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Indústria | 09/08/2016 | 14h40

Anfavea e Sindipeças querem Inovar-Auto novo e melhor

Entidades debatem programa automotivo que ajude a cadeia produtiva

GIOVANNA RIATO, AB

A indústria automotiva se mobiliza para esboçar uma política automotiva que dê continuidade ao Inovar-Auto, programa iniciado em 2013 com validade até 2017. A Anfavea, associação das montadoras de veículos, e o Sindipeças, entidade que representa as fabricantes de autopeças, já confirmaram que estão envolvidas na negociação do próximo programa para o setor.

As organizações não falam de Inovar-Auto 2, mas de uma nova política industrial automotiva com prazo mais longo. “Pedimos um programa que nos dê previsibilidade de pelo menos 10 anos, com ajustes a cada cinco anos”, conta Antonio Megale, presidente da Anfavea. Garantir horizonte claro para que as empresas tracem estratégias e programem investimentos é, inclusive, a principal bandeira da gestão do executivo na entidade (leia aqui).

Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, concorda: “O Inovar-Auto precisa ser sucedido por uma política automotiva. Um prazo mais longo do que cinco anos seria um primeiro objetivo”. Na análise do dirigente, o novo programa deveria seguir estimulando a melhoria da eficiência energética, fomentar o aumento da segurança e da conectividade nos carros e, enfim, promover o adensamento da cadeia de autopeças no Brasil.

INOVAR-AUTO FRACASSA PARA SETOR DE AUTOPEÇAS

Este último pilar, focado em estimular a cadeia produtiva, foi talvez o grande fracasso do Inovar-Auto em sua primeira etapa. O apoio a fornecedores e o aumento do conteúdo local dos carros estavam entre as grandes metas da iniciativa, mas os resultados devem ficar bem longe do esperado. “É um fato que o programa reduziu a importação de veículos para o Brasil. Não é um fato que ele provocou o aumento da localização de autopeças”, avalia Ioschpe.

O presidente do Sindipeças conta que o impacto do Inovar-Auto foi uma drástica redução nas importações de veículos. “Antes do programa tínhamos participação próxima de 25% de veículos de outros países nas vendas. Hoje este número caiu para 14%.” Este processo era visto inicialmente como uma possibilidade de beneficiar a indústria como um todo, mas os resultados efetivos foram bem diferentes disso, ele diz.

“O Inovar-Auto trouxe uma série de novas montadoras para o Brasil, que em alguns casos têm volume de autopeças produzidas localmente muito baixo. Esta é uma das razões para, na primeira fase do Inovar-Auto registrarmos agravamento da balança comercial de autopeças, com mais importação”, analisa.

A principal ferramenta criada pelo programa para estimular o aumento das compras locais de componentes pelas montadoras era o rastreamento da origem das autopeças. Ao verificar isso, o regime automotivo previa penalidades para as fabricantes de veículos que não cumprissem as metas de conteúdo local. A questão é que até mesmo a ferramenta para rastrear a origem dos componentes só entrou em operação dois anos depois do início do Inovar-Auto e até o momento, não teve nenhum resultado dessas medições divulgado.

COMO SERÁ A PRÓXIMA ETAPA

O resultado frustrante para a cadeia produtiva ficou evidente até para as montadoras, que começam a ter dificuldade para trabalhar com os enfraquecidos fornecedores locais. “A nova política industrial deve consolidar avanços do Inovar-Auto e se apoiar em três pilares: eficiência energética; pesquisa, desenvolvimento e inovação; além da recuperação da cadeia de autopeças, que está muito fragilizada com a crise”, declarou Megale, da Anfavea.

Ioschpe defende que o apoio aos fabricantes de componentes precisa trazer mecanismos para adensar hoje áreas que não têm cadeia de fornecedores ou são fracas no Brasil, como a eletrônica veicular. “Devemos atacar isso e criar as condições para que a atividade se desenvolva. Vai ser necessário algum incentivo. É muito difícil que aconteça de forma natural”, defende.

O executivo lembra que o incentivo à pesquisa e desenvolvimento do Inovar-Auto sempre focaram nas montadoras. A ideia é que, na nova política, estas medidas também sejam direcionadas à cadeia de autopeças. Megale acrescenta que o trabalho deve envolver todo o setor automotivo, com um esforço para repensar custos e oferecer desonerações.



Tags: Inovar-Auto, Sindipeças, Anfavea, autopeças, indústria.

Comentários

  • Andre Ferrarese

    A continuidade é chave para a competitividade brasileira. O foco em P&D, eficiência energética e adensamento da cadeia são principais para o atendimento inclusive dos desafios da humanidade descritos no COP21. Um programa com maior atenção às condições de eficiência e impacto ambiental em perspectiva completa, isto é, desde a origem do combustível até a eficiência propriamente do veículo é fundamental.

  • Albert

    Até o momento o coração do programa INOVAR AUTO está na proteção da indústria local ao invés do consumidor brasileiro. Ainda tributamos de forma diferenciada produtos pela cilindragem do motor e não pela eficiência de consumo e segurança. Um carro seguro é tão tributado quanto um carro inseguro. Raros são os produtos brasileiros com atratividade internacional. Além disto o programa e sua regulamentação é extremamente complexo e ineficaz. Acho por fim que muita coisa tem de ser mudada no programa incluindo principalmente os interesses os consumidores, que afinal pagam a conta!

  • Johannes

    O tema e mais abrangente, do que parece: O Brasil ainda e um mercado fechado e este mercado não acompanhe o ritmo das inovações dos mercados abertos e muito mais competitivos. As montadoras no Brasil podem vender ainda tecnologia dos últimos 15-20 anos atras. Em um mercado tão competitivo como Europa isto seria impossível. Para as montadoras novas que se instalaram agora com o regime INOVAR AUTO financeiramente não e viável a localização de componentes e pecas alem do necessário absoluto. Isto tem dois motivos principais: Ou falta a tecnologia no pais ou a produção local e cara demais. A exportação também e um tema interessante: Como pode ser possível, que para uma montadora e mais viável produzir um veiculo na Europa ou nos EEUU e vender no Chile, do que produzir no Brasil e transportar um trecho muito mais curto? A realidade e, que o Brasil e um pais com custos altos na produção e pouca produtividade, ambos resultados de um mercado fechado e protegido por demais tempo.

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