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Conjuntura | 28/03/2016 | 19h30

Brasil: recuperação do nível de atividade ocorrerá somente no fim de 2019

Octávio de Barros aponta 2016 como o ano da resolução das incertezas

REDAÇÃO AB

Texto alterado às 15h00 em 29/03/2016.

O economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros, fez previsões bem realistas da economia brasileira durante o VII Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business no Golden Hall do WTC na segunda-feira, 28. Segundo ele, 2016 poderá ser um ano de resolução das incertezas, sobretudo no plano político, e isso favorece alguma retomada de atividade até o fim do ano.

“Para o País voltar ao patamar de atividade de março de 2014 (pico de atividade na ótica do PIB) isso só deverá ocorrer ao fim de 2019”, ressaltou. Em outras palavras, Barros reforçou que com a forte queda de atividade dos últimos anos, a recuperação ocorrerá, mas levará ainda um tempo longo até o País retornar ao melhor momento do nível de atividade, que foi em março de 2014.

“Ninguém vive sem cenário. A volta da previsibilidade, sobretudo política, é fundamental para a melhora do cenário econômico”, enfatizou Barros.

Para ele, o Brasil nunca esteve tão próximo de avançar em relação às reformas tão necessárias para o País. “Digo isso não por esperar algo no curto prazo, mas por perceber que um consenso começa finalmente a se forjar em relação a temas efetivamente relevantes. A crise de certa forma favorece determinados avanços.”

Em sua apresentação, Barros elencou as quatro únicas agendas relevantes que podem mudar a história econômica do Brasil em relativamente pouco tempo: agenda da governança e orçamentária, e portanto, fiscal, que passa por desvinculações e qualidade do gasto público; agenda do aumento da potência política monetária – para questões de dualismo do crédito, indexação e meta menor; agenda da produtividade, o que inclui revisões de questões tributárias, trabalhistas, educação e abertura; e por fim a agenda de infraestrutura, que passa pelo foco nos mercados de capitais e também em um BNDES mais focado, garantias de mercado, além de segurança jurídica.

No caso da reforma da previdência, o economista considera que é impostergável o seu ajuste. “A população em idade ativa no Brasil cresce 0,5% ao ano e a população acima de 60 anos cresce a 4,2% ao ano. Desse jeito é claro que o carro vai bater no muro.”

Segundo Barros, as regras da previdência devem estar vinculadas à tábua de mortalidade do IBGE. “As pessoas precisam entender que apoiar reformas como a da previdência é apoiar o fortalecimento do estado do bem-estar brasileiro e não o contrário. O Brasil não pode se dar ao luxo de abrir mão da proteção social, precisa apenas fazer com que o gasto social seja mais eficiente.”

Com relação às previsões, o economista trabalha com uma queda importante da inflação de 6,5% em 2016 e próxima do centro da meta em 2017. Considera que com alguma pacificação dos conflitos políticos, a taxa de câmbio tende a se situar em torno de R$ 3,65/US$ no fim deste ano e também em 2017. Ele ainda prevê taxa Selic em torno de 10% no fim de 2017 ou mesmo taxa de apenas um dígito.

“Depois de uma queda esperada do PIB de 3,5% em 2016, a economia poderá surpreender com um crescimento em torno de 2% em 2017, dependendo é claro do equacionamento da crise política.”

Ele encerrou concluindo que “confiança é tudo, ou quase tudo, é a forma mais barata de estímulo econômico”.



Tags: Economia, produtividade, mercado, Octavio de Barros, Bradesco, Fórum da Indústria Automobilística.

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