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Indústria | 10/03/2015 | 17h15

Audi prevê mercado premium de 150 mil/ano no Brasil

Evolução do segmento no País até 2020 compensará pequena fatia atual

GIOVANNA RIATO | De Ingolstadt (Alemanha)

O retorno da Audi como fabricante no Brasil vai tirar proveito do grande potencial de expansão das vendas do segmento premium no mercado nacional. Durante a conferência anual da montadora em Ingolstadt, Alemanha, Martin Sander, vice-presidente da companhia para as Américas, acredita que a demanda dos brasileiros por automóveis de luxo pode chegar a 150 mil unidades por ano em 2020.

Para o executivo, a categoria avança com certa independência da instabilidade econômica que o País enfrenta. Um indício desse movimento foi o resultado da marca no Brasil em 2014, com expansão de 86,6% nas vendas, para 12,2 mil unidades, mesmo diante da retração de 7,1% das vendas totais.

Sander avalia que, até então, o segmento premium era subdesenvolvido no País. “Enquanto no Brasil a categoria não responde nem por 2% das vendas, na Alemanha a participação é de 20%”, analisa. Segundo ele, o porcentual nacional também é significativamente inferior ao registrado em outros países emergentes, como Rússia e China.

“Não vejo razão para essa presença ser tão pequena. O País tem estrutura para sustentar o crescimento desse segmento.” O vice-presidente entende que há demanda reprimida por esse tipo de modelo e por isso o panorama para os próximos anos é de evolução acelerada das vendas.

Para Sander, a expansão justifica o início da operação das fábricas de marcas de luxo no País. A Audi deve começar a trabalhar em sua linha de montagem brasileira, em São José dos Pinhais (PR), entre setembro e outubro deste ano. O primeiro carro a sair da planta, compartilhada com a Volkswagen, será o A3 sedã. No próximo ano começa a ser feito ali o Q3. Além de retomar a produção local, a empresa aumentará a cobertura da rede de concessionárias, que deve chegar a 50 casas até o fim do ano e a 67 em 2017.

PRODUÇÃO LOCAL NECESSÁRIA

A nacionalização de alguns modelos da marca acompanha o movimento das concorrentes do segmento. A BMW começou a fabricar automóveis em Araquari (SC) em 2014. Já a Mercedes-Benz trabalha na construção de planta em Iracemápolis (SP), que deve iniciar as atividades em 2016. No mesmo ano a Jaguar Land Rover dará início à produção em Itatiaia (RJ). “Temos ainda vantagem competitiva de ter sinergias na operação local com a Volkswagen”, afirma Sander, que espera alcançar em 2020 a capacidade máxima da planta, de 26 mil carros por ano.

O vice-presidente aponta que o Inovar-Auto, política industrial que impõe aumento do IPI para veículos importados de fora do Mercosul e do México, estimulou a decisão de produzir no Brasil. Ele garante, no entanto, que este não foi o único motivo. “A fábrica seria necessária de qualquer jeito. É importante ter engenharia e produção perto do mercado e dos clientes.”

O executivo admite que os preços dos carros feitos localmente não ficarão mais baixos, já que a decisão sobre a tabela depende da posição estratégica da marca no Brasil. Além disso, os modelos brasileiros da Audi não devem ter defasagem tecnológica ou diferença de qualidade na comparação com os fabricados em outros países. Ainda que os preços se mantenham no patamar atual, a empresa pretende alcançar a liderança nacional nas vendas de carros premium, posição ocupada hoje pela BMW.

A evolução recente do desempenho da companhia no Brasil mostra que este não é um objetivo tão distante. Em 2013 a Audi ocupava a quarta posição no segmento de luxo, atrás de BMW, Mercedes-Benz e Land Rover. Em 2014 a companhia já avançou para a segunda colocação. Este ano a marca alcançou a liderança da categoria em fevereiro. “Não sei se fecharemos o ano assim, mas isso não é o mais importante. Temos a base para um negócio de sucesso no Brasil”, ressalta Sander.



Tags: Audi, Martin Sander, premium, BMW, Mercedes-Benz, Land Rover.

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