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Crédito | 02/09/2015 | 18h00

Financiamento do BNDES às fábricas despenca

Em 2015, até agosto nenhum empréstimo para investimento foi contratado

PEDRO KUTNEY, AB

Principal fonte de recursos para investimentos dos fabricantes de veículos e autopeças, o movimento dos financiamentos do BNDES em 2015 retrata com fidelidade o cenário de retração da atividade econômica. Os empréstimos liberados ao setor automotivo pelo banco de fomento brasileiro simplesmente sumiram do mapa este ano. Nenhum novo contrato foi celebrado entre janeiro e agosto, demonstrando que crise adiou ou cancelou novos aportes em fábricas e desenvolvimento de produtos.

O volume de recursos emprestados em operações diretas (as maiores) pelo BNDES para investimentos vem se reduzindo desde o recorde de 2012, quando a instituição injetou R$ 4,4 bilhões em 13 projetos de oito empresas do setor.

Mais da metade do dinheiro liberado em 2012 foi só para o projeto do Polo Automotivo Jeep em Goiana (PE), da Fiat Chrysles Automobiles (FCA), que em dezembro daquele ano tomou R$ 2,4 bilhões do banco como parte do investimento para construir a fábrica pernambucana e desenvolver veículos fabricados lá, complementado exatamente um ano depois com mais R$ 843,5 milhões, totalizando R$ 3,27 bilhões apenas neste empreendimento. Ainda em 2012 a FCA emprestou outros R$ 435 milhões do BNDES para obras de ampliação da planta da Fiat em Betim (MG), tornando-se por larga margem a maior tomadora do ano.

Em 2013 os empréstimos ao setor caíram 22,7%, R$ 1 bilhão a menos, para R$ 3,4 bilhões que financiaram 14 projetos de 11 empresas. De novo a FCA foi a maior tomadora individual do ano, com os R$ 843,5 milhões já mencionados para o empreendimento de Goiana e outros R$ 601 milhões para desenvolvimento de veículos e adequações da fábrica da Fiat em Betim (MG), além de um “projeto de motor etanol de alta eficiência”, segundo consta nos registros.

Portanto, em dois anos a FCA sozinha tomou R$ 4,3 bilhões em empréstimos do BNDES, quase o total das liberações do banco ao setor automotivo em 2012. Talvez por isso a montadora não celebrou nenhum outro contrato em 2014 e 2015 até agosto. O segundo maior tomador no período 2012-2013 emprestou menos de um quarto do valor da FCA: a Volkswagen trouxe R$ 932,4 milhões para financiar projetos em suas fábricas paulistas de São Bernardo do Campo, Taubaté, e São Carlos. Depois vem a Renault, com R$ 563,7 milhões tomados só em 2012, pouco à frente da Mercedes-Benz, que em 2013 emprestou R$ 562,3 milhões do BNDES para reorganizar e ampliar as plantas de Juiz de Fora (MG) e São Bernardo do Campo.

O tombo veio em 2014, quando a contração da economia começou a se intensificar e o BNDES liberou R$ 750,9 milhões a montadoras e fornecedores, valor em forte retração de 78% sobre 2013. Foram apenas sete projetos e todos os contratos foram celebrados no fim do ano, quatro deles nos últimos dias de dezembro. São empreendimentos que se estendem para 2015, portanto.

No ano passado o maior contrato foi fechado com a Ford, que tomou R$ 195,4 milhões em novembro de 2014 para “desenvolvimento de um novo carro global de entrada e adequação de maquinário na fábrica de Camaçari (BA)”, de acordo com informação do BNDES. O segundo maior empréstimo foi para a Renault, que em setembro de 2014 trouxe R$ 172,9 milhões para financiar seu programa de engenharia para atualização de linhas de produto. E a PSA Peugeot Citroën ficou em terceiro no ranking dos investimentos financiados pelo BNDES, com R$ 142,3 milhões tomados em dezembro, destinados à reestilização de produtos e adaptações para exportações.

Os empréstimos do BNDES destinados a investimentos têm taxas de juros bastante variáveis, em torno de 3,5% a 9% ao ano, dependendo do indexador contratado, com carência de 18 a 24 meses para iniciar os pagamentos e prazos que vão de 54 a 102 meses.



Tags: BNDES, financiamento, investimento, fábricas, empréstimos.

Comentários

  • manoel braga

    Pra começar veja os nomes dos tomadores. Veja a situação da pequena e media indústria, estamos todos com ociosidade, mas.....ofereça capital de giro nas mesmas condições porem fora dos agentes financeiros, direto com o BNDES. Vão ver que o dinheiro em caixa não será suficiente.

  • Marcos Masuela

    O que nós brasileiros, principalmente nós que trabalhamos no setor industrial, gostariamos de saber se o BNDES fez algum estudo sobre estes emprestimos em relação a geração novos empregos. Existe este dado? As montadoras e a cadeia produtiva que receberam esta "dinheirama" criaram os novos postos de trabalho que estavam previstos? A outra questão que tambem é pertinente, se este dinheiro fosse direcionado para os outros setores da industria, qual seria o impacto na geração de empregos? Estas são perguntas que os responsaveis pelos emprestimos deveriam responder. Será que com este montante de dinheiros os outros setores da industria não estariam em condições melhores para o enfretnamento desta grande crise? Se alguem com competencia puder responder seria muito importante para uma avaliação do momento atual e para os futuros emprestimos.

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