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Balanço | 03/09/2015 | 19h00

Cresce investimento estrangeiro de montadoras

Fluxo líquido de capital soma US$ 2,77 bilhões de janeiro a julho

PEDRO KUTNEY, AB

Com a forte retração do mercado brasileiro e a alta do dólar que já passa dos 40% este ano, as matrizes no exterior dos fabricantes de veículos instalados no Brasil passaram a receber menos (ou não receber) lucros de suas subsidiárias, ao mesmo tempo em que tiveram de aumentar consideravelmente a ajuda externa, com mais injeções de recursos para bancar investimentos já programados ou mesmo reforçar o caixa das empresas. De acordo com dados do Banco Central divulgados mês passado, de janeiro a julho o fluxo líquido de investimento estrangeiro (entradas menos saídas) das montadoras no País somou US$ 2,77 bilhões, valor 38% superior aos US$ 2 bilhões injetados nos mesmos sete meses de 2014. No ano passado inteiro essa cifra foi de US$ 4,2 bilhões.

O movimento de recursos recebidos das matrizes no exterior já é bem maior do que os financiamentos tomados internamente para financiar investimentos no País, já que a principal fonte doméstica desses fundos, o BNDES, não tem liberado empréstimos ao setor este ano (leia aqui). Com o enfraquecimento do real, ficou mais barato bancar com caixa próprio ou empréstimos no exterior os aportes para construir novas fábricas no País, como parece ser o caso da BMW, Audi, Jaguar Land Rover, Mercedes-Benz e Honda, que até agora não recorreram a créditos do BNDES para financiar seus novos empreendimentos em andamento.

Na contramão, caíram consideravelmente as remessas de lucros das montadoras no Brasil para suas matrizes. Este ano, até julho, os fabricantes de veículos enviaram apenas US$ 134 milhões em dividendos, em forte retração de 80% ante os US$ 663 milhões do mesmo período de 2014. De janeiro a dezembro do ano passado o valor total remetido foi de US$ 884 milhões, já bastante abaixo (-73%) dos US$ 3,3 bilhões de 2013, e muito distante do recorde de US$ 5,7 bilhões de 2011. Desde o início da década o setor automotivo se tornou o maior pagador de lucros ao exterior de toda a indústria brasileira, mas com a queda nas vendas e dólar forte declinou para a quarta posição em 2014 e este ano está em apenas oitavo.

No atual cenário, os ingressos de capital estrangeiro têm superado em larga medida as remessas. De janeiro a julho deste ano, os empréstimos das matrizes às subsidiárias brasileiras foram a maior fonte de recursos externos do setor, somaram US$ 3,3 bilhões em sete meses, o que já supera os US$ 3 bilhões recebidos durante 2014 inteiro. Já os pagamentos (amortizações) desses financiamentos intercompanhias também aumentaram substancialmente, chegando a US$ 1,68 bilhão, 121% acima dos US$ 760 milhões pagos nos primeiros sete meses de 2014.

O investimento direto em participação de capital das matrizes das montadoras no Brasil somou US$ 1,3 bilhão de janeiro a julho, em baixa de 18,7% sobre idêntico período de 2014, quando essas injeções somaram US$ 2,9 bilhões durante o ano inteiro. O regresso desse capital foi mínimo, de apenas US$ 115 milhões em sete meses, mas ainda assim muito acima dos US$ 6 milhões remetidos de volta no ano passado.

As montadoras instaladas no Brasil também fazem investimentos fora do País, principalmente na Argentina, que somaram US$ 105 milhões até julho deste ano, 52% acima do executado no mesmo período de 2014. Mas têm recebido muito mais de volta: US$ 589 milhões em sete meses de 2015, quase o mesmo valor do ano passado, o que também contribui para reforçar o caixa no cenário de retração econômica.



Tags: Investimento estrangeiro, montadoras, indústria, fluxo de capital, remessas de lucros, dividendos, Banco Central, BC.

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