tem aplicado preços muito altos nos seus carros, carros estes muitas vezes "pelados" como diz por ai. Pois para deixar o carro do jeito desejado nem pensar, porque é um furo do orçamento de muitas familias. O fato é que a VW não tem mais "os carros do povo".

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