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Tecnologia | 07/05/2015 | 18h26

Integração entre carros e celulares traz desafios

Rivalidade entre Google e Apple poderá afetar vendas de veículos

FERNANDO CALMON, PARA AB

Conectividade é a palavra mais ouvida ultimamente sempre que se fala de automóvel. E os telefones inteligentes que representam dois terços de todas as vendas atuais de celulares no Brasil já se integram à nossa vida dentro e fora de um veículo. Aqui o Android do Google tem situação de amplo domínio sobre o IOS/iPhone da Apple, pois o primeiro é um sistema operacional aberto e, na prática, opção dominante para quem não pode pagar muito por um telefone. Mas, em países de alto poder aquisitivo essa luta entre os dois super-rivais é mais equilibrada, especialmente em nações da Europa e nos EUA.

No passado, a indústria automobilística vendia carros baseada em fatores diversos como liberdade, charme, velocidade, preço, praticidade e conveniência. Mas para um número crescente de jovens compradores que chegam ao mercado os fatores fundamentais tendem a se focar em custo do financiamento e conectividade.

Segundo a empresa britânica Glass’s, consultoria que publica desde 1933 tabelas de preços de veículos usados, a preferência pessoal por iPhone ou telefones com Android podem em futuro breve ditar a escolha de um automóvel no caso de clientes mais jovens. Telefones inteligentes e tabletes são indissociáveis de seu estilo de vida, embora a Glass’s reconheça que esse fator não tem o mesmo efeito entre as pessoas mais velhas.

Fabricantes de veículos trabalham em uma nova onda de sistemas de conectividade em que as funções de um telefone inteligente são replicadas nas telas multimídias cada vez mais presentes. Oferecem, além de apenas chamadas de voz, mapas com rotas alternativas em tempo real, comandos verbais, atualização de aplicativos e tela rolável com a ponta dos dedos.

As alternativas mais populares são Car Play, da Apple e Android Auto, da Google. Esses dois sistemas, no entanto, são incompatíveis e isto pode se tornar um problema.

Segundo Rupert Pontin, executivo da Glass’s, “se uma marca optar por Android conseguiria vender seus modelos para usuários fieis de Apple? Seria indiferente para compradores de meia-idade em diante, mas para pessoas a partir de 16 anos (em alguns países) até a faixa dos 25 anos pode se transformar em fator ponderável de escolha”.

Ele diz, ainda, que seria admissível prever uma situação em que o tipo de sistema operacional de bordo em um carro teria efeito direto sobre o seu preço no mercado de usados.

“São decisões difíceis que os produtores de veículos deverão tomar nos próximos anos. Apostar no ‘cavalo errado’ nessa corrida pode significar oferecer modelos menos atraentes para um grupo crescente de clientes, sem desprezar o impacto potencial de desvalorização nos anos seguintes”, acrescenta Pontin.

Uma solução seria fabricantes de carros e dispositivos móveis trabalharem em conjunto visando a encontrar algum meio de compatibilidade entre os sistemas operacionais. Pelo que sabe hoje é muito difícil um acordo entre os gigantes da informática que inclui, ainda, a Microsoft com sua capacidade tecnológica e financeira, embora de fraca presença no setor de telefones.

Se isso não acontecer, há possibilidade de prejuízos tanto para as fábricas quanto para seus clientes em prazo mais curto do que se imagina.



Tags: celular, carro, conectividade, Apple, Google.

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