Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Produção de janeiro cai 30% e desce ao nível de 2003

Indústria | 04/02/2016 | 17h06

Produção de janeiro cai 30% e desce ao nível de 2003

Ociosidade da indústria chega a 60% por ajustes de estoques

SUELI REIS, AB

A indústria automobilística começou 2016 com níveis de produção quase 30% abaixo do registrado há um ano: no mês passado, as montadoras entregaram pouco mais de 145 mil veículos, entre leves e pesados, enquanto em janeiro de 2015 este total foi de 205,3 mil unidades, de acordo com dados divulgados na quinta-feira, 4, pela Anfavea, associação das fabricantes. Sobre dezembro de 2015 houve leve aumento de 1,6%. O volume de janeiro também representa uma ociosidade equivalente a 60% para uma indústria, considerando uma capacidade produtiva de 4,5 milhões de veículos por ano.

- Veja aqui os dados da Anfavea.

“O resultado da produção deste janeiro de 2016 se iguala ao nível de janeiro de 2003, portanto, 13 anos de recuo da indústria”, afirmou Luiz Moan, presidente da Anfavea, durante a apresentação dos resultados em São Paulo.

Segundo o executivo, o tombo no primeiro mês do ano já era esperado, uma vez que o mercado interno se mantém desacelerado, o que obriga as empresas a diminuírem o ritmo das linhas de montagem: “É uma queda forte, o que reflete a necessidade de ajuste de estoque por parte das associadas”, acrescenta Moan.

Todos os segmentos do setor apresentaram queda dos volumes de produção em janeiro, puxados pela profunda retração dos veículos comerciais pesados: caminhões caíram 50,5% no comparativo anual, para 4,2 unidades, enquanto chassis de ônibus, com 1,1 mil unidades, recuaram 48,9%. Leves somaram 139,7 mil unidades, 28,2% a menos do que em janeiro de 2015, quando as linhas entregaram 194,7 mil veículos. Enquanto automóveis recuaram 25,9%, com 122,9 mil, comerciais leves diminuíram seus volumes em 41,5%, para 16,8 mil.

Com isso, o setor encerrou o primeiro mês do ano com 254,3 mil veículos em estoque, dos quais 179,2 mil nas concessionárias e os demais 75,1 mil nos pátios das montadoras. O total é suficiente para 49 dias de vendas contra os 52 dias registrados em 31 de dezembro, considerando a média diária de vendas de janeiro. “É um nível demasiadamente alto, com isso nosso nível de produção deve continuar sendo ajustado nos próximos meses”, disse Moan, acrescentando que considera 30 dias de estoque o ideal para a indústria.

O executivo manteve as projeções para o ano apresentadas no início de janeiro. As montadoras preveem encerrar 2016 com 2,44 milhões de unidades produzidas sobre as 2,42 milhões de 2015, o que representaria leve aumento de 0,5%. Segundo a Anfavea, este resultado será puxado pelo segmento de comerciais pesados, que deve aumentar 12,8% este ano, para algo como 107,8 mil unidades, entre caminhões e ônibus, enquanto leves devem beirar a estabilidade, com as mesmas 2,33 milhões de unidades.

EMPREGO

Segundo Moan, o nível de empregos na indústria ficou “relativamente estável” ao passar de 129,8 mil em dezembro para 129,4 mil trabalhadores em janeiro, leve recuo de 0,3%. Já na comparação com janeiro de 2015, quando o nível de empregos era de 144,2 mil, a queda foi de 10,2%.

Atualmente, cerca de 41,9 mil trabalhadores do setor estão cumprindo algum tipo de acordo, dos quais 35,6 mil aderiram ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego) e os demais 6,3 mil afastados por layoff. Além disso, mais montadoras já confirmaram outras medidas como licença remunerada (leia aqui) ou extensão de folgas na semana do carnaval.

“Isso reflete o excedente de pessoal que temos nas nossas empresas”, afirma Moan.

Confira, em vídeo, o balanço dos resultados da indústria automotiva em janeiro de 2016:



Tags: Produção, estoque, ociosidade, Anfavea, montadoras, Luiz Moan.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência