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Mercado | 09/10/2015 | 19h40

Três líderes perdem mais participação

Fiat, GM e VW cedem quase 8 pontos de market share em 2015

PEDRO KUTNEY, AB

O mercado de veículos leves vem sendo marcado este ano por perda de participação sem precedentes nas vendas das três fabricantes líderes. Somados os emplacamentos de automóveis e comerciais leves entre janeiro e setembro, Fiat, General Motors e Volkswagen perderam juntas 7,82 pontos porcentuais de market share em comparação com o mesmo período de 2014, fazendo seu domínio baixar de 56,6% para 48,6% de um ano para outro. As três também foram as que registraram as maiores quedas nos negócios, bastante superiores ao recuo médio das vendas nos três trimestres de 2015.

Das dez marcas mais vendidas no País de janeiro a setembro, apenas uma, a Honda, registrou crescimento, as outras nove apresentaram variação negativa nas vendas e quatro delas registraram retração acima da média do mercado, de 21,7% na comparação com os mesmos nove meses do ano passado. Na briga pelo market share, dentro da lista dos dez primeiros do ranking só as três grandes perderam pontos porcentuais, que foram captados pelas seis marcas imediatamente abaixo, sendo que a décima, a Mitsubishi, praticamente não saiu do lugar.

A Fiat continua a liderar o mercado brasileiro de veículos leves, mas sem renovações de produtos foi também a que mais perdeu terreno. Suas vendas em nove meses recuaram 33,6% na comparação com o mesmo período de 2014 e no mesmo período a marca italiana perdeu 3,26 pontos porcentuais de mercado, descendo a 18,2% – pela primeira vez abaixo dos 20%.

Também sem grandes renovações de produtos, a GM ainda consegue se manter na segunda posição do ranking, foi a que menos perdeu das três grandes, mas mesmo assim o tombo foi grande, acima da média do mercado. As vendas de janeiro a setembro caíram 30,8% e a marca Chevrolet perdeu dois pontos de participação no período, para 15,3%.

Com 15% de market share, a Volkswagen vem logo atrás, mas perdeu mais este ano, entregando 2,5 pontos porcentuais de participação. A queda nas vendas em nove meses, de quase 33%, foi a segunda maior entre as dez marcas mais procuradas. A perda da liderança de mais de duas décadas do Gol, que não conseguiu ser compensada pelo Fox nem pelo Up!, tem custado caro à VW este ano.

MELHOR NO ANDAR DE BAIXO

Com oferta de produtos mais modernos e melhor equipados, as marcas que se encontram do quarto ao nono lugares no ranking da 10 mais procuradas conseguiram ganhar terreno, apresentando desempenho bem melhor do que a média do mercado. É o caso da Ford, na quarta colocação, que com a boa aceitação do Ka (quarto carro mais vendido do País entre janeiro e setembro), conquistou 1,7 ponto porcentual de market share, para 10,7% – a segunda melhor performance nesses nove meses. As vendas da Ford caíram 7% no período, bem menos que o mercado total.

Apesar do recuo nos emplacamentos de janeiro a setembro de 10,3% na comparação com o mesmo intervalo de 2014, a Hyundai conseguiu este ano consolidar-se na quinta posição do ranking, tirando o lugar que há anos era da Renault. Graças ao sucesso continuado do compacto HB20 durante três anos desde a sua introdução no Brasil, marca coreana conseguiu mais 1 ponto porcentual de market share este ano, que subiu para respeitáveis 8%. Com o lançamento, em outubro, da versão renovada do HB20, espera-se que a Hyundai fortaleça ainda mais sua posição nos próximos meses.

A Renault renovou toda a sua linha brasileira de produtos nos últimos dois anos, mas ao que parece a oferta de modelos espartanos não encontra mais tantos clientes em época de mercado retraído. A marca francesa teve importante retração de quase 20% em suas vendas de janeiro a setembro em relação aos mesmos meses de 2014, desceu do quinto para o sexto lugar do ranking e com isso sua participação de mercado ficou praticamente estacionada, com leve ganho de 0,17 ponto, para 7,2%.

A Toyota segue ancorada na sétima colocação com descoberta da boa qualidade do Etios por parte do consumidor brasileiro de menor renda, algo que o comprador mais abonado do Corolla já sabia. Com as duas linhas de produtos bem vendidas, a marca japonesa vem conseguindo passar pela crise de forma bem mais suave. As vendas de nove meses caíram 2,5% – o que no cenário de quedas acima de 20% pode ser considerado uma vitória. A Toyota conquistou este ano mais 1,4 ponto porcentual de market share, agora de 7%.

A também japonesa Honda vem logo abaixo, em oitavo lugar no ranking, mas seu desempenho relativo é o melhor de todos. Foi a única marca entre as 10 mais vendidas a apresentar crescimento dos emplacamentos, e bastante vistoso, de 17,4% em relação aos mesmos nove meses do ano passado. Graças às vendas meteóricas do HR-V lançado este ano e já o 14º mais vendido do País, a Honda foi a que mais ganhou participação de mercado, somando quase 2 pontos para si e fechando os três primeiros trimestres do ano com domínio de quase 6%.

Iniciando a lista dos que vendem menos de 100 mil veículos por ano, a Nissan segue na nona posição do ranking. Os 46,4 mil emplacamentos da marca de janeiro a setembro significaram queda de 6,2% diante do mesmo período de 2014. O carro de maior volume da marca, o compacto March fabricado no Brasil desde o ano passado, ainda não conseguiu atrair a atenção dos clientes brasileiros e este ano figura apenas como 29º carro mais vendido do País. Ainda assim, a Nissan conseguiu ganhar 0,41 ponto porcentual de share e ao fim de nove meses de 2015 tem quase 2,5% de participação nas vendas nacionais.

Sem novidades, a Mitsubishi fecha o ranking das 10 marcas mais vendidas com participação de 1,7% no mercado nacional, levemente abaixo do 1,8% registrado há um ano. A marca também teve retração das vendas acima da média de mercado, com queda de 25,2%.



Chama a atenção também a movimentação que ocorre logo abaixo do ranking das 10 mais vendidas. Com a decolagem das vendas do Renegade, lançado há poucos meses e já o décimo carro mais vendido do País em setembro, a Jeep também decolou com crescimento de 1.163% nas vendas somadas em nove meses deste ano contra os mesmos de 2014. A marca ganhou pouco mais de 1 ponto porcentual de market share de um ano para outro e agora tem 1,21% e figura como 12ª mais vendida. O Renegade sozinho representa 90% das 22,7 mil unidades emplacadas em três trimestres.

Com isso, a Jeep passou até a Peugeot, com fabricação nacional há mais de uma década, que desceu outro degrau no ranking, agora na 13ª posição, com perda adicional de 0,25 ponto de participação, para apenas 1%, e queda nas vendas de 36,4% entre janeiro e setembro. No mesmo período, a Citroën, sócia no Grupo PSA, teve retração ainda maior de emplacamentos, de 43,4%, e perdeu quase meio ponto de market share, para 1,26%, mas ainda conseguiu se segurar como 11ª mais emplacada.

Destaca-se também a ascensão da Mercedes-Benz da 15ª para a 14ª posição do ranking de emplacamentos de veículos leves, com crescimento este ano de 44,4% nas vendas comparativamente a janeiro-setembro de 2014. A marca quase dobrou sua participação de mercado, de 0,42% há um ano para 0,78% agora. O resultado é devido principalmente à linha de automóveis, responsáveis por 86% dos negócios no segmento (o resto são as vans Sprinter), liderados pelo Classe C, que sozinho respondeu no período por 35% dos licenciamentos.

Prejudicada pela falta de projeto de fabricação nacional e duramente atingida pela sobretaxação aos veículos importados em conjunto com a alta do dólar, a Kia continua perdendo terreno e no período janeiro-setembro desceu para a 15ª colocação entre as marcas mais vendidas no País – há um ano figurava na 13ª posição e em 2012 chegou a ficar em 11º lugar. Nos nove meses de 2015 as vendas da Kia retroagiram 28,7%, mas a participação de mercado praticamente não saiu do lugar, em torno de 0,7%.



Tags: Mercado, ranking, veículos leves, marcas, participação, market share.

Comentários

  • Mario Marcello

    Devemos ressaltar a posição da Peugeot seriamente em declive acentuado. Se políticas estratégicas não forem logo tomadas , esse grupo tende a ter problemas serio até de existencia.Lembramos que na mente dos consumidores ,time que está perdendo é sinal de fracasso administrativo,logo vem produto de baixa qualidade ,falta de peças de reposição,revendas e funcionários sem estímulos, etc etc.

  • Julio Tércio de Carvalho Barros

    No que se refere aos veículos leves devemos observar que a participação das grandes montadoras como FIAT, VW, GM e FORD na aceitação do consumidor final comum brasileiro não se reflete na pratica, pois sabemos que os números expressivos de venda vêm de venda direta, ou seja, venda para frotistas que preferem essas marcas mais pelo valor de revenda ou garantia de disponibilidade de peças ante a qualidade em si do produto.

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