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Legislação | 09/11/2015 | 20h35

Fraude ao uso de Arla afeta um terço dos pesados

Consumo de agente redutor está 32% menor que o esperado para a frota

MÁRIO CURCIO, AB

Cerca de um terço dos caminhões Euro 5 vendidos com sistema SCR está burlando a utilização do Arla 32. O agente redutor líquido à base de ureia é necessário no pós-tratamento dos gases de escape de parte dos veículos pesados a diesel produzidos desde 2012. “Fizemos um levantamento que indica que o consumo de Arla 32 está 32% abaixo do que deveria”, afirma Elcio Luiz Farah, diretor adjunto da Afeevas, entidade que reúne fabricantes de equipamentos de controle de emissões.

Farah participou de debate promovido pela Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, durante a abertura da 20ª Fenatran, Salão Internacional do Transporte que ocorre até o dia 13 no Anhembi. “Tanto autônomos como grandes frotistas estão utilizando mecanismos que manipulam o sistema de injeção de Arla 32 em seus veículos”, afirma o vice-presidente da Anfavea, Marco Saltini.

“Esse tipo de ação fica registrado na central de diagnose dos caminhões e por isso somos favoráveis à inspeção veicular, que pode detectar essas irregularidades”, diz Saltini. “Reiteramos em reunião com o presidente do Ibama a importância das inspeções”, recorda.

Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística aponta a elevação de custos como principal motivo para as fraudes. “Os caminhões P7 ficaram mais caros e o diesel (S50 e depois S10) também. Tem ainda o custo do Arla 32. Tudo isso representou um gasto extra de R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil por mês para cada caminhão. O problema é que, ao insistir na fraude, o motorista vai pagar essa conta lá na frente”, alerta o diretor executivo da associação, Neuto Gonçalves dos Reis.

Vale recordar que veículos comerciais, caminhões e ônibus movidos a diesel fabricados a partir de 2012 têm de atender à legislação de emissões Proconve P7 (equivalente à Euro 5). Ela é alcançada com duas tecnologias: SCR, que requer pós-tratamento dos gases de escape com injeção no catalisador do agente à base de ureia (o Arla 32) ou pela EGR, em que ocorre a recirculação dos gases de escape.



Tags: Arla 32, Anfavea, Fenatran, ureia, Marco Saltini, Neuto Gonçalves dos Reis, Afeevas, Elcio Luiz Farah.

Comentários

  • Almir Zanutto

    A inspeção veicular eficiente e séria iria impedir esta ação que busca burlar o controle de emissão de poluentes com multas pesadas e impedimento de circulação dos veículos. Mas, como no país não há punição também séria, vamos continuar a nos enganar e aspirando poluentes por muito tempo. Se tomarmos o exemplo negativo dos alemães da Volkswagen, que criaram um jeito altamente tecnológico para também burlar as inspeções veiculares, então veremos que nós, seres ditos humanos, estamos muito longe de querer uma aplicação digna que nos permita evoluir sem deixar para nossos descendentes um planeta mais limpo.

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