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Conjuntura | 03/03/2015 | 16h52

Carros populares ainda dominarão cenário mundial por 10 anos

KPMG apresenta expectativas da indústria automotiva em pesquisa global

REDAÇÃO AB

Montadoras tradicionais que focam em carros populares continuarão a liderar o cenário mundial por pelo menos dez anos, é o que mostra a Pesquisa Global do Setor Automotivo, realizada anualmente pela KPMG com 200 executivos da indústria. Segundo o levantamento, 34% dos entrevistados disseram que empresas fabricantes de veículos premium têm chance de chegar ao topo após 2025, enquanto 32% relataram que as fabricantes do mercado tradicional têm chance de prevalecer na liderança. Marcas e submarcas fabricantes de carros elétricos foram lembradas por 13%.

Entre os entrevistados, 47% são dos mercados considerados maduros: América do Norte, parte da Europa, Japão e Coreia do Sul; 38% dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e 16% de outros mercados relevantes, como Argentina, Colômbia, Austrália, Egito, África do Sul, República Tcheca, Hungria, Polônia, Romênia, Turquia, Tailândia e Indonésia.

Sobre as empresas que mais deverão ganhar mercado na próxima década, a maioria dos executivos, 78%, elegeu a Hyundai/Kia, seguida pelo Grupo Volkswagen, com 75%. O grupo liderado pela marca alemã deve ultrapassar a Toyota no ranking global de veículos ainda em 2016, aponta o estudo, que prevê um cenário com a Aliança Renault-Nissan segurando a terceira posição desde 2014, quando a General Motors caiu para a quarta colocação. Por sua vez, o Grupo Hyundai, que agrega Kia, continuará entre as cinco maiores, ultrapassando Ford, Fiat Chrysler, Honda, Grupo PSA Peugeot Citroën e Suzuki.

EM XEQUE: PREFERÊNCIAS, TECNOLOGIAS E PARCERIAS

Os executivos acreditam que ao longo dos próximos cinco anos a compra de um carro ainda não será movida por conceitos inovadores ou por causa de serviços relacionados com a internet. Eles apontam consumidores ainda fixados sobre questões tradicionais do produto, como eficiência de combustível, que aparece como fator número um, seguido por segurança e conforto.

“O setor automotivo está sentindo a pressão de ambas as direções: de um lado, normas regulatórias cada vez mais restritas no mundo inteiro exigem um grande foco na melhora de tecnologias tradicionais do conjunto propulsor (powertrain) e altos investimentos em conjuntos motrizes (drive trains) alternativos. Do outro lado, consumidores cada vez mais familiarizados com a tecnologia fomentam uma cultura completamente nova na qual eles não somente esperam, mas exigem serviços inovadores”, afirma o sócio da KPMG e líder para o setor automotivo, Charles Krieck.

Acerca de prioridades em tecnologias, o downsizing ainda é apontado como a principal área de investimento do powertrain até 2020. No entanto, desde a pesquisa de 2014, os executivos dos mercados mais maduros tornaram-se relativamente menos focados nesta área do que os seus homólogos nos BRIC. A prioridade número dois de investimento para ambos é em veículos de célula de combustível em substituição à tecnologia da bateria elétrica.

Mais da metade dos executivos acredita que é improvável uma ruptura radical quando questionados sobre modelos de negócios nos próximos cinco anos. De acordo com a pesquisa, esse cenário conservador inclui expectativas de domínio de mercado, com 75% dos participantes prevendo que as montadoras tradicionais continuarão a dominar no quesito relacionamento com o cliente pelo menos até 2020.

Para o diretor de relacionamento da KPMG com a indústria, Ricardo Bacellar, as marcas tradicionais podem começar a lidar com novos concorrentes, uma vez que as empresas de tecnologia e comunicação agora são consideradas de igual importância no quesito mobilidade: “Esse realmente será o próximo grande passo que eles deverão dar para ter certeza de que possuem um modelo de negócio atualizado, que seja capaz de enxergar a vida de seus consumidores de uma forma mais abrangente, encarando-os não apenas como motoristas, mas promovendo um relacionamento mais aprofundado com eles, visando ampliar o nível de fidelidade”.

O crescimento orgânico (sem associações ou fusões) é apontado por pouco mais de 60% dos executivos como a principal estratégia de crescimento de uma marca, enquanto a expansão da cadeia de valor e a diversificação aparecem com 54%. A cooperação com os players de setores convergentes teve melhor colocação ficando à frente das parcerias com outras montadoras, 49% contra 45%, respectivamente, refletindo a crescente importância da tecnologia no futuro da indústria.

Entretanto, o estudo mostra que, para sobreviverem, as montadoras com presença global seguirão sua trajetória por conta própria em vez de estabelecer parcerias com outras fabricantes. Por outro lado, nos mercados emergentes as empresas são mais propensas a optar por alianças, com o objetivo de atingir o volume necessário para competir de forma efetiva com as grandes marcas.

“O crescimento orgânico por si só não atenderá às necessidades da cultura de mobilidade do futuro e as montadoras precisarão encurtar os ciclos de inovação para oferecer novos produtos”, analisa Krieck.

Para ver o relatório completo da KPMG (em inglês), clique aqui.



Tags: KPMG, pesquisa, montadoras, indústria automotiva.

Comentários

  • Julian Cassimiro

    Queda de 27% nas vendas de fevereiro, Aumento do IPI, SELIC, Lava-jato, Seca, racionamento... imagens do presente que refletem o passado. Uma nova onda está sendo formada e os surfistas precisam preparar novas pranchas, não simplesmente adaptá-las. A onda (Monadoras) sempre vai existir, o surfista (consumidor) sempre vai existir, mas as características de cada um vão ser incrementadas com doses de Tecnologia da Informação. Pessoalmente não vejo a hora de sair da tríade sufista+prancha+ondas (lê-se Cliente+produto+Montadora) há de haver algo mais divertido que uma simples prancha. O estudo da KPMG nos dá uma boa visão de horizonte. Parabéns pela análise, parabéns KPMG.

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