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FCA faz grande corte de pessoal em áreas administrativas

Trabalho | 13/02/2017 | 20h00

FCA faz grande corte de pessoal em áreas administrativas

Fontes falam em mil demitidos; empresa não confirma o número

PEDRO KUTNEY, AB

A profundidade e a longa duração da crise econômica brasileira atingiu também as áreas administrativas do Grupo FCA no Brasil, que agrega as operações da Fiat e Chrysler – esta com as marcas Jeep, Dodge e Ram. Entre quinta-feira e sexta-feira da semana passada a empresa promoveu um grande corte de pessoal entre os empregados mensalistas de todos os departamentos, incluindo engenharia, marketing, comercial e comunicação, entre outros. Só não houve demissões nos horistas da produção, no chamado chão-de-fábrica. A FCA confirmou os cortes, mas não divulga o número de demitidos. Segundo algumas fontes, seriam perto de mil desligamentos para reduzir a folha de pagamentos em cerca de 30%.

Em resposta às solicitações de informações sobre as demissões, a assessoria de imprensa da FCA negou que os cortes tenham atingido esse porcentual, assume apenas que foram feitos “ajustes entre os mensalistas em função das atuais condições do mercado nacional”. A FCA também não divulga quantos funcionários são mensalistas que trabalham em suas áreas administrativas, mas fontes dizem que este número gira entre 3 mil e 4 mil.

Com duas fábricas de automóveis no Brasil – a da Fiat em Betim (MG) que completou 40 anos em 2016 e o Complexo Industrial Jeep de Goiana (PE) inaugurado em 2015 –, segundo o departamento de recursos humanos, a FCA terminou o ano passado com total de 20.132 empregados, contingente que foi reduzido em 1,7 mil pessoas ao longo de 2015 e 2016, mas ainda maior do que os 19,6 mil em 2013, quando ainda não havia sido iniciada a contratação de pessoal para a planta pernambucana.

Os cortes não atingiram as linhas de montagem e não houve redução da carga horária em Betim e Goiana, que segundo a assessoria da FCA estão operando normalmente. A fábrica de Pernambuco teve o ritmo acelerado com a entrada em produção de três modelos em menos de dois anos de operação (os SUVs Jeep Renegade e Compass e a picape Fiat Toro), todos com bom desempenho de vendas. Já a planta mineira vem passando por reduções seletivas que escaparam aos protestos do sindicato local, mas o contingente da unidade foi poupado neste início de ano com o leve aumento da demanda pelo compacto Mobi e pela introdução de um novo carro à linha, com lançamento esperado para junho, que deverá substituir Bravo e Punto.

PERDA DE MERCADO

Apesar do crescimento das vendas da Jeep com a fabricação de modelos nacionais, o tombo da Fiat em 2016 foi bem maior do que a média do mercado e puxou sensivelmente para baixo os resultados da FCA no País.

Liderando o segmento de mercado que mais sofreu com a crise econômica, a dos hatch compactos com motorização 1.0, no ano passado a Fiat perdeu o primeiro posto no ranking das marcas mais vendidas, desceu ao segundo lugar com perda de quase 2,4 pontos porcentuais de market share, para 15,3%. A Fiat também teve uma das maiores quedas de vendas entre as 10 mais vendidas, de 30,5% na comparação com 2015. O resultado só não foi pior graças à continuação do bom desempenho da picape compacta Strada, o comercial leve mais vendido do País, e da boa aceitação da Toro, picape de tamanho intermediário lançada no início de 2016 que se tornou o segundo comercial leve mais procurado.

Já a Jeep conseguiu ficar no mesmo décimo lugar de 2015 com o avanço das vendas do Renegade e o lançamento do Compass em outubro. A base baixa de comparação permitiu um crescimento vistoso de 41,3% sobre o ano anterior, com ganho de participação de 1,3 ponto, para quase 3%.



Tags: FCA, Fiat Chrysler, Fiat, Jeep, trabalho, demissões, mensalistas, cortes.

Comentários

  • Romeiro André

    Em meio a esta depressão econômica é natural as ações de ajustes também no que tangem os recursos humanos, percebe-se que a FCA foi enormemente atingida de forma consistente ou séria e houve inclusive boa perda de mercado...O importante, vejo/penso, é que nesta re organização não ocorra a perda de massa cefálica técnica pois a reação na linha do tempo depende muito disto em minha opinião.. A re organização deve ser realizada de forma a não se perder os históricos de soluções de problemas técnicos impostados nos novos projetos..caso contrário haverá uma regressão da qualidade na óptica cliente e daí o tombo poderá ser maior.. Este fenômeno de regressão técnica, em problemas simples que já tinham sido resolvidos com impostação de uma robustez maior nos projetos sucessivos, já se percebe nos produtos Fiat/FCA..(infiltração de água/poeira/acabamentos mal resolvidos e lay-out vão motor... Força FCA, torcemos por vocês!!!

  • Bruno

    É demissão em massa! A FIAT está abandonando Minas Gerais, estado que deu a ela a liderança do mercado e é isso que ela dá em troca.... Os mineiros deveriam é boicotar os produtos da empresa principalmente os feitos em Pernambuco... Agora, para não falarem que vão abandonar o estado, vão deixar uma fábrica nanica fabricando uma merreca de carros. E o governo de minas assiste a tudo sem falar nada.. Olhando em sites de fora do Brasil vemos que o grupo FCA está desesperado procurando um comprador pois está quebrado e endividado... e parece que ninguém quer a bomba. Dizem que um grupo chines já comprou uma parte da massa falida... vamos ver. Era uma vez uma montadora de automóveis...

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