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Para Rhodia, é hora de investir em tecnologia
Coletor de admissão produzido com poliamida reciclada: redução de peso e custo

Insumos | 11/05/2016 | 20h40

Para Rhodia, é hora de investir em tecnologia

Fornecedora de plástico de engenharia aposta em agregar valor

PEDRO KUTNEY, AB

Apesar do cenário conturbado que vem empurrando a economia brasileira para baixo, a Rhodia aposta no aumento continuado do valor agregado dos veículos produzidos no Brasil e, por consequência, no crescimento de seu principal negócio com as montadoras e seus fornecedores: o suprimento do insumo básico para peças plásticas de alta resistência, produzidas com os chamados plásticos de engenharia. “O desastre do mercado está empurrando a inovação, porque os consumidores brasileiros querem mais tecnologia nos seus carros. Por isso este é o momento de investir. Só os vencedores nesse campo sobreviverão no futuro”, avalia Peter Browning, diretor geral da área de plásticos de engenharia do Grupo Solvay – a empresa belga comprou a francesa Rhodia em 2011 e manteve a atuação da marca no Brasil.

“O momento é desconfortável para a indústria automotiva no País, que deveria estar produzindo algo como 4 milhões de veículos por ano e vai fechar este ano em torno de 2 milhões. Leva algum tempo para recuperar, mas acreditamos que os volumes voltem a ficar acima das 3 milhões de unidades em mais dois ou três anos. Mas enquanto isso inovar é a única saída para sobreviver. Exemplo disso são os diversos lançamentos de veículos que continuam a acontecer, sempre agregando mais tecnologia”, reforça Marcos Curti, diretor do Grupo Solvay/Rhodia para as Américas, que tem sede para a região localizada no Brasil. Segundo o executivo, a empresa está aumentando o fornecimento de plásticos de engenharia para diversas peças que já estão nos modelos lançados recentemente, mas existem outros 50 novos projetos em andamento.

A fábrica da Rhodia em São Bernardo do Campo (SP) é uma das seis plantas produtoras de compostos de poliamida que o Grupo Solvay tem no mundo. A unidade é a principal fornecedora do insumo para a região das Américas, com exportação de 40% da produção.

De acordo com Curti, a empresa lidera o fornecimento de poliamida no mercado brasileiro com 40% de participação. Os fornecedores de peças dos fabricantes de veículos são responsáveis por cerca de 60% do faturamento da Rhodia com a venda do insumo, também conhecido como náilon, usado na fabricação de itens como dutos de ar e refrigeração, suportes de motor, protetores de cárter, quadros de radiador e coletores de admissão de ar, entre outras peças que precisam combinar alta resistência mecânica, química e térmica.

“Quanto mais tecnologia se agrega a um carro para reduzir emissões e consumo, mais peças de plástico de engenharia são necessárias”, explica Browning. Ele cita o exemplo de carros com motores turbinados, já feitos no Brasil, que precisam usar componentes como coletores de plástico resistente ao calor. “A poliamida é um material em torno de mais 50% barato do que o alumínio fundido e ainda mais leve. Por isso seu uso tem crescido consistentemente de 1% a 1,5% ao ano. Um carro tem hoje em média 15 quilos de poliamida, mas pode chegar a 20 quilos em alguns modelos da BMW, por exemplo”, acrescenta. Para se ter ideia da redução de peso que componentes de plástico de alto desempenho podem trazer, Curti mostra a foto de um antigo Chevrolet Chevette fabricado nos anos 1980, que tinha um coletor de metal que pesava 12 kg, que hoje pode ser substituído por uma peça plástica de apenas 1 kg.

SERVIÇOS DE ENGENHARIA

Browning diz que há cerca de 20 anos o grupo vem focando esforços em aumentar o fornecimento ao setor automotivo, “por acreditar que tem o maior potencial de crescimento no consumo de plásticos de engenharia”. Do faturamento global do Grupo Solvay de € 10,6 bilhões em 2015, a unidade de negócios Poliamida (que inclui matérias-primas e intermediários) contribuiu com € 1,44 bilhão. Hoje a companhia atua como fornecedor de terceiro, segundo e primeiro níveis na cadeia de suprimentos da indústria automotiva, fornecendo o insumo para fabricantes de peças, sistemistas e em alguns casos até diretamente a montadoras que têm áreas de injeção de peças plásticas.

Mas o objetivo é ir além do insumo básico para aumentar os ganhos – o lucro líquido do grupo em 2015 foi de € 477 milhões. O Grupo Solvay vem investindo em agregar mais valor aos seus produtos, por meio da oferta de serviços de engenharia para encurtar o tempo de projeto e validação de peças de poliamida. A empresa recebe os projetos em diversos níveis de detalhamento e pode fazer em impressora 3D um protótipo de peça em poliamida completamente operacional para testes, em prazos que variam de 72 horas a uma semana. “Oferecemos uma economia fantástica de tempo e dinheiro”, afirma Browning, lembrando que a impressão 3D evita o gasto com desenvolvimento de ferramentais.

A empresa já investiu cerca de € 10 milhões nessa divisão, que vem crescendo ao ritmo de 300% ao ano, com 40 engenheiros dedicados a cerca de 400 projetos por ano. Os serviços de engenharia também estão disponíveis na unidade brasileira, onde a Rhodia já aplicou R$ 20 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos. “Vamos avançar em tecnologia, porque não se ganha só fornecendo matéria-prima básica”, afirma Curti.

O Grupo Solvay tem quatro centros de pesquisa e desenvolvimento no mundo, são dois na Ásia, um na Europa e outro no Brasil. Uma das especialidades do centro brasileiro está no desenvolvimento de componentes que atuam em contato com etanol, o que requer diferenças na formulação dos compostos químicos.

INVESTIMENTOS NO BRASIL

Os investimentos do Grupo Solvay no Brasil mantiveram seu patamar histórico, alcançando o total de R$ 185 milhões em 2015. Os recursos foram empregados em aumento de capacidade de produção, melhoria de processos produtivos, além de implantação de tecnologias e desenvolvimento de novos produtos. Sem revelar números, Curti garante que os aportes da companhia vão continuar neste e nos próximos anos. Em breve o executivo espera poder anunciar a instalação de uma nova linha de polimerização com alto grau de sofisticação tecnológica.

A Rhodia está há quase um século no Brasil: em 1919 anunciou a instalação de sua primeira fábrica no País, em Santo André (SP), onde começou a produzir lança-perfume em 1922. “Tanto tempo aqui é mais que suficiente para entender que a economia brasileira vive de ciclos, assim como outros mercados, como foi o caso dos Estados Unidos recentemente. Temos de aproveitar os momentos de alta e seguimos investindo nos momentos de baixa, para aproveitar o próximo ciclo de crescimento”, resume Browning.

A região das Américas é responsável por cerca de 20% do faturamento do Grupo Solvay no mundo – outros 20% vêm da Ásia e 40% da Europa. A operação no Brasil faturou R$ 3 bilhões e exportou US$ 197 milhões em 2015. Com 11 unidades industriais (incluindo joint ventures e associações) na América Latina em diversas atividades do setor químico, Curti não esconde que está no radar a abertura de uma fábrica nos Estados Unidos, onde o mercado retomou o crescimento – a única planta do grupo na América do Norte ficava no Canadá e foi fechada após a crise econômica de 2008/9 na região. “Nosso objetivo é dobrar a participação no mercado norte-americano nos próximos quatro anos”, informa Curti.



Tags: Rhodia, Solvay, plástico de engenharia, insumos, investimento.

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