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16/02/2016 | 20h00

Lançamentos

Fiat Toro valoriza projeto nacional

Picape inovadora foi desenvolvida no Brasil com qualidade global


PEDRO KUTNEY, AB | De Campinas (SP)

Toro: picape com jeito de veículo de passeio
No que definiu como sendo “um encontro inspirado de ideias”, o presidente da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) América Latina, Stefan Ketter, apresentou o primeiro lançamento da empresa desde que assumiu o comando na região: a picape de cabine dupla Fiat Toro, o segundo modelo (depois do Jeep Renegade) de uma das fábricas mais modernas e eficientes do mundo, que ele coordenou pessoalmente a instalação em Goiana (PE). Mais do que isso, a Toro é um caso raro de desenvolvimento automotivo nacional que tende a se globalizar como produto de qualidade internacional – bem ao contrário do que costuma acontecer há anos por aqui, com a adaptação depenada de veículos globais ao mercado regional ou, pior, de criação local com baixa qualidade.

Com investimento em torno de R$ 1 bilhão, parte integrante do programa de R$ 15 bilhões do grupo entre 2011 e 2016, a FCA criou no Brasil algo novo que pode ser aceito em muitos lugares do mundo, com 75% de conteúdo de componentes nacionais. Além da estimativa de vender 50 mil unidades da Toro por ano só no mercado brasileiro, a estimativa é de exportar ao menos 10 mil/ano. Os embarques para fora do País devem começar partir do meio deste ano para toda a América Latina. Já existem conversas para vendê-la também nos países da Europa e América do Norte, a começar pelo México e provavelmente com a marca Ram de picapes do grupo. Ainda não existem planos concretos de fabricar a Toro em outras plantas da FCA no mundo, embora Ketter admita que essa pode ser uma possibilidade. “Mas a prioridade no momento é fazer aqui e tornar o Brasil uma base exportadora”, enfatiza o executivo.

“É difícil uma empresa multinacional dar autonomia de desenvolvimento e design a uma subsidiária. Mas o desenho criativo da Toro e suas soluções inovadoras comprovam a capacidade que temos de fazer isso aqui com qualidade internacional. Queremos ser mais autônomos e verticais no Brasil. Por isso o departamento de design já responde diretamente a mim. A ideia é trabalhar com mais liberdade para aproveitar integralmente a capacidade que temos aqui”, afirma Ketter. E segundo ele a Toro é só o começo desse processo que promete ganhar corpo nos próximos três anos, dentro do plano de renovação integral dos produtos FCA na região.

Ketter conta que a ideia de fazer a Toro no Brasil nasceu há cerca de dois anos, quase ao mesmo tempo em que ele se mudou para Recife para coordenar as obras da nova fábrica pernambucana do grupo. Segundo o executivo, inicialmente foi difícil convencer a diretoria da empresa a aprovar o projeto, mas quando um protótipo foi mostrado ao alto comando da empresa, justamente por ocasião da inauguração da planta de Goiana, não restaram mais dúvidas. “O design diferente e marcante logo conquistou a todos”, relembra.

PARADIGMAS QUEBRADOS


As versões com motor diesel e tração 4x4 da Toro combinam bom desempenho no asfalto e na terra, misturando robustez e capacidade de carga de uma picape com conforto e estabilidade de um veículo de passeio

Cheia de criativas boas ideias a mostrar, a Toro que chega às concessionárias brasileiras no fim de fevereiro é de fato um veículo que quebra paradigmas, principalmente porque promove a simbiose de automóvel com picape, na forma de um veículo com caçamba montado em monobloco, ao contrário do pesado e instável chassi-cabine usado nas caminhonetes médias. Ainda assim, o novo modelo da Fiat é maior do que as picapes derivadas de automóveis, pois na verdade foi pensada como derivada de um utilitário esportivo (SUV), por isso a montadora quer chamá-lo de SUP, de Sport Utility Pick-Up.

“Nosso objetivo foi lançar uma picape com o mesmo conforto e dirigibilidade de um sedã e capacidade offroad de um SUV”, resume Carlos Eugênio Dutra, diretor de produto da FCA e da marca Fiat para a América Latina. “Por muito tempo observamos o comportamento do mercado de picapes. As médias cresceram bastante, ficaram grandes, e deixaram espaço entre elas e as pequenas (derivadas de automóveis compactos, como Fiat Strada e Volkswagen Saveiro)”, diz Dutra ao explicar a oportunidade vista pela empresa de lançar um tamanho intermediário – algo também visto e aproveitado um pouco antes pela Renault no Brasil, que em outubro passado lançou a Oroch, derivada do seu SUV Duster.

No discurso, os executivos da Fiat dizem não considerar a Oroch uma rival da Toro. Na prática são concorrentes e prova disso é que as duas montadoras estão se engalfinhando em uma guerra de comunicação para dizer quem chegou primeiro. A verdade é que existem sim grandes diferenças entre as novas picapes intermediárias do mercado, mas o mais provável é que os preços tratarão de colocar ordem nesse combate. Os valores pedidos pela Renault vão de R$ 62 mil a R$ 71 mil, com opção de motorização flex 1.6 ou 2.0 e só com câmbio manual, enquanto a Fiat Toro de entrada, a Freedom Flex 1.8, custa R$ 76,5 mil e está disponível apenas com transmissão automática de seis velocidades, importada e fornecida pela japonesa Aisin.

Mas há outras grandes diferenças que colocam a Toro em patamar superior, a começar pelo acabamento melhor e tamanho: a picape da Fiat é 22 cm mais comprida (4,91 m), 2 cm mais larga (1,84 m) e o entre-eixo de 2,99 m é 17 cm mais longo que o da Oroch, o que no conjunto garante maior capacidade na caçamba e conforto para quem viaja no banco de trás da cabine dupla. A lista de equipamentos de série da Toro também é maior, incluindo o controle eletrônico de tração e estabilidade (ESC e ASR) desde a versão mais básica, além de itens como ar-condicionado, direção elétrica, sistema de som, acionamento elétrico de travas, vidros e retrovisores e assistência elétrica de abertura e fechamento da bem bolada tampa bipartida da caçamba.

A opção de motorização flex 2.0 de 148 cv com preço menor do que a Toro 1.8 de 139 cv é a única vantagem da Oroch, mas com perda de economia de combustível e conforto menor sem o câmbio automático. Apesar de ter retrabalhado seu motor 1.8, com adoção de coletor variável de admissão de ar para garantir maior equilíbrio entre torque e potência, ele ainda continua fraco (como se nota também no Renegade) para puxar um carro de 1,6 tonelada e fica pior para levar a capacidade total de carga de 650 kg. Não à toa, segundo medições da própria montadora, são necessários turísticos 12 segundos para fazer a Toro 1.8 ir de 0 a 100 km/h. É econômica, recebeu nota A do Inmetro, porém não vai agradar quem quer mais desempenho. A turboalimentação faz falta.

Mesmo com a motorização fraca, a Fiat calcula que o efeito novidade, com design que chama a atenção, fará com que a versão 1.8 represente de 35% a 40% da vendas da picape. O resto será dividido entre as três versões 2.0 turbodiesel, com desempenho bastante superior – e preços também.

DIESEL MAIS BARATO DO MERCADO

Outra quebra de paradigma trazida pela Toro ao Brasil é que ela é a opção diesel mais barata do mercado, em função da proibição deste tipo de motorização no País para veículos leves, com exceção de modelos com tração 4x4 ou que têm capacidade de carga superior a 1 tonelada. A Toro atende esta última condição, por isso pode ser equipada com o eficiente motor turbodiesel 2.0 de 170 cv (importado pela Fiat da Europa) já a partir da versão Freedom 4x2 com câmbio manual de seis marchas, que em preço sugerido de R$ 93,9 mil – qualquer outro modelo diesel no Brasil custa acima de R$ 100 mil.

A primeira versão diesel com tração integral da Toro, a Freedom 4x4, também equipada com câmbio manual de seis marchas, já ultrapassa os R$ 100 mil, será vendida inicialmente a R$ 101,9 mil. A opção topo de linha é a Volcano, recheada de equipamentos, que por R$ 116,5 mil traz também a eficiente transmissão automática de nove velocidades, também importada e fornecida pela alemã ZF. Ambos os modelos têm um seletor eletrônico para escolher entre três tipos de tração: automático 4x2 ou 4x4 (escolhe automaticamente conforme a condição de uso), 4x4 regular e 4x4 reduzida (low, para pisos mais difíceis e com pouca aderência).

Para o lançamento, a Fiat vai colocar à venda uma versão especial da Toro 1.8 flex, a Openning Edition, que traz de série os mesmos equipamentos da Volcano, incluindo o sistema multimídia com navegação por GPS, câmera de ré, capota marítima e rodas de liga leve, entre outros.


Assessórios da Mopar: bolsa para caçamba (esquerda) e divisor móvel de carga

Por meio da divisão Mopar, é oferecida para a Toro uma ampla e criativa lista de acessórios originais, dos quais entre os mais úteis estão bagageiros de teto e de caçamba, divisor móvel de carga, bolsas e um bem bolado extensor de caçamba embutido nas duas partes da tampa bipartida, que aumenta em 407 litros o já generoso espaço traseiro de 820 litros e inclui duas lanternas e uma placa adicionais, em substituição aos originais que ficam encobertos quando o extensor está sendo usado.


A interessante tampa bipartida da caçamba da Toro (esquerda), que pode receber um extensor embutido dentro das portas com lanternas e placa adicionais (direita)

TRABALHO CAPRICHADO

A engenharia e os designers da FCA no Brasil executaram um trabalho caprichado no projeto da Fiat Toro, sem direito às costumeiras adaptações e bastante acima da média do que normalmente é feito pelas montadoras instaladas no País. “Começamos do zero, com o objetivo inicial de entender o cliente de um segmento totalmente novo. Por isso o design também precisava sair da caixa. Desconstruímos tudo para não fazer a mesma coisa. O resultado foi um veículo diferente, uma picape que conserva sua robustez ao mesmo tempo em que tem traços alongados de um modelo esportivo”, diz Dutra. “Também tivemos especial atenção para que no interior a qualidade do acabamento trouxesse sensação de conforto, com a criação de um ambiente acolhedor na cabine e uma posição de dirigir com o mesmo padrão de conforto de um sedã”, acrescenta.


O bem-acabado interior da Toro: o painel de instrumentos tem tela configurável onde pode-se ver até a pressão dos pneus (no alto, à esquerda)

A Toro recebeu 40 centrais eletrônicas que controlam todo o funcionamento do veículo e trazem funcionalidades inéditas em carros nacionais. Bom exemplo disso é a função “remote start”, que permite ao motorista ligar o veículo e seu ar-condicionado a uma distância de até 50 metros, para entrar no veículo já refrescado. A central multimídia também pode ser controlada por voz para tocar músicas, receber e enviar mensagens e falar ao telefone. No centro do painel de instrumentos, entre o velocímetro e o conta-giros, uma tela mostra informações do carro (como consumo, quilometragem e pressão dos pneus) e da navegação, configurável conforme o gosto de quem dirige. A programação que faz tudo funcionar foi a primeira desenvolvida totalmente pela engenharia brasileira da companhia.

Para garantir a robustez necessária a uma picape montada em monobloco, 85% da estrutura metálica da carroceria da Toro é feita com aços de alta e ultra alta resistência. O resultado foi uma rigidez torcional 2,5 vezes maior do que a vista em um hatch médio, segundo técnicos da FCA. Eles asseguram que após 1 milhão de quilômetros rodados em testes sob diversas condições de piso, com e sem carga, nenhuma trinca ou fissura foi detectada no veículo.

E para dar à picape o mesmo comportamento dinâmico mais estável de um sedã, com robustez suficiente para encarar estradas de terra, o projeto da suspensão foi outro desafio para os engenheiros, que escolheram entre quatro configurações possíveis. A escolha final recaiu sobre a suspensão traseira multi-link, para evitar as saídas de traseira típicas de picapes em curvas e assim dar comportamento de um veículo de passeio à Toro. Para aumentar conforto, estabilidade e segurança, foram adotadas molas com flexibilidade variável, com curso de 220 mm, maior do que os 180 mm normalmente usados por picapes médias.

Pelo conjunto da obra, mais do que representar ineditismo de segmento, a Toro representa uma inédita criação da engenharia automotiva brasileira, que por isso merece respeito e a torcida para que seja o primeiro de muitos carros de qualidade que possam ser desenvolvidos no Brasil.

Confira abaixo todos os preços da Fiat Toro:

Freedom 1.8 Flex AT6 4x2: R$ 76.500
Openning Edition 1.8 Flex AT6 4x2: R$ 84.400
Freedom 2.0 Turbodiesel M6 4x2: R$ 93.900
Freedom 2.0 Turbodiesel M6 4x4: R$ 101.900
Volcano 2.0 Turbodiesel AT9 4x4: R$ 116.500

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