Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Iveco lança linha Euro 5 na Argentina
Stralis Hi-Way: agora também na Argentina, importado do Brasil

Indústria | 26/11/2015 | 21h00

Iveco lança linha Euro 5 na Argentina

Marca diversifica produtos para manter liderança de seis anos no país

PEDRO KUTNEY, AB | De Mendoza (Argentina)

A Iveco apresentou na Argentina sua nova linha de caminhões Ecoline Euro 5, que começa a ser vendida no partir de janeiro de 2016 para atender a legislação de emissões local que só agora, com dois anos de atraso em relação ao que estava previsto, vai se equiparar à norma já adotada no Brasil desde 2012. Contudo, ao contrário do que aconteceu no mercado brasileiro, quando a pré-compra de veículos Euro 3 mais baratos gerou recorde de vendas em 2011 e um buraco no ano seguinte, para os argentinos a situação parece mais calma, pois até o momento não houve grande corrida às compras e 2015 deverá fechar perto de 26 mil unidades vendidas, ainda bastante longe do recorde de 35 mil em 2013.

“Com os aumentos de preço que a nova tecnologia traz, esperamos em 2016 por queda de 15% a 20%”, estima Sebastián Macias, diretor comercial da Iveco Argentina, que deve terminar 2015 em seu sexto ano seguido de liderança no mercado argentino, com participação de quase 25%. “Mas é uma previsão difícil, pois tudo depende bastante da política econômica a ser adotada pelo novo governo recém-eleito”, ressalva.

No país vizinho a marca está bem melhor posicionada do que a concorrência, pois é de longe a maior fabricante de caminhões da Argentina e produz a maior parte dos modelos que vende. Com isso, espera-se que seus negócios caiam menos do que os outros competidores em 2016.

A Iveco é hoje na Argentina tudo que queria ser no Brasil, onde suas vendas já caíram quase 50% este ano, para cerca de 4 mil caminhões emplacados de janeiro a novembro, com market share em torno de 6%, apesar de também manter uma linha completa de produtos no mercado brasileiro.

FÁBRICA E LINHA AMPLA

São manufaturadas na planta de Ferreyra, em Córdoba, os semipesados Tector e os pesados Trakker, Cursor e Stralis, que somam metade das vendas da Iveco na Argentina. Também são feitos no mesmo complexo industrial os seus motores NEF e Cursor, fabricados pela FPT, também integrante do mesmo grupo CNH Industrial. A linha de motores exporta mais de 80% de sua produção, principalmente ao Brasil; e na mão contrária, da unidade brasileira em Sete Lagoas (MG), são importados ao mercado argentino os leves Daily e médios Vertis, e agora também o extrapesado topo de linha Stralis Hi-Way. A fábrica argentina opera desde 1969 e atualmente tem capacidade para montar 15 mil caminhões/ano, mais que o dobro da necessidade atual, já contando com poucas exportações para Uruguai e Paraguai.

“A Argentina ainda tem um longo caminho para acertar questões econômicas com inflação e câmbio, mas estamos no país faz tempo e acreditamos que o mercado vai melhorar. Estamos muito positivos com as perspectivas que se abrem com o novo governo do (recém-eleito) presidente Mauricio Macri”, avalia Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial América Latina. “O fato de já produzir caminhões Euro 5 no Brasil e Argentina nos dá ganhos de escala que ajudam a aumentar a competitividade. Com o câmbio no nível que está poderemos voltar a usar nossa capacidade instalada na região para voltar a exportar, pois temos uma linha hoje muito atualizada, com a melhor tecnologia conhecida”, acrescenta.

Marco Borba, vice-presidente da Iveco América Latina, avalia que ainda levará mais tempo para a fábrica argentina voltar a exportar mais: “Neste momento o Brasil está melhor posicionado para isso”, pontua. Segundo Borba, as trocas comerciais entre os dois países deverão continuar no mesmo nível. O extrapesado Stralis Hi-Way deverá continuar a ser fornecido pela fábrica brasileira. “Por enquanto o volume é muito baixo para produzir em Córdoba, mas se a demanda justificar poderemos fazer no futuro”, diz o executivo.

Ao menos o mercado doméstico argentino está bastante bem dominado. Com o portfólio de caminhões mais amplo e grande capacidade interna de produção, a liderança deverá ser defendida sem grandes dificuldades. “Aproveitamos a mudança de legislação para modernizar e reconfigurar toda a linha de produtos. Teremos mais versões para participar de segmentos que antes não tínhamos penetração”, diz o diretor comercial Macias.

A maior ampliação de gama acontece na linha de pesados, que cresceu para cima e para baixo. Com a chegada do Stralis Hi-Way de 560 cavalos a Iveco passa a oferecer opções de caminhões acima dos 480 cavalos, que corresponde a 10% do mercado de modelos pesados na Argentina. E com a nova versão do Stralis de 360 cavalos, também passa a ter oferta na faixa de baixo, de 340 a 400 cavalos, que representa 50% das vendas do segmento na Argentina. “Antes só participávamos de 40% deste segmento, como modelos de 400 a 480 cavalos. Agora cobrimos 100%”, destaca Macias.

Outra vantagem de se ter no portfólio o maior número de veículos fabricados no próprio país é o acesso ao financiamento do Banco de la Nación, exclusivo para caminhões nacionais. A linha responde por 20% das vendas, com taxas subsidiadas pelo governo de 13,5% ao ano (contra inflação de quase 30%), cinco anos para pagar e possibilidade de financiar até 70% do valor do bem. Outros 30% dos negócios são financiados por bancos em geral e 15% são por meio de plano próprio da Iveco com parcelamento de 12 meses com cheques pré-datados. Os 35% restantes são pagos à vista – por falta de aplicações financeiras que cubram totalmente a inflação, na Argentina é comum o investimento em bens.

ESTRATÉGIA DE LIDERANÇA

Apesar da longa presença de 46 anos produzindo caminhões na Argentina, até pouco tempo a Iveco não era percebida como fabricante nacional e tinha participação de mercado bem mais tímida, que variava de 11% a 15%. “Em 2008 começamos a mudar isso. Como maior fábrica de caminhões do país precisávamos tirar proveito disso. Foi quando começamos a mudar o portfólio de produtos para adequá-lo ao mercado. Nos demos conta de que oferecíamos muito mais do que o cliente precisava, havia modelos demais com opcionais demais”, conta Macias.

“Trabalhamos com a engenharia local e do Brasil também para simplificar produtos. Nas linhas mais procuradas, na faixa de 200 a 250 cavalos, lançamos versões de entrada, para atrair aqueles clientes que tinham caminhões velhos, que pagam menos para depois migrar pouco a pouco para versões mais caras”, diz o executivo. Ele explica que assim a Iveco atacou o segmento que move 70% da economia argentina e conquistou a liderança a partir de 2010, com porcentual crescente que chega agora a quase um quarto das vendas do mercado.

Como a maior parte do país é plana, caminhões de média potência são os mais procurados. “Nessa faixa 70% das vendas são das versões de baixo custo e 30% das mais caras, enquanto para veículos acima dos 300 cavalos essa proporção se inverte”, diz o executivo.

Na Argentina, metade das vendas da Iveco é das linhas de modelos leves Daily e médios Vertis. Os outros 50% são justamente os fabricados no país, sendo 70% deles em versões de entrada, mais baratas.



Tags: Iveco, CNH Industrial, Argentina, Euro 5, Ecoline, diesel, motor, lançamento, caminhão, mercado.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência