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VW fará recall de 8,5 milhões na Europa

Internacional | 15/10/2015 | 20h00

VW fará recall de 8,5 milhões na Europa

Governo alemão exige medidas para corrigir emissão de carros diesel

REDAÇÃO AB

O Grupo Volkswagen será obrigado a fazer um dos maiores recalls da Europa, a partir de janeiro de 2016, para corrigir os desvios de emissões de poluentes de 8,5 milhões de carros diesel já vendidos desde 2008 em 28 países da União Europeia (UE), 2,4 milhões deles só na Alemanha, todos equipados com um software preparado para fraudar testes oficiais. A medida foi anunciada na quinta-feira, 15, pela agência federal de transportes da Alemanha (KBA, na sigla em alemão), que recusou a proposta inicialmente apresentada pela VW de fazer reparos voluntários aos clientes que pedissem. Com o recall obrigatório os gastos serão maiores, pois a Volkswagen terá de trabalhar mais rápido e especificar exatamente o que fará para resolver o problema.

A KBA determinou o recall obrigatório com início em janeiro próximo, mas a Volkswagen ainda não definiu ao certo quais medidas serão tomadas para corrigir os desvios de emissões de poluentes, em um processo que deve durar todo o ano de 2016. As possibilidades variam de acordo com cada lote de carros e vão desde a atualização de softwares do gerenciamento eletrônico do motor até a troca ou adição de diversos componentes. Segundo disse na quinta-feira o ministro alemão dos Transportes, Alexander Dobrindt, o grupo tem até o meio de novembro para dizer exatamente o que fará e a KBA executará testes para garantir que os procedimentos funcionam. Ele estimou que o fabricante “provavelmente” terá de trocar ou refazer partes de cerca de 3,6 milhões de motores, e que as novas peças necessárias para corrigir os desvios só estariam disponíveis a partir de setembro de 2016.

Os 8,5 milhões de carros afetados pelo recall europeu equivalem a quase um terço de todas as vendas na UE desde 2009 até agosto passado de cinco divisões do Grupo VW envolvidas na fraude. Também é o maior recall já convocado na Alemanha, bem acima do recorde registrado no ano passado de 1,9 milhão de veículos chamados para algum tipo de reparo de segurança por todos os fabricantes instalados no país.

Segundo admite o próprio grupo, 11 milhões de veículos das marcas Volkswagen, Audi, Seat e Skoda que usam o mesmo motor diesel EA 189 foram vendidos no mundo todo equipados com o programa fraudador – que deflagrou um dos maiores escândalos da indústria automotiva mundial, após a descoberta, há cerca de um mês em um teste de estrada nos Estados Unidos, que revelou emissões 40 vezes maiores em relação às apuradas em laboratório. Desde então a companhia já perdeu € 21 bilhões em valor de mercado. Alguns analistas estimam que a fraude deverá custar ao grupo nos próximos anos algo como € 35 bilhões em multas, processos e gastos com reparos.

O grupo garantiu em comunicado na quinta-feira que o sucessor do EA 189, o motor EA 288 em uso desde 2012, não será afetado pelo recall.

PRESSÃO POLÍTICA

Alguns analistas avaliam que a KBA está sob intensa pressão política – afinal a fraude foi descoberta fora de seus domínios – e por isso tenta acelerar a resolução do problema ao fixar datas para apresentação de soluções e começo obrigatório do recall. Em questões de segurança, usualmente o fabricante anuncia o recall voluntariamente e a agência apenas acompanha o processo. Desta vez o processo é ao contrário, pois estaria perdendo a paciência com a demora do Grupo VW em apontar respostas definitivas, bem como apontar culpados pela fraude.

Em tom diplomático, a companhia divulgou comunicado afirmando que “saúda a rápida decisão da KBA em implementar a agenda e o plano de ação submetidos na semana passada (pela VW) ao determinar um recall”. Para a fabricante, o procedimento “dá aos clientes clareza quanto à continuidade do uso irrestrito de seus veículos”. A deliberação da KBA estende de forma automática a obrigação do Grupo VW em fazer o recall em toda a UE, mas as medidas que serão adotadas em outros países ainda dependem das autoridades locais.

“A decisão da KBA abre a possibilidade de uma resposta comum e coordenada em todos os países da União Europeia”, escreveu Matthias Müller, novo CEO do Grupo VW, em uma carta obtida pela agência Bloomberg ao ministro alemão dos Transportes. “Um procedimento unificado como esse está dentro do espírito europeu, bem como no interesse dos clientes”, acrescentou Müller.

Na mesma quinta-feira, em reunião com 400 altos executivos do grupo em Leipzig, Müller voltou a reforçar que a companhia precisa dar mais autonomia às suas marcas e operações regionais, enquanto trabalha para chegar ao fundo do maior escândalo da história da empresa. “A companhia encara uma grande necessidade de mudanças”, disse o CEO disse em seu discurso no encontro. “Não penso em revolução, e o Grupo Volkswagen não precisa de uma. O que precisamos é coragem para agir consequentemente, de vontade para mudar”, acrescentou. “Temos boa chance de voltar a brilhar em dois ou três anos”, avaliou.



Tags: VW, Grupo Volkswagen, diesel, escândalo, emissões, fraude, recall.

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