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Mercado | 01/11/2016 | 21h48

Volvo está cautelosamente otimista para 2017

Presidente do grupo na AL avalia cenário e aposta em retomada, ainda que lenta

SUELI REIS, AB ǀ De Curitiba (PR)

Pela primeira vez o Grupo Volvo tem um presidente brasileiro para a região da América Latina e a escolha por Wilson Lirmann não é por acaso: na companhia desde 1992, com ampla vivência tanto aqui quanto no exterior, nada melhor do que alguém que entende bem a montanha russa que é o mercado brasileiro. Antes de se tornar presidente da companhia, há exatos quatro meses, liderava um dos grupos de concessionárias da marca. O fato é que ele assumiu o cargo no pior momento da história para o segmento de caminhões.

“A gente não escolhe o momento: a missão é essa, o nosso negócio é cíclico e às vezes há quebras de mercado como esta que estamos vivendo. Toda a cadeia – clientes, concessionários, fornecedores e fabricante – tem colocado enorme pressão por eficiência, racionalidade; tomamos todas as ações que precisamos tomar, com pé no chão, aproveitando o que nós temos”, avalia o executivo. “Olhando para o ano que vem, eu diria que estamos cautelosamente otimistas. Acreditamos que começa uma retomada, mas talvez entre as projeções, estamos na ponta mais otimista”, revela Lirmann.

Em sua análise, aponta que o mercado do segmento em que a Volvo atua, com caminhões acima de 16 toneladas de PBT, sinaliza para vendas de apenas 30 mil unidades no total. “No ano que vem, acreditamos em uma alta anual de 15% a 20%, dependendo de alguns fatores. Um deles é a retomada cíclica, quase que inercial: tivemos grande contração com uma combinação de fatores, como a inflação, maior taxa de juros, a confiança do consumidor e do empresário, que estão ficaram mais pessimistas, isso tudo por si só tem impulso importante na economia”, pondera.

Por outro lado, a empresa aposta em fatores realmente mais concretos que podem movimentar um pouco mais o ritmo dos negócios e cita o agronegócio como exemplo, que, apesar da quebra de 10% da safra neste ano, há expectativa de crescimento de 14%, retomando o patamar de recorde, o que pode incluir ainda melhores preços das commodities. Outros setores estão apresentando um “grande alívio”, como Lirmann mesmo sugeriu, caso da indústria sucroalcooleira, que vem sofrendo com uma crise mais longa e anterior a esta e que mantém uma expectativa de investimento já para o primeiro trimestre do ano que vem, bem como em segmentos de papel e celulose.

“Há então um conjunto de fatores que podem contribuir. A questão maior para 2017 é a velocidade com que isso vai acontecer: talvez um pouco mais cautelosa no primeiro semestre com um ritmo se movendo com uma velocidade maior na segunda metade do ano”, arrisca.

Sobre o tempo que pode demorar para o mercado e a indústria de caminhões voltarem ao nível recorde de 2013, Lirmann aponta que há fatores reais para sustentar essa meta, como o potencial do próprio mercado de um País com dimensões continentais, mas a velocidade da retomada da demanda está ligada ao ritmo do desenvolvimento econômico daqui por diante. “Isso vai depender de questões estruturais que faltaram no ciclo anterior de crescimento, como por exemplo investimentos em infraestrutura, e de como elas vão refletir na economia, que é o fator incógnita, mas acredito que vai ser uma retomada lenta, vai demorar para chegarmos no patamar de 2013”, afirma.

Apesar disso, o presidente do Grupo Volvo reforça que a empresa mantém seus planos no País. De fato, não há previsão de grandes investimentos no curto prazo, uma vez que a companhia completou seu último grande ciclo em 2014, com a introdução do novo FH. “Não temos a pressão que talvez outras marcas tenham em trazer seus modelos mais tecnológicos como nós fizemos, mas não paramos: este ano introduzimos o VM com capacidade para 32 toneladas [de PBT], estamos lançando a nova geração do i-Shift e a evolução do Dynafleet [sistema de gestão de frota]. Sempre há novidades a trazer e vamos trazê-las na hora certa.”

MUITO TRABALHO À VISTA

Embora a Volvo tenha sido uma das empresas de caminhões que mais sofreu com a queda do mercado, cujo segmento em que atua caiu mais de 70% com relação ao ano passado, a empresa aposta na qualidade do seu produto para atravessar a passos lentos este tempo muito menos vigoroso do que o que se viu há três anos. Em linhas gerais, Lirmann defende que a empresa tem procurado estar mais próxima do cliente, com um pouco mais de foco no desenvolvimento de serviços e não só de veículos.

“Sabemos da contração, os volumes caíram, mas a frota que está aí continua operando, eles continuam tendo a necessidade de racionalizar, ter eficiência em cada detalhe e toda a nossa força de suporte está atenta, com as concessionárias e com as nossas ofertas de serviços. Temos uma grande responsabilidade e este é um ponto muito importante e muito caro para mim: responsabilidade com o cliente e com a sociedade, em que procuramos desenvolver soluções mais seguras, ambientalmente mais equilibradas e com alta produtividade. Somos parte da solução que a sociedade precisa. Há também uma responsabilidade muito grande com nossos funcionários, de continuar gerando oportunidades de carreira em um momento como este. E equilibrar tudo isso em um momento de grande desafio sem dúvida exige redobrada energia, redobrada paixão, eu diria. Não é por causa das dificuldades que devemos esmorecer, pelo contrário, vamos dobrar nossos esforços”, finaliza.



Tags: Volvo, Grupo Volvo, vendas, mercado, Wilson Lirmann.

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