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 Honda chega aos 40 anos em Manaus
Honda de Manaus emprega 6 mil funcionários e tem 127 fornecedores

Indústria | 25/11/2016 | 23h35

Honda chega aos 40 anos em Manaus

No entanto, fabricante fechará 2016 com metade do que produzia há 5 anos

MÁRIO CURCIO, AB | De Manaus (AM)

A fábrica de motos da Honda em Manaus (AM) chega aos 40 anos. A empresa teria motivos de verdade para comemorar, não fosse a retração do mercado de duas rodas, cujas vendas em queda desde 2012 derrubaram pela metade a produção do setor. Longe de seu recorde anual de 1,45 milhão de motocicletas, obtido em 2011, a Honda montará este ano menos de 800 mil unidades no Amazonas.

Em 2010 a empresa inaugurou uma segunda grande ala dedicada à produção de motos. Investiu R$ 90 milhões e aumentou a capacidade instalada de 1,5 milhão para 2 milhões/ano. Em março de 2016 esse setor teve o funcionamento suspenso e a produção realocada em outra área. A fábrica já empregou 11 mil pessoas, número que caiu para 6 mil.

O momento ruim do mercado acabou forçando a empresa a investir na produção própria de componentes que estavam sendo comprados de fornecedores. A Honda voltou a fundir ela própria o alumínio utilizado para a produção dos motores e rodas e também passou a fabricar os tubos de aço empregados na fabricação dos chassis. Isso exigiu um aporte de R$ 75 milhões, o que incluiu também a introdução do spin casting, processo que utiliza um forno de fusão de aço e a fundição centrífuga para a fabricação da camisa do cilindro do motor. Processos como corte de chapas, conformação de tubos e produção de camisas de cilindro passaram a ser feitos internamente.

Honda
Retração de mercado forçou a Honda a voltar a fundir internamente o alumínio utilizado na produção das rodas e motores.

O diretor de relações institucionais da Honda, Paulo Takeuchi, admitiu que esse aumento de verticalização foi necessário por causa da dificuldade que fornecedores locais vinham enfrentando. Neste momento a empresa se empenha em manter outros 127 fabricantes de componentes. Em Manaus há 33, entre eles 14 de origem japonesa.

DESEJO DE EXPORTAR MAIS

O câmbio atual deveria favorecer as exportações, mas o Brasil tem dificuldade de vender suas motos aos países vizinhos. Tudo indica que as fabricantes brasileiras vão exportar de 15% a 20% a menos do que as 70 mil unidades projetadas para este ano. Isso ocorre pela falta de competitividade diante de produtos chineses e outros fatores: “Os custos logísticos são altos e nossa legislação de emissões é equivalente à europeia. Para adequar nossas motos aos mercados próximos é preciso reduzir conteúdo tecnológico, o que também exige desenvolvimento”, afirma o diretor comercial Alexandre Cury.

Ele recorda também que em países vizinhos é possível usar carburadores em uma faixa de cilindrada mais ampla que a adotada pela Honda no Brasil e também sistemas de freio comuns (sem dispositivos antitravamento ou similares adotados aqui). E há aquelas peculiaridades de alguns mercados: “Os colombianos não se importam tanto com a cilindrada de suas motos urbanas, mas valorizam suspensão monoamortecida e freio a disco traseiro”, diz Cury (as urbanas Honda brasileiras até 160 cc têm dois amortecedores e freio traseiro a tambor).

MERCADO TOTAL: 4 MILHÕES ANUAIS

Alguns segmentos têm sido menos afetados pelo momento atual. Um deles é o de scooter, “que está trazendo para as motos aqueles que só dirigiam carros”, diz Cury. “Outras mais resilientes e capazes de enfrentar melhor esse período são as fora de estrada pequenas (Bros 160) e as CUBs (motonetas de 110 e 125 cc como Pop e Biz)”, afirma Cury.

Honda
Em 2015 a Honda investiu R$ 75 milhões para produzir internamente os tubos de aço (foto à esquerda) utilizados nos chassis, em um novo processo de produção das camisas de cilindro e também no aumento da produção de itens de estamparia (imagem à direita), setor que tem nove prensas.

O executivo destaca que a venda total de motos se mantém estável no Brasil nos últimos cinco anos: “Apesar das quedas seguidas nas vendas de modelos novos, a soma com as transferências de usadas resulta em 4 milhões de unidades.”

MAIS DE 22 MILHÕES DE MOTOS PRODUZIDAS

A fábrica da Honda em Manaus foi inaugurada em 4 de novembro de 1976. Nesse período produziu mais de 22 milhões de motocicletas. Tem área total de 800 mil metros quadrados e 270 mil m² de área construída. Fabrica hoje 26 modelos entre 110 e 1.000 cc.

A moto CG 125, que inaugurou a unidade, já evoluiu para 150, depois 160 cc, e chegou a 11,3 milhões de unidades fabricadas. Nem mesmo campeões da indústria automotiva como VW Gol (6,2 milhões), Fiat Uno (3,2 milhões) e Fusca (3 milhões) se equiparam à Honda CG em volume de vendas.

Assista abaixo a reportagem da ABTV sobre os 40 anos da Honda em Manaus:



Tags: Honda, Manaus, Paulo Takeuchi, Alexandre Cury.

Comentários

  • Leopoldo

    Porfavor fassa moto com qualidade...... As motos estão cada dia pior

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