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Kia encolhe 33% e vê 2016 pouco melhor
Gandini: México ajuda, mas não resolve problema da sobretaxação de IPI para carros acima do teto de 4,8 mil por ano

Importadores | 08/12/2015 | 19h00

Kia encolhe 33% e vê 2016 pouco melhor

Gandini terá cota do México e espera pelo fim do teto de importação

PEDRO KUTNEY, AB

A Kia este ano será no mercado brasileiro apenas uma pequena fração do que já foi. A estimativa é de fechar 2015 com 16 mil veículos vendidos, em retração expressiva de 33% sobre 2014, ou apenas cerca de um quinto do recorde histórico de 77,2 mil unidades atingido em 2011, antes de o governo brasileiro começar a aplicar sobretaxação de 30 pontos porcentuais de IPI para carros importados de fora do Mercosul e México. O imposto nas alturas derrubou as vendas e a alta do dólar tratou de enterrar qualquer possibilidade de resultado positivo.

“O que conseguimos vender foi com muito sacrifício. Perdemos dinheiro com a desvalorização do real e fomos obrigados a reduzir ainda mais os volumes, que já vinham caindo desde 2012 com a taxação”, explica José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil. A rede, que já chegou a 180 concessionárias, seguiu o ritmo de queda e encolheu para 125 lojas este ano.

Ainda assim, a projeção é de que 2016 seja pouco melhor para os negócios da marca coreana. “No próximo ano teremos cotas de importação da fábrica que a Kia está inaugurando no México, sem pagar o imposto de importação (de 35%). Não resolve todo o nosso problema, mas ajuda”, avalia Gandini. O “problema” ao qual ele se refere é o pagamento adicional de 30 pontos porcentuais do imposto sobre produtos industrializados (IPI), adotado desde 2012 pelo governo para todos os carros importados que excedam o teto máximo de 4,8 mil unidades. “Fomos a única marca que importou além da cota pagando os 30 pontos, mas agora com o dólar nesse patamar isso não é mais viável”, diz.

Com as cotas do México, Gandini projeta que as vendas da marca em 2016 voltem a ficar no patamar acima das 20 mil unidades/ano. O planejamento é vender 21 mil veículos, o que significará crescimento de 31% sobre este ano.

A unidade mexicana da Kia, que recebeu investimento de US$ 3 bilhões e tem capacidade para produzir 300 mil carros por ano, inicialmente será responsável pelo fornecimento de dois modelos ao Brasil: primeiro o sedã médio Cerato reestilizado, que começa a ser feito no México em março e deve chegar ao mercado brasileiro em junho, e o hatch médio Rio, também redesenhado, que só deve desembarcar por aqui no fim de 2016.

Apesar do cenário negativo que se desenha adiante, em mercado que Gandini calcula que possa cair abaixo dos 2 milhões de unidades em 2016, a Kia prepara diversos lançamentos. Em março chega ao Brasil o novo SUV Sportage, o modelo mais vendido da marca no Brasil, com cerca de 40% dos emplacamentos. No mesmo mês desembarca o também redesenhado sedã Optima. Em junho começa a vir o Cerato e em novembro o Rio, ambos mexicanos.

Também está em curso o investimento de R$ 35 milhões em um laboratório de emissões, que deve ser inaugurado em Salto, no interior paulista, em novembro de 2016. Instalado em 1,5 mil m2, o empreendimento é parte das obrigações de aportes em pesquisa e desenvolvimento que o importador é obrigado a fazer como habilitado no Inovar-Auto, para ter direito à cota de importação livre da sobretaxação de IPI.

FIM DO TETO DE IMPORTAÇÃO

Mesmo com o cenário político e econômico conturbado pelo qual atravessa o País, Gandini acredita que será colocado fim no teto de importação de 4,8 mil unidades sem a sobretaxação de IPI. O importador avalia que o governo retomará a proposta original que ele mesmo levou em 2011 ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), de adotar cotas livres dos 30 pontos de IPI equivalentes à média de importações dos últimos três anos, sem limite máximo.

“Como as importações de veículos já caíram muito nos últimos anos, ninguém tem média muito alta e as cotas serão pequenas, não vão afetar as contas externas do País”, argumenta Gandini. Mas ele admite que o momento é bastante inoportuno para falar em redução de impostos. “O ministro Armando Monteiro (MDIC) é favorável ao fim do teto, já conversamos sobre isso, mas é difícil levar isso ao ministro (da Fazenda) Joaquim Levy neste momento”, reconhece.

Gandini avalia, contudo, que a questão deveria ser abordada pelo lado da queda da arrecadação que o teto e a sobretaxação traz. “Em 2011 pagamos R$ 2,6 bilhões em impostos, este ano esse valor mal passa dos R$ 300 milhões. Então estão brigando por algo (os 30 pontos) que ninguém irá pagar”, define.



Tags: Kia, Gandini, mercado, projeção, mercado, previsão, México.

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