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Indústria automotiva não é mais sobre produto, é sobre cliente

Tecnologia | 02/03/2017 | 19h33

Indústria automotiva não é mais sobre produto, é sobre cliente

Rene Martinez, da EY, alerta que a cadeia produtiva passará por transformação

GIOVANNA RIATO, AB

A lógica da indústria automotiva deve passar por grande transformação nos próximos anos. Esta é a premissa do estudo Remodelando a Mobilidade, elaborado pela EY para mapear as tendências disruptivas que impactam o setor. “A mensagem mais relevante é que o foco não estará mais nos produtos, mas nos clientes. A entrega de serviços e a experiência dos consumidores serão aspectos essenciais para que uma empresa tenha sucesso no futuro”, destacou Rene Martinez, sócio da consultoria e líder para a área automotiva, em entrevista a Automotive Business.

-Veja aqui o estudo completo da EY
-Confira outros dados e estatísticas em AB Inteligência


Na análise dele, os carros deixarão de ser o ponto central da mobilidade para se tornar um simples ponto de plataforma mais complexa, que vai se adaptar às necessidades de cada cliente. Essa mudança, aponta, subverte a lógica da cadeia de valor do setor automotivo. Segundo o estudo, a tendência é que a cadeia deixe de ser linear, com fornecedores entregando componentes e soluções para empresas maiores, até chegar nas montadoras e passar para a rede de distribuição.

“É uma estrutura que não muda há muito tempo e, na ponta, alavanca a contratação de crédito dos bancos e de serviços como seguros, por exemplo. Isso começa a se transformar”, conta. Ele destaca a tendência de que a cadeia da mobilidade se pareça mais com uma rede. “As empresas precisarão aprender a colaborar, a criar um ecossistema.” O executivo diz que o consumidor passa a ser o aspecto central e ficará rodeado de soluções ligadas ao transporte oferecidas por montadoras e empresas de tecnologia, seguros, entretenimento e conteúdo.

OS PRINCIPAIS DESAFIOS

Essa transformação, no entanto, não acontecerá sem dor. “Para ter sucesso lá na frente, uma série de questões deve ser resolvida por estas empresas”, diz. Martinez cita que, quando o paradigma deixa de ser a venda do carro para se transformar na oferta de mobilidade, é preciso pensar em segurança, em carros autônomos, conectividade e em formas diferentes de oferecer serviços tradicionais, como seguros. “O desafio é criar um ambiente de mobilidade capaz de encantar o cliente”, resume.

Para o sócio da EY, a indústria automotiva, que por muito tempo foi reconhecida por ser inovadora, deve trabalhar rápido para não perder este posto. Hoje, aponta, a disrupção causada por empresas que oferecem serviços de transporte como Uber e Cabify sinaliza que as montadoras precisam se reinventar para manter um papel importante no futuro. “Há potencial para novas ideias, mas para aproveitar isso as montadoras têm que deixar o status quo de lado e apostar em inovação.”

Outro desafio identificado no estudo é a atração e retenção talentos. O setor automotivo tradicionalmente busca os melhores engenheiros mecânicos. Martinez avisa que, nos próximos anos, será necessário contratar também grandes cientistas de dados e especialistas em inteligência artificial.



Tags: mobilidade, inovação, produto, EY, Rene Martinez.

Comentários

  • Pedro Luiz Pereira

    A questão de retenção de talentos como diz Martinez é importante. No Brasil ainda há muito a se evoluir neste sentido. Aqui ainda há a ideia de que o profissional mais velho deve ser descartado. Incoerente com práticas internacionais.

  • Arnaldo Pellizzaro

    Esta matéria foi escrita neste século?

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