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Powels começa a mudar Volkswagen no Brasil
Powels no lançamento do Gol: novo pensamento para recuperar força da VW no Brasil

Indústria | 23/02/2016 | 22h30

Powels começa a mudar Volkswagen no Brasil

Há um ano no comando, executivo adota nova estratégia para a empresa

PEDRO KUTNEY, AB

Há cerca de um ano no comando da Volkswagen do Brasil, o sul-africano David Powels começa a adotar medidas para mudar o curso da empresa icônica da indústria automobilística brasileira, que nos últimos três anos vem batendo recordes negativos de perda de participação na preferência dos brasileiros – terminou 2015 em terceiro lugar no País, com 14,5% de market share e queda das vendas de 37,6% sobre 2014, dez pontos porcentuais acima da média do mercado.

“Tivemos um ano extremamente difícil em 2015 e 2016 não será diferente. Apenas metade da capacidade de produção da indústria está sendo utilizada, deixando todos em situação crítica. Nesse cenário, o que estamos fazendo é preparar a empresa para o futuro, com a adoção de uma nova estratégia”, disse Powels na segunda-feira, 22, durante o evento de lançamento dos novos Gol e Voyage leia aqui).

Segundo Powels, desde setembro do ano passado foi implantado um programa com seis pilares de atuação: imagem, produtos, clientes, pessoas, fábricas e fornecedores. “Isso já gerou 300 projetos internos de melhorias em diversos níveis”, contou.

No departamento da imagem, Powels quer design de produtos mais atraente e tornar a marca mais humana e emocional. O arrogante e racional slogan Das Auto (O Carro) está sendo abandonado, para dar lugar simplesmente ao nome da marca, Volkswagen, que poderá vir acompanhada da assinatura “inspirada na sua vida”. Ao mesmo tempo, foram iniciadas ações para melhorar o relacionamento da rede com os clientes, com o objetivo de transmitir mais segurança e, com isso, retomar a lealdade perdida dos consumidores brasileiros.

Os produtos vão mudar bastante. O plano é investir fortemente no desenvolvimento de quatro novos carros nos próximos quatro anos, que segundo Powels “serão produzidos sobre uma plataforma mais moderna”. Comenta-se no mercado que a intenção é fazer mais veículos sobre a plataforma global modular da marca a MQB, que poderá ser usada no Gol e seus derivados. “Já fazemos hoje um modelo global em cada planta, o Jetta em São Bernardo, o Golf em São José dos Pinhais e o Up! em Taubaté. E não vamos parar por aí.”

Produtos mais globalizados serão fundamentais para seguir aumentando as exportações. Powels destacou que as vendas externas da Volkswagen cresceram 35% em 2015 na comparação com 2014, um porcentual consideravelmente acima da alta média de 25% da indústria.

Também haverá modernização das quatro unidades de produção no Brasil (São Bernardo do Campo, Taubaté, São José dos Pinhais e São Carlos). “Entre as mais de 50 fábricas que o grupo tem no mundo, estaremos entre as 10 mais produtivas”, resume Powels.

O executivo também reconhece a situação crítica dos fornecedores e diz que a Volkswagen vai ajudá-los, pois entende que sem eles não conseguirá progredir em seus planos. “Estamos traçando planos para introduzir novas tecnologias, orientar na redução de custos e aumentar a produtividade, para que os fornecedores tenham a sustentabilidade financeira de que precisam”, defende.

No centro de tudo Powels diz que estão as pessoas, os colaboradores da Volkswagen no Brasil. “Elas são a base de tudo, é o que fará a diferença”, diz. Entre as 10 características que o executivo quer impor à companhia no País, a primeira é “ser reconhecida como uma empresa vencedora”.



Tags: Volkswagen, VW, indústria, estratégia, David Powels.

Comentários

  • Alexandre

    Eu gostava do slogan: "Você conhece, você confia" que aparecia todo domingo no jogo de Futebol. Acho que nunca deveriam ter abondonado esse... mas esse é o tipo de coisa que deve vir top down da Alemanha.

  • Walter

    Muito boa e mais do que adequada, a nova postura adotada pelo novo presidente da VWB. Apesar dos vários predicados dos veículos VW, é preciso correr atrás do prejuízo de dormir em berço esplêndido. O Brasil mudou e o consumidor requer veículos que não sejam modernos "além" fortes, resistentes e duráveis. Hoje se encontram equipamentos em veículos Fiat, GM, Ford e outros, que em veículos VW custam muito mais caro... ainda como antigamente.... e foi isso que levou a clientela a migrar para outros produtos de outras montadoras. A questão das emissões, não teve impacto no mercado nacional, que já estava em queda antes.

  • Abraham Lincoln Ribeiro

    Muito interessante ler que as vendas externas cresceram 35% em 2015 e que estamos entre as 10 mais produtivas do mundo entre 50 da marca. Isso mostra que, apesar de todo pessimismo alardeado, as bases da indústria automobilística no Brasil são sólidas. Que a indústria no Brasil não vai "acabar amanhã" como tentam nos induzir.

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