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SAE discute futuro ainda distante do Brasil
Frank Sowade faz a abertura do Congresso SAE Brasil 2016: discussões sobre como a engenharia pode criar a mobilidade do futuro

Engenharia | 25/10/2016 | 22h00

SAE discute futuro ainda distante do Brasil

Congresso da entidade reflete dificuldades da indústria automotiva

PEDRO KUTNEY, AB

Ao comemorar um quarto de século de intensas atividades no Brasil, onde a SAE inaugurou sua primeira representação fora dos Estados Unidos, a entidade que agrega milhares de engenheiros dedicados à mobilidade abriu na terça-feira, 25, o Congresso SAE Brasil, que em sua 25ª edição adotou o tema central “A Engenharia Criando a Mobilidade do Futuro”. O evento mostra os avanços tecnológicos da indústria automotiva, ainda que com as limitações trazidas pela severa crise econômica instalada no País.

Como reflexo do momento negativo, a exposição de produtos, sistemas e tecnologias promovida por empresas do setor durante o evento no Expo Center Norte, em São Paulo, reduziu expressivamente seu tamanho, são poucas as novidades, mas os painéis e palestras seguem mostrando e discutindo o futuro – ainda que ele pareça distante do combalido mercado brasileiro.

Estão em pauta as principais tendências globais que nos últimos anos vêm causando uma verdadeira revolução no setor, como direção autônoma, eletrificação do powertrain, conectividade e a mobilidade compartilhada. Tudo isso está a uma distância de poucos anos à frente na Europa, América do Norte e parte relevante da Ásia. Mas bem pouco disso é visível no horizonte brasileiro. “Nesses tempos de grandes mudanças no setor, com veículos e sistemas inteligentes, precisamos esquecer do momento difícil e olhar para o futuro, porque a crise vai e o futuro vem”, ponderou Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, que este preside o Congresso SAE 2016.

“Conectividade e sistemas de assistência à direção ganharão mais importância e esse futuro é para logo. Falta ao Brasil criar estrutura para adotar essas tecnologias mais rapidamente. O país precisa pisar no acelerador e se abrir para o mundo, porque aqui se absorve tecnologia muito rápido, basta ter as condições para isso”, acrescentou Schiemer na abertura do evento.

Em 1991, quando a SAE iniciou as atividades no País com a realização de seu primeiro congresso, também existia um impasse tecnológico: o mercado nacional de veículos tinha acabado de ser aberto na marra pelo governo e as montadoras foram obrigadas a se modernizar rapidamente para acompanhar as evoluções globais, conforme lembrou Frank Sowade, presidente da SAE Brasil. Ele avalia que agora é o momento de definir os rumos futuros da indústria. “Precisamos decidir o que queremos para o Brasil e construir uma política de longo prazo em conjunto com fabricantes e governo”, defende. “A barreira não está em trazer para cá as tecnologias mais modernas como os sistemas de direção autônoma. O grande desafio é criar estrutura para receber isso no País, pois temos engenharia e capacidade técnica para realizar”, completa.

“Vivemos uma revolução que traz mais mudanças em uma década do que vimos nos últimos 100 anos. Isso muda tudo, a maneira como projetamos carros, como os fabricamos com a possibilidade de usar impressoras 3D, como os dirigimos com a chegada da direção autônoma, e até como os possuímos já que os jovens não querem mais ter veículos, ficam muito contentes em compartilhá-los – ouvi que na Alemanha as vendas de automóveis para pessoas entre 18 e 30 anos já caíram 30%”, relatou Cuneyt Oge, presidente da SAE International. “Dizem que essas coisas demoram a chegar aqui no Brasil. Eu não acho, pois tecnologia é algo que viaja muito rápido atualmente”, destacou.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Frank Sowade, presidente da SAE Brasil:



Tags: SAE, Congresso SAE Brasil 2016, engenharia, tecnologia.

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