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Indústria | 06/11/2015 | 20h30

International suspende produção de caminhões em Canoas

Navistar ainda tenta evitar fechamento da planta gaúcha

PEDRO KUTNEY, AB

Os rumores de que a Navistar pretende fechar até o início de 2016 sua fábrica de caminhões e motores em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre (RS), ganharam mais força esta semana, com a notícia do início do processo de demissão dos 600 empregados da unidade, segundo confirmou ao jornal Diário de Canoas o presidente do sindicato dos metalúrgicos da cidade, Paulo Chintolina. Em nota, a empresa confirma que “suspendeu temporariamente a produção de caminhões International como forma de ajustar os elevados estoques”, mas que segue em operação a fabricação de motores para a General Motors. “A MWM Motores tem contrato de fornecimento para a GM até fevereiro de 2016”, acrescentou a Navistar.

O contrato para a produção dos motores 2.8 Turbodiesel da GM pela MWM foi firmado em julho de 2008, com início das entregas a partir de novembro de 2011, quando foi lançada no mercado brasileiro a nova geração da picape S10 e do SUV Trailblazer. Em agosto passado, a GM confirmou a Automotive Business que iria encerrar esse acordo no início de 2016 e que pretendia passar a produzir em uma de suas fábricas no Brasil os próprios motores diesel (leia aqui). No entanto, até o momento a montadora não deu sinais de onde nem como fará esse investimento.

Com o fim da produção de motores já agendada para fevereiro de 2016, a planta de Canoas dependerá exclusivamente da montagem de caminhões para sobreviver, pois todas as outras linhas de motores e o centro de distribuição de peças já foram transferidos para a fábrica da MWM em São Paulo, no bairro de Santo Amaro. Mas com a atual queda do mercado será difícil continuar produzindo só os dois modelos International na unidade, o pesado 9800i e o semipesado Durastar, que têm baixo volume de demanda.

De janeiro a outubro foram emplacados no País apenas 58 caminhões International, uma expressiva queda de 93,8% em comparação com o mesmo período de 2014, quando os negócios foram sustentados basicamente pelo fornecimento de unidades do Durastar ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em licitação vencida em 2013 que envolveu a venda de 898 veículos. Com as entregas deste contrato concluídas em junho do ano passado, a produção em Canoas despencou e a Navistar decidiu agora suspender por tempo indeterminado a operação, desligando os empregados relacionados a essa atividade. Segundo a empresa, a montagem dos caminhões será retomada se houver demanda.

Há mais de cinco anos a Navistar busca parcerias com empresas chineses para viabilizar sua fábrica de caminhões (leia aqui). Segundo fontes, houve negociações com Sinotruk, Foton e JAC. Todas têm planos de construir unidades industriais no Brasil e estão com seus projetos atrasados. Começar na linha de montagem de Canoas já pronta reduziria o investimento necessário, mas com a retração acentuada do mercado as conversas empacaram, deixando a planta com reduzidas chances de sobrevivência.

A fábrica de motores de Canoas foi comprada da Maxion pela Navistar no início dos anos 2000, que em 2005 adquiriu também a MWM em São Paulo. Desde 1998 o grupo produz caminhões International no País, inicialmente em unidade alugada da Agrale em Caxias do Sul (RS). Em 2002 as vendas domésticas foram interrompidas e o modelo 9800 continuou sendo montado na Serra Gaúcha só para exportações. A International voltou a vender caminhões no Brasil em 2010, agregando também o semipesado Durastar ao seu curto portfólio, quando anunciou planos de investir na nova fábrica. Sem recursos para tanto, ajustou as ambições e em 2013 transferiu a produção para a unidade de Canoas, com investimento de R$ 30 milhões, em uma linha bastante enxuta que monta componentes fabricados fora – mas com nacionalização superior a 60%, índice mínimo exigido pelo BNDES para habilitar os produtos aos financiamentos do Finame.



Tags: Navistar, International, MWM, Canoas, produção, caminhões, motores, diesel, GM.

Comentários

  • AMILTON JOSE MATEUS

    A MONTADORA NAO DEVERIA ENCERRAR SUAS ATIVIDADE NO BRASIL EU PENSO QUE ELA MESMO COM O MERCADO DE CAMINHAO NO BRASIL ESTA RUIM MAIS COM TRABALHO AGENTE VENCE OS CAMINHOS MAIS DUROS DA VIDA.EM 2014 EU COMPREI UM CAMINHAO NOVO MODELO 9800,I E MEUS AMIGOS ME CRITICARAO DIZENDO QUE O CAMINHAO NAO ERA BOM POREM ELE JA ESTA PRATICAMENTE PAGO E NUNCA ME DEIXOU NA MAO RODO PARA TODO O BRASIL TRANSPORTANDO PRODUTOS FRIOS E CONGELADOS E VOCE SABE COM QUE E ESSE TIPO DE CARGA O CAMINHAO TEM SE BOM TEM QUE SER DE CONFIANÇA SI NAO DA PARA TRABALHAR.

  • Machado

    É uma pena o fechamento desta montadora, a muito tempo sonho e comprar um "International", agora que posso realizar este sonho estou na duvida quanto ao futuro inserto da montadora. 9800i É: "O CAMINHÃO"

  • joao campos reis

    tive 02 modelos da marca, um 9800 6x4 2011, um 4700 2001 muito novo, desfiz por falta de motoristas, mas como disse meu pai" ficou a saudade".

  • Sérgio Gerdulli Valério

    É uma pena,que esta fábrica venha parar de fabricar veículos como este.Como todos os outros veículos de outras marcas,estão sofrendo tbém.Isso,é culpa de governantes brasileiros,que pensam em si mesmo.Infelizmente,no Brasil,empresas nào conseguem sobreviver,com cargas tributárias tão elevadas.Penso,que tudo isso não tem melhoras à curto,e médio prazo,pois o Brasil afundou-se em corrupçào,e egoismo.E tem gente que defende este governo.Tbém,não vejo outro melhor no atual quadro político.Tenho um caminhão internacional 9200,e gosto muito,sempre sonhei em ter um.Agora que tenho,a conjuntura não me deixa ser feliz.

  • PAULO

    A NAVISTAR não deveria e nem deve fechar a fabrica de Canoas, pois la nos EUA tambem existe crise. Estes caminhões são excelencia em economia e conforto, quem tem que se adap tar a estes modelos são as estradas brasileiras e os motoristas pois tem muitos que estão atrasados quanto a tecnologia e principalmente manutenções.

  • orlando nunes

    De novo? Realmente não dá pra confiar na fábrica desse caminhões, pela segunda vez vai deixar os motoristas na mão.

  • Ailton

    Esta montadora parece bola de pingue-pongue é a terceira vez que sai do Brasil, desde os anos sessenta que tenta emplacar e não consegue ,este tipo de atitude é que faz com que os consumidores falem mal do caminhão pois o suporte logistico que a International da a ele é precario ,pena pois é um otimo produto , agora meus amigos , quem tem caminhão de outras marcas não deve se desesperar pois estes veiculos em suma são chassis onde diversas adaptações são possiveis como motores,cambios,eixos,suspensões etc dando-lhes a condição de rodar por varios anos ainda só tomando cuidado para não acidentar a cabine .Tenho International e não estou preocupado com a saida deles do país comprei o veiculo sabendo disso por um preço muito bom e saber apenas dirigir para o caminhoneiro é muito pouco ,aprender um pouco tambem de mecanica ajudaria e muito a atividade de transportador .

  • Rogerio Fanticelli Baptista

    A INTERNATIONAL assim como as demais industrias do mercado de caminhões que passam por esta crise, e agora mais do que nunca essa renomada montadora precisa manter-se aberta até o final dessa turbulência econômica, porque fechar novamente é um tiro de misericórdia nos clientes que confiaram na marca. No passado da história do pais esses caminhões rodaram muito e conquistaram clientes pela sua robustez, depois resolveram aparecer montando junto com a Agrale em Caxias do Sul e foram embora e agora querem repetir essa atitude mesquinha de quem só pensa nos resultados. Olhem o exemplo da Mercedes-Benz, da Scania e da Ford que sempre estiveram presentes. Ou preferem ser vistos como os caminhões da Fiat, da Chevrolet e da GMC que foram embora e deixaram seus clientes na mão. Força International! Mostrem que os seus caminhões são capazes de superar essa adversidade!

  • valdinei Castilho Pinto

    Amigos, Estou a mais ou menos 30 dias procurando e estudando a possibilidade em comprar um 9800i, tenho lido sobre qualidades e defeito do valente caminhão e é sem duvida uma excelente ferramenta de trabalho, porem fica difícil de acreditar que uma marca mundialmente conhecida tenha manchada mais uma vez o seu nome. E o que pensam a direção mundial da montadora? pois vindo de dirigente brasileiro é comum este tipo de atitude onde ou tem um resultado imediato ou se interrompem e abandona os clientes, gostaria de ver um desses empresário explicar tal atitude. A empresa focou a venda nas grandes transportadoras, e na minha opinião deveria focar no pequeno e nos autônomos, pois o processo formiguinha leva sempre a um melhor resultado, trabalhar preço e abrir pequenos postos de manutenção e venda, pois pequenos valorizam a fidelidade desta forma formaria uma grande malha.E nós continuaríamos a usar este valente e econômico caminhão

  • Marcos SSM

    É uma pena,que esta fábrica venha parar de fabricar veículos como este. Trabalhamos na area de mineração gostaria de adquirir algumas unidades para transporte proprio, os veiculos da marca e de otima qualidade so falta um pouco de investimento da propia montadora de ter um banco com condições diferenciadas para financiamento destes veiculos com taxas atraentes, e um custo de manutenção mais em conta.

  • Milwayne Ferreira Gonçalves

    Os caminhões da Internacional , são ótimos , tanto o 9800 quanto o Dura Star , porém,eles deveriam ter se espelhados nos novos modelos lançados pelos seus concorrentes , Pois os frotistas e motoristas em geral de caminhões são os mais exigentes do mundo.

  • Rogério Mendes

    Pelo jeito a International não fechou a fábrica de Canoas. Se tem pretensões de permanecer no mercado brasileiro deve saber primeiro divulgar seus produtos. A fábrica parece tímida, tem medo de se expor. A menos que não tenha condições de colocar modelo existentes nos USA a preços competitivos no Brasil (o que tem uma certa lógica). Seus caminhões são ótimos, o que "queima seu filme" é sua postura vacilante, não sabe se fica ou vai. Aproveitem a crise e lancem-se com força no país. Nós merecemos. E vocês também.

  • nelson

    ola amigos como diz um amigo international ou o cara ama ou odeia e nos amamos tenho um 2001 a mais ou menos 8 anos nao posso reclamar numca me deixou na mao vivo dele e um carro muito forte com mecanica muito simples pra quem conhesce e logico enfim quero trocar por um mais novo se alguem tiver interesse

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