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Setor de caminhões se mantém otimista apesar do tombo

Comerciais | 06/04/2015 | 18h37

Setor de caminhões se mantém otimista apesar do tombo

Mesmo em ano difícil, crescimento será gradativo, apontam fabricantes

RODRIGO LARA, PARA AB

O ano de 2015 está difícil, mas o período de quedas já passou. Esse foi praticamente um consenso entre os executivos das principais fabricantes de caminhões que participaram do VI Fórum da Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 6, em São Paulo.

Participaram do painel “Pesados: A Volta do Crescimento” Antonio Baltar, gerente de marketing e vendas da Ford Caminhões; Bernardo Fedalto, diretor de vendas de caminhões da Volvo do Brasil; Marco Borba, vice-presidente da Iveco Latin America; Mathias Carlbaum, diretor geral de operações da Scania Brasil; Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America; e Roberto Leoncini, vice-presidente de marketing, vendas e pós-vendas de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.

Após um ano de retomada em 2013 (154,5 mil unidades), o segmento de caminhões enfrentou uma queda considerável nas vendas em 2014 (137 mil unidades), número que tende a piorar em 2015 (94 mil unidades, segundo previsão da Carcon Automotive). “O que vemos é que há uma crise de confiança na economia em geral. Os clientes estão adiando suas compras”, disse Antonio Baltar, da Ford.

Além da conjuntura econômica desfavorável, a falta de demanda para o setor também gera impactos nas vendas. “Quem precisava renovar ou ampliar sua frota já fez isso nos últimos anos, o que faz com que estejamos em um momento de acomodação do mercado”, afirmou Marco Borba, da Iveco. Ainda assim, a fabricante se encontra em um ciclo pesado de investimentos, que contempla R$ 650 milhões a serem gastos na área de pesquisa e desenvolvimento e principalmente na nacionalização de produtos.

De acordo com pesquisa da Carcon Automotive, 44% dos potenciais compradores de caminhões adiaram a aquisição pela situação econômica e 23% em decorrência da baixa demanda do momento, o que corrobora com a tese de Borba.

RELACIONAMENTO COM CLIENTES É FUNDAMENTAL

Líder de mercado em 2014, a MAN já previa uma retração desde o ano passado. “Com a Copa do Mundo e as eleições, já imaginávamos que 2014 seria um ano difícil, mas acabou sendo um pouco mais. O que fugiu um pouco do previsto foi a retomada do mercado, que está demorando para ocorrer.

Nesse ritmo, o resultado de 2015 tende a ser ainda pior, uma vez que já estamos em abril e cada vez há menos meses para recuperar o prejuízo no ano”, lamentou Ricardo Alouche, da MAN.

Os executivos presentes foram unânimes ao dizer que o momento não é propício para se brigar por participação no mercado. Em 2014, a líder no segmento de caminhões foi a MAN, com 26,4% de participação. A marca foi seguida por Mercedes-Benz (25,9%), Volvo (14,4%), Ford (14,3%), Scania (10,3%) e Iveco (6,4%).

Mesmo que essa não seja a preocupação do momento, a principal estratégia das marcas para manter suas posições ou avançar nessa disputa diz respeito ao relacionamento com os clientes. “Market share é reconhecimento e passa por entender o que o cliente precisa e ajudá-lo a ser mais produtivo e faturar mais. Ao fazermos isso, ampliar nossa participação é uma consequência”, afirma Roberto Leoncini, da Mercedes-Benz.

RECUPERAÇÃO PASSA POR FINANCIAMENTO E RENOVAÇÃO DA FROTA

Outro fator que impacta o setor é a mudança das regras do Finame PSI, a linha de crédito do BNDES responsável por financiar até 80% das compras de ônibus e caminhões no país. No fim do ano passado, o governo anunciou mudanças nas regras da concessão de crédito, a começar pela impossibilidade de se financiar 100% do bem adquirido. Agora, pequenas e médias empresas precisam dar uma entrada de 30%, valor que sobe para 50% no caso de empresas grandes. Os juros também aumentaram, chegando a 10% no caso de empresas de grande porte.

Houve consenso entre os executivos de que o PSI ajudou a indústria a implantar novas tecnologias, como os motores Euro 5, sem que isso gerasse grande impacto nas vendas. Contudo, as mudanças na regra ajudaram a piorar um cenário que já não era favorável.

Entre as soluções discutidas durante o painel está o programa de renovação da frota, que também ajudaria a tirar caminhões muito velhos, poluentes e inseguros das ruas. Essa medida, aliada à ampliação da oferta de crédito, poderia ajudar a diminuir os efeitos da crise, concordam os executivos.

NOVOS DESAFIOS

Apesar do mau momento – que gera desafios às fabricantes no que diz respeito às vendas e a manutenção de seus funcionários –, os investimentos no País estão mantidos, o que mostra que há, sim, otimismo para o médio prazo. A MAN se encontra em um ciclo de investimentos de R$ 1 bilhão, iniciado em 2012 e com término previsto para 2016. A Mercedes-Benz também está na mesma situação, com R$ 730 milhões sendo gastos entre 2014 e 2015. Volvo - US$ 500 milhões entre 2013 e 2015 - e Scania - R$ 100 milhões anualmente - também apostam no País.

Superar as dificuldades geradas pelas baixas vendas, entretanto, é apenas um dos desafios para as fabricantes instaladas no Brasil, enquanto a expectativa é que o mercado brasileiro ganhe novos concorrentes em breve. Entre as empresas que já iniciaram suas operações e as que estão por vir, estão a DAF, a Foton Aumark, a Metro-Shacman e a Sinotruk: juntas, seus investimentos passam de R$ 1 bilhão.



Tags: Fórum da Indústria Automobilística, caminhões, mercado, MAN, Mercedes-Benz, Ford, Volvo, Scania, Iveco.

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