Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Prejuízo da Randon chega a R$ 18,7 milhões no ano

Balanço | 11/11/2016 | 16h34

Prejuízo da Randon chega a R$ 18,7 milhões no ano

Com receita 10% menor, grupo adota ações drásticas para atravessar a crise

SUELI REIS, AB

O ano definitivamente não está nada fácil para a Randon: o conglomerado que reúne empresas dos setores de implementos rodoviários, veículos especiais, ferroviário e autopeças dedicadas a comerciais pesados apurou um prejuízo de R$ 18,7 milhões no acumulado do ano até setembro. Nos mesmos nove meses do ano passado, a empresa já registrava prejuízo, mas muito menor, de R$ 3,62 milhões.

Neste ano, a receita acumulada até setembro, de R$ 2,81 bilhões, está 10,6% abaixo do resultado em igual período de 2015, quando a companhia faturou R$ 3,14 bilhões. Do total de ganhos apurados neste ano, 50% veio da divisão de autopeças, do qual a Randon participa com a marca Fras-le, Suspensys, Master, Jost e Castertech, sendo 45% da divisão de veículos e implementos e os demais com serviços financeiros, como o Banco Randon e consórcios.

Da composição da receita, R$ 2,41 bilhões são provenientes dos negócios no mercado brasileiro, volume 12,5% menor do que há um ano, enquanto o mercado externo representou R$ 396,3 milhões, crescimento de 3,5% sobre os ganhos de R$ 382,9 milhões também até setembro de 2015. Em moeda estrangeira, a receita no mercado externo somou US$ 111,9 milhões, resultado 7,7% menor no comparativo anual, dados os efeitos cambiais.

“Estamos confiantes de que nossas ações formam o caminho para alavancar o futuro. Não há como passar por essa crise sem sair arranhando; já passamos por outras no passado e o planejamento só reforça a nossa estratégia de sair dela mais fortes e estruturados”, declara David Abramo Randon, diretor presidente durante a apresentação do balanço financeiro na sexta-feira, 11, em evento organizado pela Apimec em São Paulo.

O executivo elenca ações duras que a empresa adotou para enfrentar a crise, tais como a forte empreitada para a redução de custos e despesas, entre elas, o fechamento da fábrica que mantinha em Guarulhos (SP), onde concentrava as operações da linha leve, como baús. “Readequamos a fábrica de Caxias do Sul [RS] para receber o que era feito em São Paulo. A ideia era tirar o máximo de ativos ociosos”, disse Randon.

Além disso, a companhia decidiu colocar à venda o local onde funcionava a fábrica da Suspensys em Resende (RJ), no parque de fornecedores da MAN Latin America, inaugurada em parceria com a Meritor em 2013 (leia aqui). “Vamos alugar por um período, mas esta receita só deve entrar em 2017”, complementa Randon. Além disso, a empresa avaliará o destino da unidade de Araraquara (SP), dedicada à produção de vagões ferroviários.

Também foram reduzidos os investimentos para o ano: de janeiro a setembro a empresa aplicou R$ 30,8 milhões em suas operações, volume 68,7% menor que os R$ 98,4 milhões de iguais meses do ano passado. Em anos anteriores e há não muito tempo, a empresa chegou a desembolsar mais de R$ 200 milhões, como foi o caso de 2011, 2012 e 2013, sendo que neste último o valor foi de R$ 287,6 milhões.

Outra ação foi a paralisação de empréstimos de longo prazo pelo Banco Randon. “Mesmo que afete as vendas, isso ajuda a diminuir o endividamento”, comenta o executivo. A dívida bruta total fechou setembro em R$ 2,27 bilhões. Nos últimos 12 meses, a empresa desembolsou R$ 417,7 milhões em pagamentos. “Temos mantido um fluxo intenso de pagamentos da dívida, o que deve diminuir pela metade em 2017”, assegura o gerente de planejamento e de relações com investidores, Hemerson Fernando de Souza.

Entre os movimentos, as Empresas Randon demitiram 1.699 pessoas considerando os últimos 12 meses encerrados em setembro, passando de 9.265 para 7.566 funcionários ativos.

MERCADO ENFRAQUECIDO, RETOMADA LENTA

“Voltamos aos volumes de 20 anos atrás”, declara o diretor responsável pela divisão montadora dos implementos Randon, Alexandre Gazzi. O total de semirreboques vendidos pela marca foi de 7.299 unidades em nove meses, 5% menor que o de igual período acumulado de 2015. Este volume assegurou uma participação de 27,1% no mercado, índice 1,6% melhor que o market share apurado há um ano. “Este foi um ganho geral, fruto do forte trabalho nos diferentes segmentos. Não foi um ganho em cima da dificuldade da concorrente Guerra, que acabou perdendo mais no segmento graneleiro”, comenta Randon. (A Guerra, tradicional marca do segmento de implementos tem sofrido dificuldades financeiras em decorrência da crise, resultado em abertura de sua recuperação judicial.)

Segundo Gazzi, nos últimos três meses a Randon tem superado participação mensal sempre acima dos 30% e espera encerrar o ano com índice entre os patamares de 2012 e 2013, que foi de 28,8% e 30,4%, respectivamente. “Estamos trabalhando para não perder market share”, complementa. Ele se mostra cauteloso ao comentar sobre as perspectivas para 2017: “Embora o mercado de caminhões tenha possibilidade de crescer 8% no ano que vem sobre 2016 e ainda sobre uma queda de 30%, parte de nossa produção é PIB, é commodity no segmento de pesados, parte é consumo, para os leves e médios.” Seu presidente complementa: Estamos muito confiantes em passar esta fase, esta crise e ficar muito mais fortes para um novo ciclo de expansão, que não sabemos bem quando será, mas esperançosos de que o governo tome suas atitudes”, disse Randon.

No segmento de veículos especiais (escavadeiras e outros), as vendas caíram pela metade, passando de 307 unidades no acumulado de 2015 para 146 unidades neste ano. O volume anual deverá ficar muito abaixo do apurado em 2015, que foi de 355 unidades “Houve uma queda brutal, até porque são em cima de uma base mais forte, quando o segmento se sustentou por 2 ou 3 anos revelando um mercado artificial com a demanda do PAC. Agora, este mercado permanece pressionado pela paralização de obras no País”, afirma Gazzi.

Já no segmento de vagões, a queda foi menor, de 9,4%, para 1.266 unidades. “Estamos com market share de 40% a 50% deste segmento e acreditamos que os negócios vão avançar na medida em que as concessões também forem concretizadas”.



Tags: Randon, prejuízo, balanço, receita, faturamento, David Randon, Daniel Randon, Alexandre Gazzi.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência