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Indústria | 06/05/2016 | 19h56

Marcopolo estuda fechar fábrica da Neobus no RJ

Crise também leva a fabricante a repetir redução de jornada em Caxias do Sul

SUELI REIS, AB

Por causa da queda expressiva dos negócios nos primeiros meses do ano (veja balanço abaixo) a Marcopolo estuda fechar uma das fábricas da Neobus localizada no Rio de Janeiro, no município de Três Rios, inaugurada em 2014 e para a qual a empresa havia investido R$ 100 milhões para a sua construção (leia aqui).

“A unidade [da Neobus em Três Rios] está reduzindo o efetivo e a produção. A tendência é de que há boas chances de fechar dentro do processo de adequação de fábrica que estamos estudando”, declarou o CEO da Marcopolo, Francisco Gomes Neto, na ocasião da apresentação dos resultados do balanço financeiro da empresa na quarta-feira, 4, em uma teleconferência com investidores e imprensa.

Segundo o executivo, a empresa está trabalhando em um novo plano diretor que leva em conta as ações de sinergias das cinco fábricas da Marcopolo no Brasil – Ana Rech e Planalto em Caxias do Sul (RS), Duque de Caxias (RJ) e as da Volare em Caxias do Sul (RS) e São Mateus (ES) – com as duas da Neobus, também em Caxias do Sul e Três Rios (RJ), além da unidade fabril do México. A Neobus foi comprada pela Marcopolo em novembro do ano passado (leia aqui).

“O nosso novo plano diretor leva em conta a idade da planta e o planejamento considerando a demanda atual e a futura para estamos mais preparados de forma mais eficiente e competitiva”, afirmou. Segundo ele, o plano deve ser concluído nas próximas semanas, em até 60 dias, e deverá ser implementado após a aprovação do conselho de administração.

Além disso, foi aprovada com 80% de adesão a flexibilização da jornada de trabalho nas duas unidades de Caxias do Sul. A apuração da votação foi realizada na manhã da sexta-feira, 6, e a votação, realizada no dia anterior, teve a participação dos 6,5 mil trabalhadores das duas plantas. O acordo com vigência de maio a julho permitirá à empresa suspender as atividades - os setores poderão parar totalmente ou parcialmente - por até nove dias por mês, repetindo o formato adotado nos últimos três meses. Esta será a segunda vez no ano que a empresa adota esta medida.

Das horas flexibilizadas, 50% serão pagas pela empresa e as 50% restantes descontadas dos salários. O acordo não significa que a empresa tenha de parar por esse período, mas é uma garantia em caso de necessidade por escassez de pedidos. Já a fábrica da Marcopolo Rio, em Duque de Caxias (RJ) está parada desde o começo do ano em regime de layoff, que é a suspensão temporária dos contratos de trabalho, medida que vale até 6 de junho.

BALANÇO NEGATIVO

No primeiro trimestre do ano, a Marcopolo viu seu lucro líquido cair 74%, para R$ 8,8 milhões sobre o resultado de igual período do ano passado, quando os ganhos chegaram a R$ 34 milhões. O faturamento recuou 34,8% na mesma base de comparação ao atingir os R$ 428,3 milhões contra os R$ 656,8 milhões apurados há um ano. Deste total, o mercado interno respondeu por R$ 192,5 milhões, representando queda de 46,5%.

A produção total, considerando fábricas brasileiras e do exterior, caiu 59,5% nos três primeiros meses do ano, para pouco mais de 1,36 mil unidades. Com 794 ônibus fabricados para o mercado interno, o volume ficou 68,6% abaixo do apurado no primeiro trimestre do ano passado, enquanto que em mercados exteriores, a produção recuou 3,4%, para 283 unidades de janeiro a março.

Segundo o CFO e diretor de relações com investidores da Marcopolo, José Valiati, o lucro mais baixo é resultado do menor volume de vendas aliado à dificuldade de repasse de preços no mercado interno.

“Vale lembrar que a empresa está em um esforço contínuo para reduzir custos e melhorar a eficiência operacional”, afirmou durante teleconferência para apresentação dos resultado ao mercado financeiro.

Para o executivo, as receitas com exportações devem ser retomadas já no segundo trimestre a partir da retomada das operações da unidade Marcopolo Rio, após o fim do layoff marcado para o começo de junho, além de repasses pontuais de preços ao mercado. “Deverá ser um crescimento gradual ao longo do ano, especialmente gerados por produtos de maior valor agregado, como o modelo Double Deck”, informou.

O CEO Gomes Neto acrescentou que as exportações só não apresentaram melhor desempenho no primeiro trimestre devido às férias coletivas da unidade Ana Rech e da paralisação da fábrica Marcopolo Rio. Segundo ele, diferente do mercado interno, cuja previsibilidade em termos de carteira de pedidos está entre 45 e 60 dias, os planos de exportação estão consolidados até agosto. “Com isso, mudamos a nossa projeção anterior, de crescer 30% este ano, para ultrapassar índice de crescimento de 50% em função dos pedidos excedidos até o momento.”

Sobre o mercado local, apesar do fraco desempenho do cenário macroeconômico, a empresa aponta que há alguma possibilidade de novos pedidos para o segmento de urbanos devido às eleições municipais, Olimpíadas e alguns registros de tarifa: “Porém, com margem muito reduzida devido à pressão de preços de um mercado em competição acirrada dado os volumes muito reduzidos”.



Tags: Marcopolo, fábrica, Neobus, crise, lucro líquido, redução de jornada.

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