Automotive Business
  
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Consultoria | 21/10/2015 | 20h00

Volatilidade é o “novo normal” da indústria automotiva no mundo

Estudo da Ernst Young aponta que instabilidade é tendência global

PEDRO KUTNEY, AB

Estudo Changing Lanes 2015-2016 da Ernst Young (EY), finalizado este ano com 125 executivos do setor automotivo, aponta que a volatilidade passou a fazer parte da regra do jogo em todos os principais mercados globais da indústria. “É o novo normal, com grandes flutuações de demanda, custos e perspectivas”, resume Randy Miller, líder global da área automotiva da consultoria, que realiza a pesquisa há três anos. Diante de tantas variáveis, diz Miller, o investimento em flexibilidade para se adaptar rapidamente às mudanças de cenários está entre as maiores preocupações dos fabricantes de veículos, bem como seus fornecedores e distribuidores.

De acordo com o estudo da EY, 63% dos executivos entrevistados esperam que a volatilidade trará impactos desfavoráveis ao negócio, ligados ao aumento de custos gerado por variações cambiais, queda de demanda, legislação e instabilidade política e econômica. Apenas 20% avaliam que sua empresa está suficientemente preparada para lidar com essas grandes variações. “Todos têm estratégias para lidar com a volatilidade, mas ainda não estão seguros sobre a eficácia delas”, explica Miller.

Entre os grandes focos de volatilidade está a instabilidade dos mercados da zona do euro e a queda de demanda em países emergentes. “Os BRICS continuam a ser importantes para a indústria. Existem perdas no Brasil e Rússia, que só vão se recuperar em alguns anos à frente, mas a Índia está crescendo ao ritmo esperados de 8% ao ano nos próximos quatro anos, e a China, apesar da desaceleração, ainda é um mercado muito grande”, avalia Miller. Segundo ele, no cenário global, os Estados Unidos, que voltou ao patamar de 18 milhões de veículos/ano, e a China sustentam o crescimento do setor automotivo, que enfrenta ventos contrários no Brasil, Japão, na Rússia e Europa. “Mas existem também boas oportunidades de expansão na África e certas partes da Ásia”, destaca.

Outra conclusão da pesquisa é que, com ou sem volatilidade, as empresas continuam a apostar na globalização de suas operações, até como forma de fazer frente às variações cambiais, por exemplo. Nesse sentido, a pesquisa apurou que dois terços dos fornecedores ouvidos estão preparados para apoiar os esforços de localização de componentes das montadoras, mas mais da metade deles não está pronta para desenvolver cadeias locais de suprimentos em mercados emergentes.

CORRIDA TECNOLÓGICA

Também segue aquecida a corrida em agregar valor aos produtos por meio de inovações tecnológicas. Para 75% dos executivos entrevistados, a demanda por conectividade, por exemplo, deve trazer impactos positivos aos negócios, como possível incentivo ao consumidor. Desenvolver tecnologias para reduzir emissões, aumentar a eficiência e elevar os padrões de segurança dos veículos está no topo das preocupações de 74% dos pesquisados.

“Existem oportunidades importantes aqui de aumentar o valor agregado dos veículos, mais ainda em países emergentes onde tecnologias de conectividade e segurança ainda têm grande espaço para avançar”, pontua Miller.

Para o consultor, a indústria tem fontes de recursos suficientes para financiar sua inovação, e uma dessas fontes está nos fornecedores. Não por acaso, para 80% deles, a propriedade de inovações e pesquisa e desenvolvimento é um dos fatores mais importantes para ganhar vantagem competitiva nesse mercado.

Outra meta é aumentar a eficiência operacional das empresas para elevar a rentabilidade. Faz parte dessa estratégia o maior uso de tecnologia da informação para administrar melhor as compras de fornecedores, produção e vendas, bem como implementar processos de manufatura flexíveis para lidar com a volatilidade dos diversos mercados. Para obter maiores ganhos na cadeia de suprimentos, 25% dos entrevistados citaram a busca por fornecimento em países de baixo custo, e 20% destacaram a localização de fornecedores, tanto em países desenvolvidos como emergentes, para reduzir custos logísticos e se beneficiar de subsídios regionais.

Assegurar acesso a recursos humanos, tecnológicos, de capital e legais também está no topo da agenda. Para 62% dos entrevistados, reter talentos nas empresas é uma vantagem competitiva, mas apenas 12% se sentem aptos a fazer isso. Nesse sentido, práticas inovadoras de recursos humanos tornam-se um elemento-chave na estratégia de gestão para atrair, reter e nutrir empregados que serão essenciais para a própria continuidade do negócio. Contudo, apenas um terço das companhias ouvidas afirma adotar essas inovações no trato com os funcionários.

A maior necessidade de conectividade e o atendimento à legislação de emissões e segurança torna imperativo o acesso às tecnologias necessárias para isso. Contudo, apenas 10% dos executivos ouvidos pela EY avaliam que estão preparados para assegurar esses recursos tecnológicos, embora 84% avaliam que a propriedade intelectual sobre eles seja uma importante vantagem competitiva.

O acesso a capital será importante para financiar os investimentos necessários em expansão para novos mercados e segmentos. A pesquisa aponta que 34% dos entrevistados precisa de recursos para expandir a rede de distribuição, 25% para financiar fornecedores em mercados emergentes e 29% dos executivos de montadoras disseram que precisam custear investimentos em pesquisa, desenvolvimento e bens de capital.

BRASIL

“O Brasil continua a ser um mercado significativo na estratégia da indústria automotiva global, mas nesse momento o problema é lidar com a ociosidade das fábricas no País, que só deve voltar a apresentar números de crescimento em mais alguns ano à frente,” avaliou Randy Miller dentro do contexto do estudo da EY.

“Todos estão revisando planos e buscando mais eficiência”, afirma Renê Martinez, sócio-líder do setor automotivo da Ernst Young no Brasil. “Existem na verdade vários mercados no País e os fabricantes estão preocupados em entender a demanda e se preparar para ela”, acrescenta.

- Veja aqui o estudo da Ernst Young



Tags: Ernst Young, estudo, Changing Lanes, consultoria, tendências.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência