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PSA lança seu três-cilindros no País

Indústria | 29/03/2016 | 21h00

PSA lança seu três-cilindros no País

PureTech 1.2 Flex vem importado da França e estreia no novo Peugeot 208

PEDRO KUTNEY, AB

Com a promessa de entregar aos clientes “o motor mais econômico do Brasil”, a PSA Peugeot Citroën vai lançar em maio o novo Peugeot 208 equipado com propulsor três-cilindros 1.2 de 90 cavalos, a primeira versão flex gasolina-etanol da família PureTech de motores que começou a ser produzida há pouco mais de dois anos na França. A PSA informa que investiu R$ 200 milhões para desenvolver na subsidiária brasileira a reestilização do carro e a opção bicombustível do motor, que ao menos por enquanto será importado da França. Com isso, irá elevar o conteúdo estrangeiro do 208, que segue sendo produzido na fábrica brasileira de Porto Real (RJ).

“Fizemos muitas contas e chegamos à conclusão que neste primeiro momento, até ver como a situação vai se comportar no Brasil, a melhor opção de custo-benefício seria de importar o motor. Claro que nossa vontade é produzir aqui e isso sempre será considerado, mas é preciso ter escala maior, acima de 80 mil unidades/ano”, explica Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën América Latina. Sem antecipar datas, Gomes admite que é um caminho natural a utilização do novo três-cilindros também na linha Citroën do grupo, especialmente no C3. Ainda assim, o volume de vendas de ambos os modelos no mercado brasileiro não atinge a escala citada, que poderia ser buscada pelo aumento das exportações. Segundo o executivo, a linha de produção de motores de Porto Real pode fazer o PureTech, mas precisa receber alguns investimentos para isso.

O plano inicial era produzir a linha PureTech no Brasil. Em outubro de 2013, quando iniciou a fabricação da nova família de motores na França, a PSA havia declarado que a intenção era começar a fazer o 1.2 três-cilindros aspirado a partir de 2015 e no ano seguinte a versão turbinada, também oferecida na Europa (leia aqui). A queda abrupta do mercado brasileiro, mais aguda ainda para Peugeot e Citroën, fez a escala necessária desaparecer e o projeto foi alterado. “Acreditamos que o 1.2 aspirado é no momento a oferta de custo mais adequada que podemos fazer”, disse Gomes, em resposta à pergunta sobre não oferecer aqui a opção com turbo do PureTech.

METAS DO INOVAR-AUTO

Importar o motor foi a maneira que a PSA encontrou de ter o mais rápido possível no Brasil um produto com baixo nível de consumo de combustível, para dessa forma tentar buscar os incentivos extras previstos no Inovar-Auto, que prevê desconto no IPI de até dois pontos porcentuais para os fabricantes que conseguirem superar as metas de eficiência energética estipuladas pelo programa. As medições serão feitas a partir de setembro próximo para valer em 2017.

O Peugeot 208 1.2 já ganhou nota A na etiquetagem veicular do Inmetro e atinge com folga o objetivo do Inovar-Auto, mas a PSA só vai obter o benefício fiscal se o carro for bem vendido, pois o incentivo é concedido com base no consumo médio de todos os produtos comercializados por ambas as marcas do grupo, Peugeot e Citroën – por isso a fabricante ainda não sabe se de fato conseguirá obter o abatimento adicional de IPI.

Segundo a PSA, o consumo do PureTech Flex 1.2 de 90 cavalos é 20% menor do que o atual motor 1.5 de 93 cavalos, oferecido atualmente no Citroën C3 e Peugeot 208. Por isso a tendência natural é a descontinuação da oferta das versões 1.5, já que o 1.2 tem o apelo da economia com a mesma performance – e assim ajudará a montadora a elevar a eficiência energética do seu portfólio para obter o incentivo do Inovar-Auto.

De acordo com as mais recentes medições do Inmetro, o novo três-cilindros da PSA também é o que menos consome entre todos os concorrentes aspirados, incluindo Volkswagen Up! e Ford Ka equipados com motores três-cilindros de 1 litro. Em ciclo urbano, o Peugeot 208 1.2, que só será oferecido com câmbio manual de cinco marchas, apresentou autonomia de 10,9 km/l e 15,1 km/l com etanol e gasolina E22, respectivamente. Na estrada os números são de 11,7 km/l e 16,9 km/l. Em experiência própria da montadora em um percurso de pouco mais de mil quilômetros entre São Paulo e Brasília, com velocidade média aferida de 84 km/h, o novo 208 conseguiu fazer 20 km/l com gasolina e ar-condicionado ligado.

“Escolhemos aplicar o 1.2 no Peugeot 208 porque essa é a melhor relação que encontramos entre potência e eficiência. Um motor menor significa que é preciso acelerar mais e isso aumenta o consumo. Já um motor maior garante mais desempenho mas gasta mais”, explica Diógenes Oliveira, diretor de powertrain da PSA no Brasil. Segundo ele, a versão flex do PureTech foi desenvolvida durante três anos com o envolvimento de 150 profissionais localizados no centro de engenharia da empresa em São Paulo. O desenvolvimento incluiu 5,4 mil horas em testes de bancada na planta de Porto Real e 400 mil quilômetros rodados.

Oliveira destaca que os principais atributos do PureTech se concentram em três pilares: dimensões compactas e baixo peso, de apenas 61,5 kg com bloco e cabeçote de alumínio; menos atrito com uso de materiais especiais, correia banhada em óleo e redução de peças móveis em três cilindros; e maior eficiência de combustão com uso de duplo comando variável de válvulas e maior taxa de compressão. A relação de marchas também foi calibrada para o uso em condições brasileiras. “Todo o projeto foi focado em extrair o máximo rendimento de cada gota de combustível”, diz o engenheiro.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Carlos Gomes para a ABTV:



Tags: PSA, Peugeot, Citroën, motor, powertrain, três-cilindros, PureTech 1.2 Flex, indústria, investimento.

Comentários

  • Ricardo

    excelente novidade !

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