Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias
Com crise no automotivo Ceva mira outros setores

Negócios | 24/03/2016 | 17h53

Com crise no automotivo Ceva mira outros setores

Empresa estima crescer 15% neste ano impulsionada por energia e health care

SUELI REIS, AB

Diante da profunda crise que assola o setor automotivo no Brasil, que já foi a menina dos olhos da Ceva Logistics, outros segmentos deverão aumentar neste ano sua participação na composição da receita da companhia, cujo crescimento é estimado entre 10% e 15% na América do Sul, sendo que o Brasil responde por 70%. Por aqui, estão na mira setores como o de energia, incluindo os segmentos solar e eólico, health care (farmácia e cosméticos), além de tecnologia e bens de consumo.

“A Ceva chegou ao Brasil justamente para atender o setor automotivo. Começamos com a Fiat, estendendo naturalmente para outras marcas. Sua representação, portanto, era de 100% dos negócios no início das operações”, conta Nadia Ribeiro, vice-presidente da Ceva e responsável pela América do Sul. “Hoje, o share automotivo corresponde a 40%”, revela a executiva durante a apresentação do balanço financeiro da companhia, na quinta-feira, 24, em seu primeiro encontro com a imprensa após retornar ao País para assumir o novo cargo há pouco mais de um mês (leia aqui).

Embora o segmento automotivo tenha diminuído sua fatia de representação na Ceva, a empresa aposta na continuidade do desenvolvimento das atividades dentro do setor, acentua o vice-presidente de desenvolvimento de negócios para a América do Sul, Fábio Mendunekas: “Nosso escopo de serviços é amplo e completo, com isso, mesmo com volumes menores, vamos continuar gerando novos clientes da cadeia automotiva e até mesmo ampliando a oferta dos pacotes de gerenciamento para os que já são clientes. Também trabalhamos no aftermarket, abastecendo redes de concessionárias, o que acaba compensando em parte a menor atividade para OEM. Somos inclusive responsáveis por 100% deste serviço para uma das marcas atuantes no Brasil”, complementa o executivo.

Crescer no cenário adverso como o da América do Sul e principalmente no Brasil requer entender as necessidades locais e isso significa inovar. “Os clientes procuram hoje gerenciar seu custo. Esta é obviamente a primeira das preocupações que eles nos trazem hoje. Nosso papel é mostrar que a solução logística pode deixar os processos da cadeia mais ágeis, que os projetos certos podem melhorar o fluxo e o controle e tudo de uma forma customizada”, defende.

Além disso, o momento favorável do câmbio começa a atrair mais empresas para as exportações: “As margens ainda são menores, mas os volumes cada vez maiores e o aumento dessa atividade acabam compensando as baixas do mercado interno”, comenta Nadia.

“Temos percebido um movimento crescente na atividade, de empresas do setor automotivo, inclusive, que começaram a exportar, algo que não faziam antes”, acrescenta Mendunekas. Segundo Nadia, as exportações totais gerenciadas pela empresa devem crescer em torno de 10% a 12% a partir do Brasil. “Para este ano, estamos voltados para ampliar os negócios em exportações de commodities (em contêineres) e também em alguns manufaturados.”

Embora seja um gerenciador logístico de cadeia de suprimentos, a empresa é baseada no modelo de não ativos, ou seja, mantém estreita parceria com outras companhias que prestam serviços dedicados, como as 50 transportadoras que mantém em seu escopo no Brasil, algumas delas exclusivas para a Ceva. Entre seus pacotes de serviços, estão transporte internacional (importação e exportação via marítimo ou aéreo), armazenamento, desembaraço aduaneiro, transporte rodoviário entre outros.

GESTÃO ALINHADA

Em sua administração, Nadia seguirá com a nova estratégia global da empresa, implementada em 2015 pelo CEO global, Xavier Urbain, que visa simplificar a gestão e escopo da companhia. “Foi um dos motivos que me fez retornar ao Brasil. Além de voltar para casa, me encantou a ideia de ajudar na continuidade de um modelo de negócio operacional cujo sucesso é absoluto já em seu primeiro ano. Isso eliminou uma camada intermediária, facilitou todos os processos, a empresa ficou mais ágil. No cargo em que atuo, as decisões são tratadas diretamente com o Xavier”.

A empresa colheu frutos de sua nova administração, repensada ainda em 2014 pelo CEO mundial: encerrou 2015 com faturamento de US$ 7 bilhões, sendo a América do Sul responsável por até 10% deste total. A companhia anotou crescimento de 22% do Ebitda no comparativo com o ano anterior, para US$ 292 milhões.

“A nova estratégia está produzindo resultados positivos, mesmo com o cenário econômico volátil. Das 17 regiões em que estamos divididos (clusters), 15 apresentaram o desempenho esperado ou acima das expectativas para o ano, o que mostra que o modelo operacional está funcionando”, comemora Nadia.

O Ebitda na área de gerenciamento de fretes aumentou consideráveis 241%, para US$ 70 milhões, enquanto a área de contratos logísticos cresceu em ritmo menor, de 1,5%, para Ebitda de US$ 202 milhões.

Cerca de 75% dos maiores clientes da empresa estão concentrados em 10 países.



Tags: Ceva, logística, setor automotivo, crise, Nadia Ribeiro, gerenciamento, cadeia de suprimentos.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência