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15/07/2016 | 18h59

Segurança

Tesla: sistema semiautônomo está envolvido em 2º acidente

Entidade dos EUA pede que funcionalidade seja desativada


REDAÇÃO AB

Há alguns anos a grande promessa tecnológica da indústria automotiva é o carro Autônomo. A expectativa acerca da tecnologia cresceu com a investida da Tesla nessa área. A fabricante de veículos elétricos, no entanto, desencadeou uma série de questionamentos acerca da tecnologia depois que dois de seus carros equipados com sistema semiautônomo Autopilot se envolveram em acidentes, um deles fatal para o motorista.

Enquanto a NHTSA, órgão de segurança viária dos Estados Unidos, investiga as causas da fatalidade, a associação dos consumidores dos Estados Unidos, que publica a revista Consumer Reports, com mais de 8 milhões de leitores, se posicionou sobre o caso. A organização pediu que a Tesla desabilite a função Autopilot de seus automóveis e acusou a companhia de induzir os consumidores ao erro, arriscando a segurança, ao usar este nome, que sugere que carro seja capaz de se guiar sozinho.

“Pelo marketing, o recurso Autopilot da Tesla dá aos consumidores um falso senso de segurança”, declarou Laura MacCleery, vice-presidente da entidade. “Estamos profundamente preocupados com a venda de promessas aos consumidores acerca de tecnologias não comprovadas. Autopilot não pode de fato dirigir o carro, mas permite que os consumidores tirem as mãos do volante por alguns minutos”, complementou.

SISTEMA SEMIAUTÔNOMO

Os carros totalmente autônomos ainda são proibidos de circular em todo mundo, com exceção de situações de teste. Com isso, o sistema da Tesla só garante autonomia em algumas situações, com restrição de velocidade e tempo e a exigência de que o motorista mantenha as mãos no volante para retomar a direção assim que necessário. Na prática, no entanto, não há garantia de que os clientes sigam esta última regra. Tecnologias semelhantes são oferecidas por outras fabricantes de veículos, como a Mercedes-Benz nos novos Classe S e Classe E.

O polêmico sistema da Tesla estreou em 2015, em uma das atualizações dos carros da marca. Com isso, até modelos já vendidos pela companhia puderam modernizar o software por rede wifi de internet e passar a oferecer a funcionalidade. A empresa define que a tecnologia semiautônoma dos carros está em fase beta, mas já disponível para o público, que pode escolher ativá-la ou não. Para Elon Musk, o CEO da companhia, isso significa que a novidade tem menos de 1 bilhão de horas de uso em condições reais.

Diante da crise causada pelos acidentes, a fabricante defendeu a tecnologia. “O Autopilot funciona como os sistemas usados em aviões usam quando as condições estão claras. O piloto ainda é responsável e está no controle”, se posicionou a empresa. “Apreciamos conselhos de qualquer indivíduo ou grupo, mas tomamos as nossas decisões com base em dados reais de uso, não em especulação da mídia”, alfinetou a companhia. De fato, os dados de uso dos carros são importante ferramenta de desenvolvimento de tecnologia na Tesla, a exemplo do que acontece na indústria de celulares.

OS ACIDENTES

O primeiro e mais grave acidente, aconteceu com um Modelo S, na Flórida, nos Estados Unidos, quando os sensores do automóvel não identificaram um caminhão que fazia a curva adiante e os veículos colidiram. O carro entrou debaixo da carreta e teve o teto arrancado. O motorista de 45 anos morreu. O segundo acidente não teve vítimas e envolveu um Modelo X, que saiu da pista. Os dois casos foram confirmados pela Tesla, mas ainda estão em investigação para apurar em quais condições aconteceram. A montadora confirmou que o Autopilot estava ativado na duas situações. No segunda, segundo a empresa, os dados indicam que o motorista não estava com as mão na direção.

NA MIRA DOS ÓRGÃOS DE SEGURANÇA

A norte-americana NHTSA já declarou que pedirá à Tesla registros de quantas vezes o Autopilot solicita que os motoristas coloquem as mãos no volante e com que frequência isso leva a uma redução automática de potência do automóvel.

Na Europa também há reações. O órgão holandês RDW, responsável pela homologação dos veículos vendidos e, portanto, pela liberação do uso do Autopilot na região, pediu detalhes sobre o acidente fatal envolvendo o carro da Tesla à NHTSA. A entidade aponta que a troca de informações é informal e tem uma visão mais branda do incidente. “Vamos verificar porque é importante”, declarou Hans Lammers, porta-voz da entidade. E complementou: “Pensamos que não há nada de errado com o sistema se ele for usado corretamente”, apontou. Segundo ele, o sistema da Tesla é muito similar aos usados por outras montadoras.

Comentários: 2
 

Pedro Montenegro
17/07/2016 | 03h46
O problema da condução autónoma de automóveis, baseia-se nas dificuldades de multi tarefas (multitasking). Foram encontradas diversas dificuldades, devido a diminuição no tempo de resposta, a partir da segunda tarefa. A função cognitiva (aquisição e compreensão da informação), o planeamento de ações, assim como o relembrar da memória, tornam-se bastante dificultados. Temos centenas de milhares de acidentes rodoviários por dia, milhares de mortos, no nosso planeta. Conduzir um automóvel traduz-se em tomar decisões, continuamente, baseadas em corretas leituras da envolvente rodoviária. Exige corretas distâncias de segurança para que haja tempo de resposta e adequação às circunstâncias do momento. A tecnologia não pára de evoluir, mas as dificuldades vão aparecendo. Umas são resolvidas e ultrapassadas e outras não. A curto e médio prazo, a condução autónoma não será uma realidade, pelo menos na maior parte dos países.

Rogério Garrubbo
21/03/2017 | 07h49
Á época da popularização do sistema Air Bag, estes também foram dispositivos muito atacado pela mídia. O sistema era acusado de causar mortes e ferimentos devido a disparos acidentais, mesmo que, por outro lado, salvava muitas vidas. O balanço, mesmo durante a fase de introdução da tecnologia, já era bastante positivo. O ABS sofreu um pouco menos, mas sofreu também. embora menos eficiente do que hoje em que faz dobradinha com o ESP, também apresentou um balanço positivo logo de cara. Não podemos esquecer que veículos se envolvem em acidentes, mutas vezes fatais. As estatísticas sobre esse tema já estão bastante consolidadas, principalmente nas economias mais maduras. Resta ver qual a tendencia estatística de acidentes com os veículos autonomos. Essa fase de transição tecnológia é a mais crítica. Mas hoje as avaliações simuladas ajudam muito a evitar um desenvolvimento tecnológico a custas de cobaias humanas involuntárias.

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