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Legislação | 11/10/2016 | 16h33

Indústria quer definição para avançar com Proconve

Programa de emissões trava por causa da crise e da falta de planejamento

SUELI REIS, AB

O Brasil conquistou importantes resultados no que diz respeito às emissões de poluentes com a criação do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos, o Proconve, que está completando 30 anos. Para se ter ideia, a emissão média de CO (monóxido de carbono) por veículo antes do Proconve era acima de 54 g/km e hoje este nível é de 0,3 g/km, graças às exigências de redução, o que envolveu o desenvolvimento de novas tecnologias e investimentos por parte das fabricantes de veículos e de toda a sua cadeia de fornecedores.

Mas embora o País tenha avançado ainda está atrás de Europa e Estados Unidos, que apertam cada vez mais seus padrões de emissões tanto para veículos leves quanto para pesados, o que exige das fabricantes ainda mais dedicação em novos desenvolvimentos ou em aprimoramentos das alternativas já existentes. Enquanto isso, o Brasil esbarra em quesitos como organização e planejamento.

“O que a indústria quer é a definição de prazos para os novos níveis de emissões a fim de avançar ainda mais com o Proconve”, defende Stephan Blumrich, vice-presidente da Umicore, cuja fábrica em Americana (SP) está completando 25 anos. O executivo lembra que a empresa desembarcou no País graças ao próprio Proconve: a inauguração da planta em 1991 permitiu à indústria nacional de veículos equipar seus modelos com catalisadores de fábrica. O item é responsável por transformar até 98% dos gases tóxicos provenientes da queima de combustível em gases inofensivos.

Segundo Blumrich, apesar de o Brasil ter chegado ao L6 (normas de emissões para veículos leves) e o P7 (normas para veículos comerciais pesados equivalente ao Euro 5), o País não pode parar de avançar: “Além de proporcionar melhora significativa na qualidade do ar, a adoção de novas tecnologias torna a indústria mais competitiva. Sabemos que implementar o Euro 6 ou PL7, que estão em discussões ainda muito embrionárias no Brasil, existe uma gama extensa de tecnologias já usadas no mundo que gostaríamos de trazer para este mercado”, reforça.

Para Gabriel Murgel Branco, que trabalhou na Cetesb e um dos responsáveis pela concepção do Proconve, a implementação das fases do programa que exigiam novos níveis de emissões vinha sendo feita de forma regular a cada quatro anos: “Desta vez, a crise atrapalhou”, afirma. “Acredito que uma forma de adequar a evolução do Proconve ao momento atual de paralisação econômica é o planejamento progressivo, com o fatiamento das normas por segmento. Poderia-se começar com ônibus, por exemplo, para tornar os corredores ainda menos poluentes e, em 2 anos, expandir a exigência para caminhões. É uma forma de organizar melhor. O progressivo deu muito certo no passado.”

Ele acrescenta que também é importante retomar ações que considera cruciais, como a inspeção veicular, que pode ser feita de forma remota com sensores em vias públicas, a fiscalização do uso de Arla 32 na frota circulante e o planejamento para a renovação da frota.

“Os caminhões preparados com níveis de emissões P7 (Euro 5) sem o uso do Arla começam a emitir o mesmo nível de caminhões de 20 anos atrás que não tinham nenhuma tecnologia para redução de emissão. É o problema que temos hoje, a falta de fiscalização”, lamenta.



Tags: Emissões, programa de emissões, Proconve, Euro 5, Euro 6, Umicore, catalisadores.

Comentários

  • Eduardo Ventura

    Realmente é lamentável nosso atraso. Enumeraria três fatores que contribuem para esta situação: 1- A falta realmente de fiscalização, que pode-se ver até mesmo com relação à quantidade de veículos adulterados, com suspensão rebaixada, faróis com lâmpadas de xenônio e parábola para lâmpadas de filamento, ofuscando os demais condutores, motocicletas com o escapamento aberto para fazer, arrogantemente, barulho de martelete, ensurdecendo a todos... 2- A inacreditável precariedade do desenvolvimento dos veículos elétricos, que com certeza cedem às máfias do petróleo e fabricantes de motores ciclo Otto; 3- A qualidade e mistura de nossos combustíveis que não podem garantir uma queima de baixo residual; 4- Baixo interesse na Pesquisa e desenvolvimento científico. Podíamos ter bondes e troleibus em nossas cidades e mais ferrovias eletrificadas por todo este pais continental. Uma tristeza!

  • Agnaldo Nogueira

    Concordo com meus colegas sobre os pontos "tecnologias já usadas no mundo que gostaríamos de trazer para este mercado" e sobre "Fiscalizacao da Frota". O primeiro tema abordado, alem de trazer o beneficio de reduzir a apoluicao e melhorar a qualidade de vida, traz tambem o beneficio de preparar nossos veiculos para a exportacao uma vez que com o nosso mercado em lenta recuperacao nao se permite que as empresas no Brasil instaladas operem em seus niveis maximos ou proximo deles ocasionando grande ociosidade produtiva...O outro tema tambem importante deve ter o foco realmente na fiscalizacao, em acabar com a impunidade e nao ter apenas fins lucrativos com a aplicacao de multas, que e o sempre o maior objetivo no nosso pais!!!

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