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Caminhões têm o pior janeiro desde 1997

Mercado | 06/02/2017 | 17h40

Caminhões têm o pior janeiro desde 1997

Ainda assim, Anfavea mantém projeção de alta de 6,4% para veículos pesados

MÁRIO CURCIO, AB

Os caminhões tiveram o pior janeiro em emplacamentos desde 1997. Foram 2,95 mil unidades licenciadas. Em relação ao mesmo mês do ano passado a retração foi de 33,3%. “Essa é a área de maior preocupação para nós porque foi uma queda muito grande”, afirma Antonio Megale, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “Ainda assim esperamos crescimento este ano por causa de investimentos em infraestrutura e também pelo movimento relacionado à produção agrícola. Com isso mantemos nossa projeção de crescimento”, diz. A previsão para os veículos pesados é crescer 6,4% este ano sobre 2016.

- Veja aqui os dados de janeiro da Anfavea.
- Leia também: Veja os resultados do setor em janeiro.
- Veja aqui outras estatísticas em nossa página AB Inteligência.

Marco Saltini, vice-presidente da entidade e diretor da MAN Latin America, confirma a expectativa: “Eles (o governo) estão com o planejamento, o cronograma em dia, mas os reflexos surgirão somente no quarto trimestre por causa do período de contratação de obras e licitações”, diz.

A expectativa de boas vendas geradas pelo agronegócio se confirma no licenciamento de pesados, que registrou a menor queda (-28,2%) ante janeiro de 2016 entre todos os segmentos de caminhões. O pior desempenho no mês foi dos modelos médios (-48,4%).

PRODUÇÃO CRESCE 7,8%

A produção de caminhões em janeiro somou 4,5 mil unidades e anotou alta de 7,8% sobre o mesmo mês de 2016. Saltini explica: “Em janeiro do ano passado os estoques estavam muito altos, o que não ocorreu este ano.” O maior volume produzido no mês foi o de semipesados, 1,5 mil unidades (alta de 18,8%). O crescimento das exportações também favoreceu a alta da produção. Os embarques em janeiro somaram 1.065 caminhões, 26,5% a mais que no início de 2016.

ÔNIBUS: EXPECTATIVA PELO PRÓ-TRANSPORTE

O anúncio pelo governo na metade de dezembro do Pró-Transporte, uma nova linha de financiamento para estruturas de transporte coletivo (como corredores e os próprios ônibus), acabou impactando negativamente as vendas do segmento no começo do ano e com isso janeiro teve apenas 504 unidades licenciadas, 51,2% a menos que o mesmo mês do ano passado.

“O programa já está disponível, mas os agentes financeiros estarão adaptados mesmo é em março. Assim, os reflexos devem surgir mesmo é na metade de 2017”, afirma Saltini. “O programa tem fundo para 10 mil ônibus. Isso é quase o que foi licenciado no ano passado”, recorda Saltini, referindo-se às 11,1 mil unidades emplacadas em 2016.

Já a renovação da frota de ônibus aguardada para este ano na cidade de São Paulo já não gera grande expectativa para o setor porque a tarifa do município ficou congelada e com isso os empresários do setor tendem a adiar a compra de novos veículos.

As exportações de ônibus somaram 388 unidades e registraram alta de 20,5%. O crescimento mais expressivo ocorreu para os modelos rodoviários, 40,8% a mais que em janeiro de 2016. Os urbanos cresceram bem menos, 8,4%. Ainda assim, a produção total de ônibus somou apenas 1.069 unidades em janeiro, 9,1% a menos que no ano passado. Destes, 805 eram veículos urbanos, que anotaram queda ainda mais acentuada, de 21,5%.

Assista abaixo à reportagem da ABTV sobre os resultados da indústria em janeiro divulgados pela Anfavea:



Tags: Caminhões, ônibus, Antonio Megale, Marco Saltini, emplacamentos, produção, exportações.

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