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Após ano perdido, Chery adia metas
Curi: “Aprendemos, vamos mais lentos, mas mais conscientes”

Indústria | 11/12/2015 | 20h25

Após ano perdido, Chery adia metas

Objetivo de 3% do mercado no Brasil fica para depois de 2020

PEDRO KUTNEY, AB

Luis Curi, vice-presidente da Chery Brasil, reconhece que quase todos os planos iniciais da empresa no País, feitos em 2011 quando foi assinado o projeto da fábrica brasileira, tiveram de ser reorientados ou modificados de acordo com os altos e baixos do mercado e da legislação, que restringiu a importação de carros e atrasou as ambições de crescimento da marca chinesa.

Curi enumera uma longa sucessão de percalços: “Em 2011 tomamos a rasteira do aumento do IPI para importados que era de 11% num dia e amanheceu em 41% no outro. Depois aguardamos mais um ano até que o governo divulgasse a primeira versão do Inovar-Auto para saber o que iríamos fazer como investidores no País. Começamos a construção da fábrica, que é um projeto sem volta, mas se soubéssemos que o mercado iria cair e mudar tanto, com certeza não teríamos acelerado o ritmo. Por fim, quando a planta ficou pronta em Jacareí, no início de 2015, o mercado era bem outro e logo de cara começamos a enfrentar greves. A primeira, em abril, parou a linha por um mês. Depois, em maio, durante uma tempestade, um raio destruiu nossa estação elétrica e paralisou tudo de novo. Com tudo isso, neste primeiro ano de operação produzimos em apenas seis meses.”

O executivo admite que muitos dos erros cometidos até o momento foram causados pela confiança no estudo de viabilidade que a Chery encomendou a uma consultoria antes de se instalar no País. “Focou-se muito nos números daquele momento e faltou ouvir mais o sentimento local. Eu deveria ter insistido mais nisso”, diz. A própria instalação em Jacareí, onde não recebe nenhum tipo de incentivo tributário, tornou mais difícil a obtenção de bons resultados financeiros. Para complicar ainda mais a vida, o sindicato local dos metalúrgicos é conhecido pela linha-dura nas negociações salariais.

Com tantos contratempos, “o resultado ficou muito abaixo do que planejamos e do que gostaríamos”, lamenta Curi. A Chery deve fechar seu primeiro ano de operação no Brasil com a produção de apenas 5 mil carros, mínima fração da capacidade instalada inicial de 50 mil unidades/ano após investimentos na planta que somam R$ 1 bilhão.

As vendas da marca chinesa no Brasil mal devem passar de 5,5 mil este ano, o que significa queda de 42% sobre as 9,5 mil unidades de 2014. É de fato muito abaixo do que havia sido planejado. No fim do ano passado a projeção para 2015 era de vender 30 mil carros. Passados os primeiros meses, a ambição desceu para 20 mil. Ainda assim muito alta para a realidade que derrubou o número para um quarto das expectativas. Como consequência direta e inevitável, a rede que somava 71 concessionárias no início do ano termina 2015 com 58 casas.

OBJETIVOS ADIADOS

“Após todas as dificuldades e mudanças desaceleramos a nossa velocidade. Aprendemos, vamos ser mais lentos, mas mais conscientes, em ritmo sustentado e com modelos mais apropriados aos clientes da região. Esperamos só em cinco ou seis anos atingir o objetivo inicial de alcançar participação de 3% a 4% do mercado”, diz Curi. Para 2016, com a fábrica operando normalmente e os lançamentos previstos, ele projeta que as vendas subam para 8 mil unidades no Brasil. “O mercado deve ser de 2 milhões a 2,1 milhões de unidades, mas isso não faz muita diferença para nós, porque somos muito pequenos ainda”, avalia.

“A fábrica deverá produzir entre 9 mil e 10 mil unidades, pois já estamos planejando começar a exportar para países da América do Sul”, revela o executivo. Segundo ele, já existem negociações firmes com Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. “A Venezuela também é um alvo importante para nós, a Chery vendeu 20 mil carros lá este ano (quatro vezes mais do que no Brasil), mas vamos ver como fica a situação por lá”, diz, em referência à instabilidade política e econômica do país. A Chery é a maior exportadora de veículos da China e a América Latina responde por cerca de 25% das vendas externas da montadora.

Para construir uma imagem de marca mais confiável e com produtos seguros, Curi revela que em 2016 a Chery vai patrocinar crash tests para avaliação pelo Latin NCAP de seus dois primeiros carros produzidos no Brasil, o Celer e o QQ – este último já foi testado em julho deste ano com péssimo resultado, não conseguiu nenhuma estrela. “O teste foi feito com um modelo sem airbags e que não vendemos mais na região. Em 2016 vamos poder mostrar nossa evolução com novos testes”, afirma.

PARQUE DE FORNECEDORES

Com a alta do dólar causando estragos na operação ainda bastante dependente de peças importadas, Curi garante que está mantido o plano de criar o parque de 25 fornecedores ao lado da fábrica em Jacareí, a maioria chineses, conforme foi anunciado em julho passado.

“O governo chinês já convocou alguns fornecedores para que eles venham ajudar a Chery no Brasil. O ritmo também será mais lento do que estava inicialmente previsto, mas já existem oito empresas negociando sua instalação. Será um núcleo da indústria automotiva chinesa em Jacareí”, afirma o executivo.

A fábrica de motores, que tinha começado a operar também no ano passado em outro terreno de Jacareí, agora foi transferida para uma área dentro da planta da Chery. As partes estampadas continuarão sendo importadas da China enquanto os volumes não justificarem o investimento em ferramental e prensas, que Curi diz precisa ser maior que 8 mil a 10 mil unidades/ano.

No mês passado, Roger Peng deixou a presidência da Chery Brasil, seis meses antes do que estava previsto no contrato. Ele e a família não se adaptaram à vida no País. Outro executivo chinês deve ser indicado ao posto até o fim do primeiro semestre de 2016. Enquanto isso, Curi toca as funções executivas da empresa e Thomas Wong assumiu interinamente a função de representante oficial da montadora.



Tags: Chery, Brasil, Jacareí, fábrica, investimento, Tiggo, Celer, QQ, projeção, mercado.

Comentários

  • Feliciano JR

    Já que a meta de Share de 3 % é só para 2020 , enquanto isso deveriam investir no pós vendas, principalmente no estoque de peças !!!!

  • Gastao doring

    Estes erros de avaliacao da direcao da chery fez que os distribuidores da marca acumulem um prejuizo de mais de duzentos milhoes de reais e os consumidores de 66000mil veiculos vendidos no brasil fiquem sem garantia de assistencia tecnica quem tem que pagar pelo erro? Quem errou!nao seria oportuno fazer uma materia sobre o assunto?

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