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Área de RH deve ser agente de transformação
Para Ivan Wtt, setor de RH precisa acompanhar evolução da indústria

Trabalho | 16/05/2016 | 14h07

Área de RH deve ser agente de transformação

Witt, da Caoa, diz que modelo não pode focar apenas em relações trabalhistas

GIOVANNA RIATO, AB

A indústria automotiva passa por processo intenso de transformação e, para acompanhar este movimento, as áreas de recursos humanos precisam evoluir também. Esta é a conclusão de Ivan Witt, diretor de RH e de compras da Caoa. “Temos que sair do modo de relações trabalhistas para ser agentes de transformação”, determinou o executivo em palestra no IV Fórum de RH na Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 16.

Como caminho para esta mudança, ele sinaliza a necessidade de manter transparência total nas relações sindicais e com os funcionários. O desafio, segundo Witt, é mostrar a transformação que a indústria automotiva enfrenta e fazer com que os trabalhadores acompanhem todos estes desafios. “As pessoas já não querem comprar automóvel como antes. Há alguns anos o principal desejo de consumo de jovens que acabaram de se formar na universidade era um carro. Hoje isso mudou e a preferência é um bom smartphone”, aponta. Para ele, os sindicatos e funcionários também têm de entender estas mudanças.

O caminho para trabalhar nesse novo cenário, de acordo com Witt, é inovar. Para ele, é papel do RH fazer com que a inovação integre a cultura da empresa. "O profissional dessa área precisa sair um pouco da sua operação, ver o que acontece ao redor e implementar a inovação. Caso contrário ficaremos obsoletos muito rápido”, defende, lembrando que as mudanças na demanda do consumidor e na indústria acontecem em ritmo acelerado. “No século passado uma empresa levava 100 anos para alcançar valor de mercado de US$ 1 bilhão. O Uber levou apenas dois anos para atingir esta cifra”, exemplifica.

Witt lembra que, ao ficar focados apenas na parte operacional, em cumprir a legislação, a área de RH despreza parte importante de seu potencial. "A CLT é de 1930 e a inovação bate a nossa porta”, lembra. Para o executivo, o profissional do amanhã é flexível, conectado, ligado ao negócio e um ativista, ou agente de transformação.

COMO ACOMPANHAR AS MUDANÇAS

Luis Fernando Barosa, diretor de consultoria em gestão de capital humano da Deloitte, mostrou no Fórum as grandes tendências que devem impactar as áreas de recursos humanos. Os dados são de pesquisa feita pela companhia com mais de 7 mil executivos da área de RH e líderes no mundo, 400 deles no Brasil.

Alinhado com o ponto de vista de Ivan Witt, Barosa aponta que o setor passará por grande transformação nos próximos anos. Entre os fatores de influência está a chegada de novas gerações no mercado de trabalho e a necessidade de treiná-las para ocupar cargos de liderança. “A geração Y e os Millenium já são 50% da força de trabalho”, calcula. Barosa indica que, apesar do avanço evidente, ainda não há esforço claro das empresas para formar estas novas lideranças. “Temos que repensar o ambiente de trabalho para que ele seja mais direto, mais simples. O RH processual está se extinguindo”, alerta.

Outro aspecto importante para as áreas de RH é uma revisão da estrutura organizacional, com novo significado para equipes, que serão formadas por pessoas diferentes, que trabalham bem entre si. Barosa acredita que a hierarquia tradicional tende a virar uma rede, com a eliminação de níveis e novas formas de avaliar a performance.

A cultura das empresas é outro ponto que, para o consultor, precisa receber mais atenção. Dos participantes da pesquisa da Deloitte, 82% indicam que a cultura corporativa pode ser vantagem competitiva e contribuir para o sucesso da companhia. “A cultura tem de estar alinhada com a estratégia. Vemos o exemplo da Netflix, que desenvolve isso muito bem e tem papel de destaque no mercado”, aponta.

Barosa indica ainda que há necessidade de a empresa ficar constantemente atenta com a satisfação e o engajamento dos funcionários. “Não podemos medir isso apenas uma vez ao ano”, reforça. O consultor indica que trabalhar em determinada companhia será cada vez mais uma escolha do funcionário, já que há muitas oportunidades e possibilidades para os executivos. “Os profissionais estão no controle”, aponta. Segundo ele, hoje um terço dos trabalhadores dos Estados Unidos já são free lancers, situação que será cada vez mais comum globalmente.

Garantir que os funcionários tenham mais possibilidades de aprendizado nas empresas também é essencial, diz Barosa. “Este processo tem de deixar de ser esporádico para ser cada vez mais contínuo”, reforça.



Tags: recursos humanos, RH, empresas, IV Fórum de RH na Indústria Automobilística.

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