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Montadoras repensam veículos como produto para novas gerações
A partir da esquerda: Rogério Villaça (Jeep), Roberto Braun (Toyota), Maurício Muramoto (moderador), Lupercio Tomaz (USP) e Dirlei Dias (Mercedes-Benz)

Tecnologia | 26/08/2015 | 16h34

Montadoras repensam veículos como produto para novas gerações

Tendências apontam para carros cada vez mais conectados e serviços customizados

SUELI REIS, AB

O automóvel por si só não é a solução para as novas realidades da mobilidade urbana, concordaram os participantes do painel Choque de Realidade: o que se espera do veículo como produto, realizado na quarta-feira, 26, no segundo e último dia da 23ª edição do Simea, Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, que tem como tema central a Tecnologia e Conectividade Melhorando a Mobilidade, promovido pela AEA, Associação da Engenharia Automotiva, no WTC, em São Paulo.

O ponto de partida do debate foi o resultado de uma pesquisa feita pela USP em parceria com o Simea apresentada pelo jornalista Lupercio Tomaz e que revelou a mudança de comportamento da atual geração jovem e sua relação com o automóvel. O estudo mostra uma nova realidade: que o carro está ficando para trás na lista de prioridades de jovens entre 18 e 23 anos, faixa etária dos 400 entrevistados na pesquisa. Viagens e experiências internacionais, como intercâmbios, estão tomando o lugar do veículo, que em gerações anteriores, era o maior objeto de desejo da juventude.

A megatendência de mudança comportamental foi apontada durante o painel como fator deflagrador para repensar o carro como produto para as próximas gerações. Para Rogério Villaça, diretor de brand da Jeep, o desafio será transformar o veículo em objeto que sirva as diferentes necessidades, não essencialmente como um bem a possuir, mas soluções que o torne mais acessível. Ele cita o compartilhamento de veículos como exemplo, uma vez que alto custo foi apontado pelos jovens como um dos fatores que mais pesa na hora de decidir pela compra ou não de um veículo. “Além disso, devemos pensar em uma transformação que alie cada vez mais a interação do hardware (veículo) com o software (programas de interconectividade) para uma geração cada vez mais conectada.”

Estar preparado para atingir as novas exigências dessa nova sociedade e ao mesmo tempo acompanhar as novas tecnologias e tendências de mercado foram apontadas por Dirlei Dias, gerente sênior de marketing de produto automóveis da Mercedes-Benz, como parte das prioridades que orientam a marca para a construção do carro como produto para a futura geração de consumidores. “Deveremos continuar primando também pelo desenvolvimento de sistemas de segurança ainda mais avançados, com veículos cada vez mais conectados e interativos, incluindo os autônomos, além de criar com tudo isso novas oportunidades de negócios”, enfatiza. Ele cita ainda as parcerias em andamento entre montadoras e empresas focadas em tecnologia, como Apple e Google: “Há parcerias com companhias deste tipo para a nova tendência de conectividade nos carros. Não dá para ser inimigo desse pessoal, tem que ser aliado.”

Os painelistas afirmam que a mudança do cliente gera uma transformação de efeito cascata, interferindo não só no produto, mas na maneira de se relacionar com ele por meio da rede de distribuição. “O perfil do vendedor também está mudando: ele deixou de ser o ‘tagarela’ de antigamente, que vencia o consumidor pelo cansaço e passou a ouvir mais sobre sua necessidade. Com isso, ele interpreta melhor os produtos de sua marca e aponta qual deles atende melhor aquela situação”, finaliza Dias.

FUTURO SUSTENTÁVEL

Roberto Braun, gerente sênior de assuntos governamentais da Toyota, lembra que muito se tem feito para oferecer melhores produtos para a nova geração de condutores, acompanhando a tendência da preocupação em consumir produtos mais amigáveis ao meio ambiente. Ele cita a criação de veículos mais limpos, como os híbridos, os 100% elétricos e mais recentemente, os equipados com células de combustíveis (de hidrogênio). “Há diversas aplicações e há lugar para todas elas. A própria Toyota possui modelos nessas diferentes tecnologias, como o híbrido Prius, lançado em 1997 e que já está em sua terceira geração, e o novo Mirai, apresentado em 2014 e o primeiro veículo com produção em massa equipado com célula de hidrogênio, que chegará ainda este ano nos mercados da Europa e nos Estados Unidos”, disse. Ele acrescenta que a equação está em desenvolver infraestrutura em parceria com poderes públicos a fim viabilizar o abastecimento desses modelos em vias urbanas ou rodoviárias, uma vez que cada tecnologia sugere diferentes tipos de uso devido à sua autonomia.

Outro movimento é que as empresas estão se unindo para levar adiante o desenvolvimento dessa tecnologia apontadas como ideal para as futuras gerações, revela Braun: “Devido ao altíssimo custos da célula de combustível, as empresas estão criando grupos para diluir essas responsabilidades financeiras, caso da Toyota com a BMW: nós lançamos o Mirai em 2014 e a BMW deve lançar seu próprio modelo em 2020.” Nissan, Daimler e Ford também figuram como parcerias de desenvolvimento com previsão de produtos em 2017, enquanto Honda e GM formam outra frente, com lançamentos previstos para 2020. “A Hyundai, sozinha, deve lançar algo neste sentido ainda este ano”, diz Braun.



Tags: Simea, AEA, mobilidade urbana, conectividade, comportamento.

Comentários

  • Sergio Casa Nova

    Será que realmente estão "repensando"? Ou apenas fazendo uma maquiagem para esconder um produto agonizante? Não existe nada mais anacrônico para o século XXI, do que o automóvel: pesa 2000 quilos para transportar 200 quilos de gente, queima combustíveis fósseis, transformou-se no inimigo publico numero um das questões ambientais, as quais atualmente estão no cume das preocupações do planeta. Será que estão realmente repensando??

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