Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Legislação | 12/09/2016 | 10h51

Previsibilidade será chave do novo Inovar-Auto

Sindipeças espera política industrial com cenário de 10 anos

GIOVANNA RIATO, AB

A etapa atual do Inovar- está próxima do fim. O programa termina em outubro de 2017. Com este panorama, começam os debates acerca de uma nova política industrial. Este foi um dos assuntos do IV Workshop Legislação Automotiva, realizado por Automotive Business em São Paulo na segunda-feira, 12. “Um dos pontos que temos que melhorar é a previsibilidade. Esperamos um programa com cenário de pelo menos 10 anos”, aponta Marcos Clemente, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Mahle e membro do grupo de inovação e competitividade do Sindipeças.

A opinião dele reforça a expectativa da Anfavea (leia aqui). A ideia é ter prazo maior para o programa, com revisões a cada cinco anos para atender a possíveis mudanças de cenário. O executivo acredita que a previsibilidade é um dos aspectos fundamentais para o sucesso da política industrial, que precisa desenvolver a capacidade da indústria nacional de produzir e desenvolver carros que atendam à demanda global, cumprindo metas de segurança, conectividade e, claro, de eficiência energética.

Este último aspecto foi, inclusive, uma das vitórias da primeira fase do Inovar-Auto. Vitor Klizas, presidente da Jato Dynamics, indica que, sem as metas de redução do consumo e das emissões impostas no Inovar-Auto 1, os carros vendidos no Brasil já estariam completamente defasados, sem possibilidade de exportação nem mesmo para a Argentina. “E ficaremos fora da tendência global caso a gente não defina novas metas a partir de 2017”, avisa. Ele acredita que nenhuma montadora instalada no Brasil terá grande dificuldade para melhorar em 12% a eficiência energética de sua frota no Brasil nesta primeira fase do Inovar-Auto.

AS BASES DA PRÓXIMA POLÍTICA INDUSTRIAL

Os executivos são unânimes ao defender que a próxima etapa do Inovar-Auto priorize ainda a enfraquecida cadeia de autopeças nacional, como já adiantou Margarete Gandini, do MDIC (leia aqui). “Na crise, esta indústria enfrenta a queda da demanda interna e a dificuldade para exportar”, observa Klizas. Ele e Clemente defendem ainda a necessidade de que o Brasil se torne polo de desenvolvimento de veículos, não só de produção. "O próximo Inovar-Auto precisa trazer benefício para a indústria e para o governo, trazer evolução que reduza a dependência do mercado local com exportações", avalia.

“Além disso, temos que participar do mundo, das questões de mobilidade, de pensar no carro como serviço, não só como produto”, destaca o executivo do Sindipeças. Para isso, ele lembra que será necessário preencher lacunas tecnológicas. Uma delas está relacionada à segurança, com a necessidade de tornar obrigatório mais dispositivos capazes de reduzir acidentes.

“Avançamos ao tornar compulsório airbags frontais e freios ABS, mas ainda falta muito. O Brasil tem indicadores bem ruins de segurança viária”, diz, citando as 45 mil mortes no trânsito registradas no País em 2014. A obrigatoriedade de sistema de controle de estabilidade, o ESC, que só entra em vigor para todos os carros em 2022, e a inclusão de tecnologia de frenagem de emergência nos veículos são medidas recomendadas pelo executivo para melhorar este número.

Outra lacuna tecnológica da primeira etapa do Inovar-Auto que deve ser corrigida, aponta Clemente, é a falta de regulamentação para a eficiência energética de veículos pesados. “Nos Estados Unidos já existe a meta de reduzir em 25% o consumo de caminhões e ônibus até 2027”, exemplifica.

MENOS BARREIRAS COMERCIAIS

Klizas, da Jato Dynamics, lembra que para o Brasil se integrar como fornecedor global, é essencial também diminuir as barreiras aos veículos importados no mercado interno. “Não existe nenhum país do mundo que produz todas as marcas que vende”, avalia. Segundo ele, o adicional de 30 pontos porcentuais ao IPI de carros importados além da cota permitida pelo Inovar-Auto terá de ser revisto. “Pode ser mantida alguma alíquota, mas ela deverá ser menor”, aponta.



Tags: Inovar-Auto, legislação, eficiência, previsibilidade.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência