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Dados serão bem mais precioso das montadoras

Tecnologia | 28/10/2015 | 15h53

Dados serão bem mais precioso das montadoras

Para KPMG, indústria passa pela maior transformação da história

GIOVANNA RIATO, AB

A indústria automotiva passa pelo momento de maior transformação da sua história. A avaliação que Ricardo Bacellar, diretor de relacionamento da KPMG para o setor, apresentou na Futurecom, feira de TI e telecomunicações que acontece até 29 de outubro em São Paulo. Para o executivo, a automação dos veículos trará mudanças profundas, fazendo as montadoras trabalharem em novas oportunidades de negócio. Ele acredita que, no novo cenário, os dados dos clientes representarão o bem mais precioso que uma empresa automotiva pode ter, a exemplo do que já acontece em segmentos como o de tecnologia.

“O mercado automotivo ainda é muito guiado por engenharia, mas terá de passar a ser liderado pela tecnologia. É necessário parar e pensar, como será o carro em 15 anos? Qual será a utilidade dele?”, provoca. Para que consigam acompanhar a transformação, Bacellar recomenda que as empresas invistam na coleta – e na organização – de dados de seus clientes. “Com algum preparo será possível reunir o perfil de consumo, a geolocalização e os dados reais de uso do carro de cada cliente. Isso é ouro. A informação será o bem mais valioso de qualquer indústria”, avalia, destacando que é a partir dos dados que as empresas terão a chance de adaptar seu modelo de negócio.

Segundo ele, os dados podem render uma série de parcerias comerciais e comodidades para o cliente. O consultor dá o exemplo de um motorista que gosta de jogar tênis e faz determinado deslocamento diariamente. Sabendo disso, uma marca de raquetes pode fazer uma ação específica com aquele consumidor, como, por exemplo, oferecer desconto para a compra em uma loja na região onde ele circula. “É uma comunicação direta, que mudará também a efetividade dos recalls”, acredita, destacando que as convocações terão mais resultado, já que o alerta para o cliente será direto.

CONSOLIDAÇÃO

Além da importância da coleta e da organização dos dados sobre os consumidores, Bacellar destaca outras iniciativas para que as montadoras se mantenham competitivas no novo cenário. A primeira delas é melhorar o relacionamento com os clientes. O que, segundo o consultor, hoje está restrito ao momento de venda do veículo, deverá se tornar frequente apesar de não ser, necessariamente, presencial. “Para o cliente, o carro conectado será como mais um dispositivo móvel com o qual ele tem contato tanto quanto ele está dentro como quando está fora dele”, lembra, destacando as possibilidades de acessar dados do veículo ou ativar comandos a distância por meio do smartphone.

Bacellar recomenda que as empresas acompanhem esta mudança com a oferta de serviços e interações mais cômodas para o cliente. Entrar em contato quando ele precisa fazer uma revisão e preparar a abordagem comercial para o momento em que ele visitar a concessionária para fazer um serviço agendado são exemplos desta conduta.

Outro ponto importante, na visão do consultor, é que as empresas trabalhem para implementar ciclos de pesquisa, desenvolvimento e inovação mais curtos. “Hoje as pessoas atualizam o sistema operacional de seus celulares sem que precisem trocar de aparelho. Com o carro, temos de investir em um novo veículo para ter algumas pequenas evoluções.” Ele cita o exemplo da Tesla, que passou a oferecer aos seus clientes a atualização do software do carro. “Isso agrega valor”, oberva.

Assim como aconteceu com os setores de tecnologia e de telecomunicações, o especialista acredita que é inevitável um período de consolidação na indústria automotiva. Ele aponta que isso já é visível na indústria de autopeças, com a fusão de empresas como ZF e TRW. Bacellar prevê que em breve o movimento chegue às montadoras. “As fabricantes de veículos precisarão decidir se elas querem apenas fabricar carros ou se pretendem assumir a liderança desta transformação”, alerta.

A liderança citada por ele tem a ver não apenas com a associação entre empresas do setor automotivo, mas também com companhias da área de telecomunicações e tecnologia. Segundo ele, são indústrias que se complementarão. “Será um casamento indissociável.” Um exemplo é o recente rumor de que a Apple negociava a compra a Tesla. Para Bacellar, as possibilidades são inúmeras: “imagine a escala que uma empresa chinesa ganharia ao firmar uma parceria para fornecer carros para o Uber, por exemplo”.



Tags: indústria, automotiva transformação, carro, autônomo, conectado, KPMG, Ricardo Bacellar.

Comentários

  • Sergio Faria

    Contesto a afirmação: “O mercado automotivo ainda é muito guiado por engenharia, mas terá de passar a ser liderado pela tecnologia..." Digamos que: " Engenharia é a prática da aplicação segura, sustentável e econômica das leis científicas que governam as forças e materiais da Natureza através da organização, design e construção, para o benefício da Humanidade." (S.E. Lindsey - 1920). Alguém contesta essa afirmação? Eu diria que engenharia e tecnologia são sinônimos, e se fundem como homônimos no que diz respeito ao contexto abordado. Não há tecnologia sem o desenvolvimento da engenharia. Tudo é uma questão de raciocínio e cultura que nos leva a crer que o erro está na engenharia, quando na verdade está nas atitudes e origens conceituais.

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