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Tecnologia | 16/09/2016 | 16h02

Internet Industrial ganha associação no Brasil

ABII promove conceitos semelhantes aos da Indústria 4.0

PAULO RICARDO BRAGA

A Pollux Automation, a Fiesc – Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina e a Embraco constituíram em agosto a ABII, Associação Brasileira de Internet Industrial, versão brasileira da entidade inspirada no Consórcio de Internet Industrial (IIC), estruturado por grandes multinacionais em 2014, com sede nos Estados Unidos e cerca de 250 associados de 30 países.

Adotando conceitos também utilizados pela Indústria 4.0, que tem como precursor o governo alemão, a Internet Industrial já começou a se consolidar, como explica José Rizzo Hahn Filho, presidente e CEO da Pollux. “Ela une máquinas inteligentes, análise computacional avançada e trabalho colaborativo entre pessoas conectadas para gerar mudanças profundas e trazer eficiência operacional para setores industriais como manufatura, transporte, energia e saúde”, diz. Os cenários para desenvolvimento dessa atividade mobilizam gigantes globais e impressionam pelo mercado potencial de US$ 15 trilhões em 15 anos.

Quais as diferenças entre os movimentos da Indústria 4.0 e Internet Industrial? A primeira, focada principalmente na manufatura, tem como precursor o governo alemão e utiliza como plataforma de suporte políticas industriais governamentais. A segunda, voltada para manufatura, energia, transportes, saúde, utilidades, cidades e o setor de agro, nasceu por iniciativa de empresas multinacionais e promove um consórcio aberto, sem fins lucrativos.

INDÚSTRIA 4.0

A aplicação da Indústria 4.0 ainda engatinha no Brasil. O conceito, que surgiu durante a Feira de Hannover, na Alemanha, em 2011, foi patrocinado pelo governo alemão, em associação com empresas de tecnologia, universidades e centros de pesquisa. Rizzo Hahn esclarece que o objetivo é descentralizar o controle dos processos de manufatura, utilizando dispositivos inteligentes interconectados, com a adoção da internet das coisas ao longo da cadeia de suprimentos, produção e distribuição.

A fábrica de motores da Volkswagen, em São Carlos, no interior paulista, e a unidade da Thyssenkrupp de Poços de Caldas (MG), que produz eixos de comando de válvula integrados à tampa do cabeçote do motor, são alguns dos exemplos isolados de aplicação da indústria 4.0 no Brasil.

O conceito industrial usado na unidade fabril da Thyssenkrupp, inaugurada em outubro de 2015, é completamente adaptável e flexível. Os colaboradores não monitoram os processos individuais, mas o sistema como um todo. As linhas de montagem e os equipamentos podem ser ajustados a qualquer momento por uma nova formulação, resultando em grande flexibilidade, com ganhos de eficiência, de melhoria de qualidade e redução de custos.

Na fábrica digital da Thyssenkrupp todos os componentes produzidos carregam um código com informações como número de série e identificação do cliente. Cada eixo de comando de válvulas possui uma identidade, uma memória e está ligado à rede por meio de uma interface. O processo é controlado por leitores de códigos de barra ou de códigos data matrix, leitores de radiofrequência e tablets com módulos de acesso aos dados. Os códigos são checados antes de qualquer passo do processo ser iniciado.

EVOLUÇÃO NECESSÁRIA

A consultora Letícia Costa, da Prada Assessoria, disse a Automotive Business que a indústria automobilística brasileira precisa olhar para além da crise atual e definir estratégias competitivas para enfrentar as transformações na manufatura, participando de um movimento global. “Se a indústria não começar a se mexer agora, corre o risco de ficar parada no tempo”, disse.

“A competição global será cada vez mais tecnológica”, assegura Rizzo Hahn, enfatizando que precisamos de engenheiros bem preparados. As empresas, em seu entendimento, também precisam trabalhar mais em colaboração. “É preciso um grande esforço no País para compreender o tsunami de informação no cenário industrial”, afirma, lembrando que o Brasil aparece em 75º lugar no ranking de competitividade entre 140 nações, tendo perdido 27 posições em três anos. “Temos boas escolas, mas faltam professores em quantidade suficiente para virarmos a página”, pondera.

Ele afirma que automação é chave no aumento de produtividade e eficiência, dois fatores que preocupam bastante a indústria automobilística local. “O custo de mão de obra triplicou entre 2002 e 2012, enquanto a produtividade se manteve estável. Infelizmente haverá, ainda, cerca de 3,5 milhões de processos trabalhistas em 2016”, adverte.

As estatísticas de automação são preocupantes. Enquanto a Coreia do Sul possui 478 robôs para cada dez mil trabalhadores, o Japão 314 e a Alemanha 292, o Brasil tem apenas 10. A base de robôs instalada no País em 2018 deve alcançar 18.300 unidades, enquanto a China avançará para 614 mil e a Coreia do Sul para 279 mil.

Especializada em automação, seguindo conceitos avançados de manufatura e Indústria 4.0, a Pollux investiu na robótica colaborativa, colocando robôs para trabalhar ao lado de humanos em um modelo inovador de negócio que combina locação com a prestação de serviços. “Assim é possível elevar a produtividade nas fábricas sem necessidade de fazer investimentos”, esclarece Rizzo Hahn.



Tags: internet industrial, Indústria 4.0, ABII, Pollux.

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