Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Crédito | 19/08/2015 | 17h28

Banco do Brasil assina protocolo de apoio ao setor automotivo

Empresas da cadeia produtiva terão acesso a crédito mais barato

GIOVANNA RIATO, AB

O Banco do Brasil (BB) é mais uma instituição financeira a anunciar apoio ao setor automotivo. Na quarta-feira, 19, o banco firmou acordo com Anfavea, Fenabrave e Sindipeças, justamente como fez a Caixa (leia aqui). A parceria prevê a liberação de R$ 3,1 bilhões até o fim de 2015 para pequenas e médias empresas da cadeia de suprimentos, do tier 2 em diante.

Muitas dessas companhias têm dificuldade de acessar crédito e obter financiamento. A ideia é que as encomendas das montadoras e de sistemistas sirvam de garantia adicional para que o banco conceda o empréstimo com melhores condições: taxas menores e prazos mais longos. Dessa forma, o mecanismo funcionaria com uma antecipação do faturamento para os elos da cadeia produtiva.

“O envolvimento de todas as entidades é essencial para abreviar o momento difícil do mercado. Será possível reduzir o custo do crédito porque as montadoras e sistemistas serão espécie de fiadoras destes empréstimos”, detalhou Luiz Moan, presidente da Anfavea. As grandes companhias, clientes das pequenas e médias fabricantes de autopeças, vão emprestar a boa avaliação de risco, a reputação, àquelas fabricantes que, por si só, não seriam clientes tão interessantes para as instituições financeiras.

Paulo Butori, presidente do Sindipeças, acredita que a iniciativa não é capaz de reverter o difícil cenário enfrentado pelas empresas de autopeças. Para ele, no entanto, a medida é uma ajuda importante, mais uma ferramenta para que as fabricantes de componentes busquem a saída da crise em que o setor automotivo entrou. “Isso faz com que as grandes companhias, de certa forma, se responsabilizem pelo crédito recebido pelas menores, facilitando o acesso”, avalia. “As fabricantes de autopeças podem ir ao banco com o pedido de compra das sistemistas para buscar financiamento.”

Na primeira etapa, há 26 cadastradas no programa, o que o Banco do Brasil chama de empresas-âncora. Elas serão responsáveis por ceder a boa reputação aos fornecedores interessados em buscar crédito. O BB não divulgou o nome das companhias, mas Butori conta que a maior parte da lista é composta por sistemistas e não por montadoras. “São essas empresas que têm relação mais direta com fornecedores dos tiers 2 e 3.”

ESTEIRA AGRO BB

Outra iniciativa integra o acordo entre as entidades do setor automotivo e o Banco do Brasil, a Esteira Agro BB, voltada à compra de máquinas, equipamentos agrícolas e caminhões. O programa permite que revendas e concessionárias possam acolher, gerir e acompanhar pela internet as propostas de financiamento dos bens vendidos. Até o fim de 2015 a instituição quer cadastrar mil revendas, por enquanto 200 lojas e concessionárias estão preparadas para operar no modelo.

A nova solução garante redução importante no prazo de liberação dos financiamentos: de 67 para apenas 14 dias. Dessa forma, o cliente tem acesso mais rápido à nova máquina ou veículo que será usado no seu negócio. “Isso é importante porque facilita o investimento em bens produtivos”, enfatiza Moan, indicando que este é o melhor caminho para a recuperação da economia.

SETOR FINANCEIRO

O movimento dos bancos públicos para amenizar a crise de vendas de veículos pretende estimular ações semelhantes nas instituições privadas. “Nesse momento desafiador a concessão de crédito fica mais complexa. Se o banco se retrai tende a agravar o problema. Se o banco mantém o ritmo de concessões pode arriscar seu capital. Criamos estratégia intermediária”, esclarece Alexandre Abreu, presidente do Banco do Brasil. “Irrigar liquidez faz a confiança entre as partes da cadeia produtiva aumentar”, complementa Walter Malieni Júnior, vice-presidente de gestão de riscos.

Abreu conta que a ideia é estimular o setor produtivo. Ainda assim, o executivo garante que as taxas são baseadas em valores de mercado, competitivos, sem qualquer subsídio. “É um bom negócio para o banco, que amplia a escala, mas continua com o risco baixo. Como empresa, é uma estratégia lucrativa para nós. Por isso os bancos privados também devem anunciar iniciativas semelhantes”, acredita.

O presidente admite que o BB estuda meios para estimular a demanda, com melhores condições para o financiamento de automóveis. Por enquanto a instituição oferece apenas suas linhas tradicionais. Encontrar nova solução será tarefa árdua porque não há expectativa de que sejam anunciados subsídios do governo, que trabalha justamente no ajuste fiscal com o propósito de conter gastos.



Tags: Banco do Brasil, parceria, crédito, financiamento, Anfavea, Sindipeças, Fenabrave.

Comentários

  • Edmo Medeiros

    Lamentavelmente, as lideranças do setor perderam a criatividade para se reinventar e, tornarem seus negócios sustentáveis. A única atitude é a boa e velha pressão sobre o ineficiente e desmoralizado poder público. O que vemos agora, é "mais do mesmo". E o pior, os favorecidos serão os "mesmos". Até quando??

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência