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Negócios | 27/09/2016 | 19h36

Fiat perde a liderança para garantir rentabilidade no Brasil

O CEO Sergio Marchionne defende que País deve driblar crise com exportações

GIOVANNA RIATO, AB | De Goiana (PE)

A crise no setor automotivo no Brasil não provocou apenas redução drástica nos volumes de vendas, mas abalou algumas estruturas já bem estabelecidas no mercado. Uma delas foi a liderança da Fiat, que já durava 14 anos. A marca perdeu este posto no ano passado para a General Motors justamente no momento em que a FCA concretizava os planos para a Jeep, que segue conquistando espaço desde então. “A perda de participação era esperada. Decidimos não perseguir volume, mas preservar o pouco de rentabilidade que ainda tínhamos naquele momento”, conta Sergio Marchionne, o CEO do grupo Fiat Chrysler, que visitou o País para cumprir uma agenda intensa de reuniões e acompanhar o lançamento do SUV Compass (leia aqui).

A marca italiana foi a que mais diminuiu seu market share entre janeiro e agosto deste ano, com redução de 2,9 pontos porcentuais para responder por 15,5% do total de emplacamentos do País. As vendas encolheram 35% e baixaram para 202 mil veículos. Os números podem preocupar, mas não assustam o executivo, conhecido pelo jeito descontraído e direto ao ponto. “Eu não olho mais para os números de cada marca de forma isolada. Já cometi esse erro antes. A FCA é uma coisa só”, diz, enfatizando que, enquanto a Fiat perde espaço, a Jeep ganha, o que garante algum equilíbrio. Desde o lançamento do Renegade, a marca saiu da 24ª para a 10ª colocação no ranking de vendas.

Ainda assim, ele admite que intenção é recuperar o espaço perdido, algo que Marchionne só acredita que será possível quando o mercado brasileiro se reerguer. “Nós investimos na fábrica de Pernambuco no momento em que fazíamos um carro a cada 20 segundos. Agora precisamos olhar para a planta de Betim (MG), pensar na sustentabilidade do negócio e começar a mudar de dentro para fora, renovando a oferta de produtos. “O portfólio pensado há 10 anos não é mais o que o consumidor quer hoje”, diz.

Na inauguração do Polo Automotivo Jeep, em 2015, o CEO já tinha adiantado que as duas plantas seriam complementares: enquanto a unidade mineira faz carros mais populares, a nordestina produz modelos com maior valor agregado (leia aqui). A ideia é manter as coisas assim, ele conta, já que mudar a natureza de uma fábrica poderia destruir o negócio.

O executivo descarta, no entanto, qualquer novo grande pacote de investimentos para sustentar os planos no País. “Continuamos fazendo, mas estamos cuidadosos. Não vamos nos comprometer com outro grande aporte”, lembrando que a companhia aplicou R$ 7 bilhões nos últimos anos só no Polo Automotivo da Jeep.

BRASIL PERDEU 10 ANOS E PRECISA GANHAR COMPETITIVIDADE

O tom de Marchionne é ameno até mesmo para falar da catastrófrica redução do mercado nacional. “A verdade é que o Brasil perdeu 10 anos de crescimento”, diz, lembrando que a demanda local voltou para o patamar registrado em 2006. Mesmo consciente disso, o executivo diz que é necessário ter paciência. A tendência, acredita, é de melhora. “Tenho plena confiança de que o Brasil vai se recuperar. Entre 2008 e 2009 o mercado dos Estados Unidos despencou e ninguém conseguia ter uma visão otimista. Agora, sete anos depois, os negócios estão restabelecidos por lá”, cita.

Ele estima que a curva de contração nas vendas sofra inversão ainda neste ano para começar crescimento lento em 2017. A partir daí ele acredita que a indústria local precise mudar a receita do bolo: deixar de apostar só no mercado interno e criar uma agenda de exportação, justamente como sugeriu recentemente Stefan Ketter, presidente da FCA América Latina (leia aqui). “A agenda automotiva tem que ser de exportação, tem que abraçar mercado global”, analisa Marchionne.

Segundo ele, com veículos globalizados, há oportunidades interessantes para o Brasil em regiões como Estados Unidos e Europa. O problema é a já conhecida falta de competitividade da indústria local. “A tributação no Brasil é inacreditavelmente complicada”, exemplifica. Ele deixa a modéstia de lado e assegura que a FCA cumpre a parte dela para tornar o carro brasileiro interessante em outros mercados. “Temos tecnologia e qualidade. A fábrica da Jeep em Pernambuco é benchmark global na FCA.”



Tags: Fiat, FCA, Sergio Marchionne, Jeep.

Comentários

  • Jose

    Os executivos de nossas montadoras tem os mesmos discursos de nossos políticos. Prometem fazer as coisas que todo mundo sabe que devem ser feitas somente na hora da eleição ou da crise. Bastam as coisas melhorarem um pouco e retornarem as margens interessantes no Brasil que o blá...blá...blá da competitividade , mercado global, etc.... ficam no esquecimento.

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